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#JornalistasContraoAssédio: Mulheres se unem em apoio à repórter demitida

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Duas semanas após denunciar ter sido assediada pelo cantor Biel, uma repórter do portal iG foi demitida.

O motivo? De acordo com o comunicado interno, não passava de uma ação rotineira.

"A empresa está seniorizando nossa equipe no intuito de melhorar nosso conteúdo próprio. Trata-se de uma reestruturação normal em função dessa necessidade. A repórter continuará recebendo todo o apoio da empresa e dos funcionários no caso".

Mas coincidentemente, de acordo com informações dos próprios funcionários da empresa, apenas esta jornalista, em específico, foi desligada de seu cargo.

O fato não passou batido, contudo. Um movimento espontâneo de indignação e empatia tomou conta das redes e fez com que mais de 4 mil jornalistas em apenas dois dias de mobilização se unissem em um grupo de discussão do Facebook.

O objetivo? Dizer que casos como o sofrido pela jornalista do iG são mais recorrentes do que o que se pensa. E que não será aceito a culpabilização da vítima.

Janaina Garcia e Thais Nunes tiveram a ideia de transformar a indignação em luta e campanha. De um post que viralizou nas redes sociais a uma conversa no WhatsApp, surgiu a hashtag #JornalistasContraOAssédio e este vídeo-manifesto.

De acordo com Garcia, o caso que agora reverbera na opinião pública trata de uma situação que "não é normal, mas é comum":

"Declarações de assédio que são amenizadas pelos próprios jornalistas. Nós queremos desnaturalizar esse tipo de comportamento. Coletamos várias frases que são comuns às jornalistas do País inteiro. São frases que ouvimos ao longo da vida profissional com conteúdo machista e que agora vimos ser aberta uma janela importante para falar disso tudo. É um comportamento que não pode ser encarado como normal, nem dentro das redações, nem fora, nem nas assessorias. É nossa função trazer à tona essas informações para que isso mude."

Ela complementa:

"Pouco se fala disso no ambiente jornalístico. A gente divulga muito o que acontece em outras categorias, mas a nossa fica em segundo plano. Não é porque eu estou te entrevistando que você pode me beijar. E a gente sabe que isso acontece. A gente viu isso exemplificado no que ocorreu na cobertura da Copa do Mundo."

A jornalista demitida do iG foi orientada a não expor suas declarações.

Diante desse cenário, restam mais dúvidas do que certezas. Ela, de fato, receberá apoio da empresa durante o processo? Quais serão as consequências profissionais da demissão? E psicológicas?

E vai além.

Até quando as mulheres serão punidas por denunciarem agressões, assédios, estupros?

Até que ponto o machismo rege as relações profissionais?

Quantas outras profissionais já passaram por situações como essa?

As perguntas seguem sem respostas fáceis, mas nem por isso as discussões sobre o tema são menos importantes.

Entenda o caso

O assédio aconteceu em maio com uma repórter do portal iG, durante uma entrevista com o cantor sobre o seu novo CD. A notícia foi divulgada inicialmente pelo iG em 3 de junho e ganhou repercussão nacional.

Gabriel Araújo Marins Rodrigues, de 20 anos, foi denunciado pela profissional na 1ª Delegacia da Mulher de São Paulo por assédio sexual. De acordo com o relato, ele chamou a jornalista de “gostosinha” e disse que “a quebraria no meio” se mantivessem relações sexuais.

Durante a conversa, a repórter mencionou que tem quase a mesma idade do cantor. Ele responde: "Idade não significa nada. Se te pego, te quebro no meio". Depois, ela questionou se ele é bissexual, em menção às buscas no Google sobre "Biel é bi?". O artista retrucou: "Por quê? Você quer que eu te mostre com atos e ações? E eu sou heterossexual. Eu gosto é de boceta".

Em outra parte do vídeo, Biel pediu que a jovem atendesse a uma ligação em seu celular. Ela falou ao telefone e explicou que ele não poderia atender, pois estava em uma entrevista. Em seguida, Biel retornou a ligação.

Ouça os trechos originais de conversa entre Biel e repórter do iG.

Outro lado

No dia em que veio a público a denúncia, o portal publicou um comunicado oficial sobre o ocorrido:

"O Portal iG e seus funcionários repudiam qualquer forma de assédio ou agressão à mulher, bem como qualquer tipo de violência ou preconceito contra o ser humano."

Até a publicação desta matéria o HuffPost Brasil não obteve outra resposta do portal iG sobre a demissão da jornalista.

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