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Moradores de SP aplaudem os 'heróis' da Polícia Militar que mataram um menino de 10 anos após roubo

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PM SP
Reprodução/Facebook
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Entre 80 e 100 moradores da Vila Andrade, na zona sul de São Paulo, foram, na noite deste domingo (19), ao local onde a polícia matou, com um tiro na cabeça, o menino de 10 anos que havia furtado um carro em um prédio, no dia 2 de junho. Os PMs voltaram ao local para fazer a reconstituição da cena do crime foram recebidos com aplausos e gritos de “heróis”.

Segundo O Estado de S. Paulo
, moradores da Vila Andrade, na zona sul de São Paulo, foram convocados para o ato e se abriram em elogios à atuação da PM que tem as versões oficiais contestadas em investigação:

“Tudo leva a crer que os policiais agiram corretamente. Mas há uma inversão de valores, a criminalidade é que dita o ritmo da nossa segurança pública”, disse o engenheiro Milton Venderamini, que mora na frente do local onde o menino foi morto.

A empresária Fernanda Guerra, também segundo o Estadão, apoiou também a ação: “Ninguém sabia que era uma criança (que estava ao volante). Os policiais só estavam fazendo seu trabalho”.

O G1 registrou outra fala, também de uma moradora da região que foi apoiar os PMs. Diz a psicóloga Angélica Lima.

"Infelizmente acabou com a morte desse menor, mas na verdade o policial só tava fazendo o trabalho dele. A gente tá aqui pra apoiar o trabalho da polícia e dizer que estamos a favor da ação deste policial. Não porque mataram o menino, mas porque acreditamos que foi só um desfecho infeliz. Ele tava fazendo o trabalho dele. A polícia tá aqui pra defender a gente".

Cena do crime

A reconstituição promovida pelos peritos do DHPP - que investiga o caso - refez desde o roubo do veículo pelos dois meninos, em um condomínio da região, até o momento em que foram abordados pela PM e houve o disparo que matou o menino de 10 anos. Tudo foi fotografado, filmado e gravado em áudio.

Os PMs envolvidos na ação alegam que revidaram tiros que teriam sido disparados pelo garoto de 10 anos. Mas o amigo de 11 anos que também teria participado do roubo, em uma de suas versões, afirma que os dois estavam desarmados.

O menino sobrevivente está no Programa de Proteção à Criança e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM) e deixou São Paulo com a família na semana passada. Ele não participou da reconstituição.

O caso

police sao paulo

O menino de 10 anos foi morto dentro de um carro furtado, na Vila Andrade, na zona sul da capital. Os policiais sustentam que a criança atirou contra eles enquanto fugia. Laudo pericial mostrou que as mãos do garoto continham rastros de pólvora, mas a luva que ele supostamente usava, não.

Outro menino que participava da ação, de 11 anos, parceiro do garoto morto, disse, no terceiro depoimento prestado, ter sido agredido e ameaçado antes de gravar um vídeo reforçando essa versão. Em outro depoimento, afirmou que o colega estava desarmado. A testemunha e sua família entraram no Programa de Proteção à Criança e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM).

Laudo divulgado na terça-feira (13) pela Secretaria da Segurança confirmou que o projétil que acertou a criança na cabeça saiu da arma de um dos policiais militares. O advogado Marcos Manteiga, que os representa, não foi localizado para comentar o resultado na terça-feira.

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