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Cunha acusa: Ministro de Dilma tentou salvá-lo 3 vezes em troca de barrar impeachment

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EDUARDO CUNHA
Eduardo Cunha metralha ministro Jaques Wagner | ANDRESSA ANHOLETE via Getty Images
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O presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta terça-feira (21) que o ex-ministro da Casa Civil Jaques Wagner ofereceu a ele pessoalmente três vezes salvação no Conselho de Ética em troca de não aceitar o pedido de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff.

De acordo com o peemedebista, o então ministro do governo petista ofereceu os três votos do partido no colegiado, mesmo após a legenda ter anunciado que seria a favor da admissibilidade da representação contra ele, em 2 de dezembro. Horas após o anúncio, Cunha aceitou o pedido de impeachment.

O primeiro encontro teria sido um jantar na casa do parlamentar, o segundo na Base Aérea, em 12 de outubro, e o terceiro no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente.

Segundo Cunha, Wagner pediu a Michel Temer na época para intermediar o encontro, mas não participou.

"Nos três encontros Jaques Wagner ofereceu os votos do PT no Conselho de Ética e chegou ao ponto de oferecer que não seria separado a parte da minha mulher ao inquérito que eu estava respondendo", afirmou Cunha. Ele disse ter negado o acordo.

O deputado contou que ainda teria sido proposto pelo petista o controle do presidente do Conselho, deputado José Carlos Araújo (PR-BA) e que, na tarde de 2 de dezembro, Wagner tentou falar com ele por telefone diversas vezes ainda em uma tentativa de salvar Dilma.

Afastado da Câmara desde 5 de maio por decisão unânime do Supremo Tribunal Federal (STF), o peemedebista convocou uma coletiva de imprensa nesta terça em um hotel em Brasília para se explicar. Disse que a impossibilidade de frequentar a Câmara é um cerceamento a seu direito de defesa.

Ele negou que vai renunciar ao mandato e tampouco que fará uma delação premiada.

Réu no âmbito da Operação Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro, Cunha é acusado de mentir na CPI da Petrobras ao negar ter contas no exterior. As transações foram comprovadas pelas investigações do Ministério Público e da Polícia Federal.

Manobras

Cunha rebateu ainda acusações de manobras para atrapalhar o trabalho no Conselho de Ética.

Devido a ações de aliados, o processo se tornou o mais longo no colegiado.

O deputado voltou a acusar o presidente do Conselho de errar deliberadamente em busca de atenção. "Alguns na ânsia do justiçamento perdem noção do que pode ser feito."

Despesas

O deputado justificou gastos púbicos que a Câmara mantém com a sua segurança por ser alvo de constantes ameaças, inclusive de morte, desde a autorização do impeachment. "Isso é notório. É porque eu não fico fazendo drama", afirmou.

"Alguém duvida dos riscos que a gente corre?", questionou.

De acordo com ele, o PT tem orquestrado manifestantes para hostilizá-lo em locais públicos. Durante sua fala nesta terça-feira, dois manifestantes buzinaram e gritaram "fora bandido" do lado de fora do hotel.

Resposta do governo Dilma

O ex-ministro Jaques Wagner negou anteriormente acusações similares de Cunha.

No dia seguinte à instauração do processo de impeachment, o ministro disse que com a decisão do peemedebista o Planalto havia se livrado de uma chantagem.

"Agora isso tudo sai da coxia e vai para o palco; acaba a chantagem", afirmou em coletiva de imprensa em 3 de dezembro.

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