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Democratas ocupam chão do Congresso em 'sentaço' para protestar contra a legislação de armas dos Estados Unidos

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Na última quarta-feira (22), o Congresso americano foi surpreendido por um grupo de parlamentares democratas que encontraram uma forma nada usual de se fazerem ouvidos: eles, literalmente, sentaram no chão do Congresso para protestar contra as leis de armamento em vigor.

Eles querem por em votação duas leis que, de acordo com o HuffPost USA, poderiam banir potenciais terroristas de comprar armas e controlariam as brechas de verificação de antecedentes para vendas de arma de fogo na internet.

O ~sentaço~ foi liderado por John Lewis, um representante americano conhecido por sua longa trajetória em defesa dos direitos humanos e protestos pacíficos durante a década de 60.

Para Lewis e seus companheiros, já é passada a hora de se refletir sobre a responsabilidade e a omissão do Congresso e das leis americanas em combater os inúmeros casos de crimes e tiroteios em massa, como o que ocorreu no massacre de Orlando.

"Por meses, até mesmo por anos, nas sessões do Congresso eu me perguntava o que faria essas pessoas tomarem alguma atitude? Perdemos centenas e milhares de pessoas inocentes para a violência armada. Crianças pequenas. Bebês. Alunos e os seus professores. Mãe e pais. Irmãos e irmãs. Filhos e filhas. Amigos e vizinhos. E o que tem feito este Congresso?"

Lewis fez um discurso de mais de 10 minutos em que questionou mais do que trouxe respostas. A sua intenção era gerar um incômodo nos presentes e problematizar a situação das leis de controle de armas, que são negligenciadas. Após terminar a fala, ele simplesmente sentou no chão e disse que não sairia de lá até os republicanos aceitarem discutir o tema. Espontaneamente, seus colegas democratas aderiram ao protesto.

congresso americano

"Às vezes você tem que fazer alguma coisa fora do comum. Às vezes você tem que encontrar uma saída, mesmo que não tenha uma. Ficamos em silêncio por muito tempo. Agora é a hora de fazer alguma coisa. Nós não vamos mais nos abster. O tempo de silêncio acabou", afirmou Lewis.

Diante da intervenção, foi declarado o recesso nas deliberações do Congresso. Diversos membros da bancada democrata twitaram fotos e mensagens com a hashtag #NoBillNoBreak (#SeiLeiSemDescanso), que se tornou a marca do protesto que demanda ações legislativas para controlar a violência armada.

Os democratas se comprometeram a permanecer sentados no chão do Capitólio até que os líderes republicanos concordassem em trazer para a votação as leis de desarmamento.

Como são minoria no Congresso, os democratas não decidem o que entrará para votação ou não. A única força que eles têm para inviabilizar votações é encontrar formas criativas de controlá-las. Atualmente, o foco é forçar os legisladores a discutirem e votarem os projetos de lei que visam impor restrições mais rigorosas sobre o porte de armas de fogo.

A manifestação durou mais de 26 horas e, de acordo com pesquisas, mais de 90% da população apoia essas medidas. Fora do Capitólio foi possível ouvir gritos de apoio de militantes a favor do controle de armas no país.

Apesar disso, o líder republicano da Casa, Paul Ryan, garantiu que as leis não entrariam em discussão.

Lewis, contudo, afirma que os democratas não vão desistir: uma série de ações está sendo planejada para a próxima assembleia, em 5 de julho.

"Vamos votar. Viemos aqui para fazer o nosso trabalho. Nós viemos aqui para trabalhar. O povo americano está exigindo ação. Nós temos a coragem? Temos valentia para fazer pelo menos um 'mea culpa' e ajudar a acabar com a violência armada na América?", questionou o representante democrata.

Talvez, a ação dos democratas possa trazer algum tipo de impacto e repercussão no Congresso - fora dele, pelo menos, esse objetivo parece ter sido alcançado.

Quem sabe, até, os representantes americanos possam ensinar à nossa Câmara de Deputados, por exemplo, que, às vezes, esperar sentado não é lá tão ruim.

Desde que você tenha bem claro o que e o porquê do que se pretende alcançar.
Desde que a paciência não seja confundida com a leniência.

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