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Ao ditar questão em prova para MP do Rio, promotor diz que estuprador 'ficou com a melhor parte'

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MINISTRIO PUBLICO DO RIO
Divulgação/MP-RJ
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Um promotor do Ministério Público do Estado do Rio que atuava como examinador de uma prova oral, realizada na última quarta-feira (22), afirmou que um estuprador ficou com "a melhor parte [do crime], dependendo da vítima", ao aplicar uma pergunta sobre um caso hipotético de estupro.

A declaração causou indignação em alguns dos presentes no processo de seleção para o MP do Rio. Foi divulgado um áudio com a fala do promotor de Justiça, Alexandre Couto Joppert. Nele, Joppert descreve a questão da prova:

"Estupro praticado por cinco homens contra uma mulher. Mediante violência física e grave ameaça também. Um segura, o outro aponta a arma, o outro guarnece a porta da casa, o outro mantém a conjunção... fica com a melhor parte, dependendo da vítima, mantém a conjunção carnal, e o outro fica com o carro ligado para assegurar a fuga."

Segundo a Folha, testemunhas disseram que o comentário gerou constrangimento na sala. Após a repercussão do caso, internautas acusaram o promotor de machismo.

"Pelo menos a cada 11 minutos, uma mulher é estuprada no Brasil. E, ainda assim, um integrante do Ministério Público, no exercício de função pública, acha razoável expressar esse tipo de comentário. Até quando a igualdade de gênero não será levada a sério?", desabafou uma usuária no Facebook.

Procurado pelo HuffPost Brasil, o Ministério Público do Estado do Rio informou que o procurador-geral de Justiça, Marfan Martins Vieira, instaurou procedimento para apurar a conduta do promotor.

Em nota de esclarecimento, Alexandre alega que foi mal interpretado. Segundo ele, quando disse que o estuprador ficou "com a melhor parte", ele se referia "à opinião hipotética do próprio praticante daquele odioso crime contra a dignidade sexual."

Sobre a frase "a depender da vítima", o promotor se defendeu dizendo que "estava desejando, implicitamente, fazer referência a eventual capacidade aumentada de resistência física da imaginária ofendida" e deu, como exemplo, a hipótese da vítima de estupro ser lutadora de artes marciais."

O promotor termina o esclarecimento pedindo desculpas pelo desconforto ou descontentamento que o comentário gerou.

"Esclareço, por oportuno, minha plena convicção pessoal que toda e qualquer violação contra dignidade sexual nunca comportará 'lado melhor ou melhor parte', sendo certo que ao longo de quase 17 anos de carreira no Ministério Público sempre pautei minha atuação no combate intransigente para com toda forma de discriminação e violência física ou moral contra a mulher."

Alexandre Joppert também foi afastado cautelarmente da banca examinadora até a conclusão da apuração dos fatos.

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