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#QuemMatouNicinha: Quantas ativistas serão mortas na luta por direitos na Amazônia?

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NICINHA
reprodução/facebook
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A missionária americana Dorothy Stang defendia o uso sustentável da terra no Pará. Ela foi assassinada na zona rural de Anapu, onde desenvolvia projetos com a comunidade, em fevereiro de 2015.

Onze anos depois, outra militante em defesa dos direitos humanos no norte do País foi encontrada morta. Nicinha, como era conhecida, era uma das líderes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) em Porto Velho (RO).

Ela estava desaparecida desde janeiro e foi encontrada a 400 metros do acampamento de pescadores na beira do rio Mutum onde morava. Seu corpo foi achado no lago da barragem da Usina Hidrelétrica Jirau, com as mãos e pés amarrados por uma corda ligada a uma pedra.

Um suspeito de cometer o crime chegou a ser preso, mas fugiu dois meses depois. Ele disse ter atirado na mulher após um suposto furto, segundo informações da Folha de S. Paulo. O MAB refuta essa versão da história e afirma que o crime segue impune.

Suas filhas confirmaram que o relógio e as roupas encontrados com o cadáver eram da mãe. Porém, o resultado do Instituto Médico Legal (IML) depende do exame de DNA, que pode demorar 15 dias.

Por ser moradora ribeirinha, Nicinha foi atingida diretamente pela construção da hidrelétrica e não havia sido reassentada. Isso impulsionou sua luta contra a sua situação que é compartilhada por outras tantas famílias da região. Duas de suas denúncias envolvendo a atividade pesqueira e a construção das hidrelétricas no rio Madeira viraram inquéritos no Ministério Público, segundo informações da Folha de S.Paulo.

Filha de seringueiros que migraram do Acre para Porto Velho, onde morava há quase 50 anos, a mulher foi obrigada a se transferir para o acampamento junto com outros pescadores. No local, não existe acesso à água potável ou energia elétrica.

Ainda emocionados pelo aparecimento do corpo de Nicinha, algumas lideranças do MAB reafirmaram a necessidade de esclarecimento do caso e punição aos culpados, de acordo com o site oficial do movimento. Eles ainda pretendem fazer um ato político em homenagem à militante nos próximos dias.

Sobre Jirau

Em 2008 houve o leilão das usinas de Santo Antônio e Jirau. As empresas construtoras das hidrelétricas terão 30 anos de concessões e venda da energia gerada pelas obras. Ainda, devem contar com o faturamento da venda da energia, que gira em torno de 4 milhões de reais por dia. As informações são do Movimento Atingidos por Barragens.

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