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Com saída do Reino Unido da União Europeia, esta é a hora de comprar euro e libra

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A saída do Reino Unido da União Europeia na madrugada desta sexta-feira (24) derrubou as bolsas de valores da Europa e da Ásia e afetou, principalmente, as moedas do bloco e do Reino Unido, euro e libra esterlina.

Nesta sexta, a moeda britânica chegou a cair 10%, maior desvalorização já registrada em um único dia. O colapso da moeda foi no início desta manhã, quando caiu para 1,3228 dólar, seu valor mais baixo desde setembro de 1985.

Ontem (23), no início da votação, a moeda era cotada a cerca de 1,50 dólar. Às 8h, a moeda se recuperava e era negociada a 1,3686 dólar, mas ainda com queda de quase 8% no dia.

No turismo, a libra pode ser encontrada por a partir de R$ 4,94 em casas de câmbio. Em fevereiro deste ano, ela era vendida por cerca de R$ 6,20.

O euro também está sofrendo com a separação. Por volta do meio-dia, o euro comercial caía -1,58% e era negociado a R$ 3,75, menor cotação desde julho do ano passado. O euro turismo era vendido nesta manhã por cerca de R$ 3,90.

Com o colapso nas bolsas europeias e asiáticas, o dólar se fortaleceu nesta sexta-feira, após sofrer queda com a expectativa do Reino Unido permanecer na UE. Nesta manhã, a moeda contava com uma valorização de 1,29%, e chegou à máxima de R$ 3,4352 na compra. No turismo, dólar pode ser encontrado por R$ 3,55.

Esta é a hora de comprar moeda e planejar viagem?

A forte desvalorização nesta sexta-feira pode ser uma boa oportunidade para os brasileiros que planejam ir para a Inglaterra e Europa. Economistas ouvidos pelo HuffPost Brasil acreditam que a desvalorização da libra tende a aumentar ainda mais, enquanto a queda do euro deva ser temporária.

"A tendência é perder valor. Até onde, vai depender do mercado", conta o economista-chefe da da Nova Futura Corretora, Pedro Paulo Silveira, sobre a cotação da libra esterlina, moeda do Reino Unido. "O fato é que o mercado errou redondamente ao acreditar que o Reino Unido não ia sair da UE, e agora precisa corrigir esse erro", disse Pedro Paulo. Segundo ele, tal correção seria a desvalorização da moeda britânica.

O economista-chefe considera um erro a saída do Reino Unido, uma vez que hoje a Inglaterra é o atual centro financeiro da Europa.

"O grande perdedor é o próprio Reino Unido, que vai perder importantíssimas receitas com o fim das relações comerciais com o bloco da UE. Além disso, ele não será mais o centro financeiro da região. Os europeus vão se recusar a deixar dinheiro lá e devem migrar para Frankfurt [na Alemanha], que deverá ser o próximo centro financeiro europeu. Acabou a brincadeira."

Ainda segundo o economista, o desalinhamento econômico da Grã-Bretanha com a Europa e mundo, "motivado por uma posição irracional de nacionalismo", vai custar muito caro para a Inglaterra, que já tem a moeda mais desvalorizada nesta sexta-feira.

A economista e professora do Instituto COPPEAD de Administração da UFRJ, Margarida Gutierrez, também acredita na desvalorização da libra no curto prazo e uma "brutal" volatilidade no médio e longo prazo. "A nova política vai deixar mais a moeda desestabilizada."

"O Reino Unido vai perder muito. Metade das exportações da Inglaterra vinham da Europa, que tinham tarifas zeradas, com livre circulação de bens. A Inglaterra terá de costurar novas relações comerciais com o mundo."

Para o economista-chefe do Credit Agricole, Vladimir Caramaschi, tudo vai depender das ações nos próximos dias.

"Existem enormes dúvidas sobre como será a relação do Reino Unido com a UE. No pior cenário, com relações comerciais cortadas, a libra pode perder muito mais que já perdeu, mas em outros cenários, nos quais a Inglaterra consiga manter alguns acordos, esse efeito pode ser bem menor.

Impasse do euro, dólar mais caro e moedas de emergentes desvalorizadas

Apesar da desvalorização do euro, economistas se dividem sobre a cotação para os próximos dias.

Pedro Paulo, economista-chefe da Nova Futura Corretora, aposta na recuperação da moeda. "Querendo ou não, a União Europeia ainda é a segunda maior economia do mundo. Ele [o euro] pode estar apanhando hoje, com as expectativas de outros países deixarem a UE, mas deve ser temporário."

Já a professora de economia Margarida acredita na desvalorização não só do euro, como das moedas dos países emergentes, como o Brasil.

"Agora vamos viver em uma época de muita incerteza. [Os impactos] dessa saída vão muito além dos econômicos. Terá uma política de fragmentação de fronteiras. Provavelmente vai ter uma nova era de protecionismo, o que vai aumentar o risco econômico e os investidores vão correr para moedas mais 'fortes', como o dólar e o iene [moeda japonesa]."

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