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Chuva de Referendos: Reino Unido abriu precedente para desunião europeia?

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Enquanto muita gente ainda se recupera da surpresa do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, várias nações já se mobilizam a se preparam para as consequências (ainda meio imprevisíveis).

No entanto, outros países já sinalizam que vão fazer consultas à população sobre a permanência no bloco, o que pode desmantelar a unidade europeia.

A Escócia muito provavelmente irá realizar um segundo referendo sobre sua independência, disse nesta sexta-feira (24) a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, acrescentando que irá fazer o que for necessário para garantir o lugar do país na União Europeia, após o Reino Unido votar para deixar o bloco.

"É uma afirmação do óbvio que a opção por um segundo referendo precisa estar na mesa e está na mesa", disse a repórteres.

"Penso que um referendo sobre a independência agora é muito provável", acrescentou.

A Escócia, que realizou um referendo anterior sobre a independência em 2014, votou por uma margem de 62% a 38% pela permanência na UE no referendo de quinta-feira (23), em desacordo com o Reino Unido como um todo, que registrou 51,89% de votos a favor da saída, contra 48,11% favoráveis à permanência.

"Quero deixar absolutamente claro hoje que pretendo tomar todas as medidas possíveis e explorar todas as opções para efetivar o que o povo da Escócia votou, em outras palavras, para garantir nosso lugar na UE e em um mercado único", disse.

É importante lembrar que na época em que a Escócia decidiu se sairia ou não do Reino Unido, lá em 2014, o fato de permanecer na União Europeia foi determinante no resultado das urnas. Se saísse do Reino Unido naquela época, a Escócia teria que aguardar a aprovação de Bruxelas e de todos os países que compunham o bloco na época.

Além da preocupação econômica, a premiê deu um importante recado aos europeus de outros países que lá vivem. "Vocês continuam sendo bem-vindos aqui, a Escócia é sua casa, e sua contribuição é importante".

Entre os muitos estrangeiros que vivem no Reino Unido, o clima também é de incerteza. Não se sabe se haverá acordo sobre imigração, ou se caberá aos europeus que lá vivem pedirem residência permanente ou naturalização britânica.

O Reino Unido tem dois anos para negociar sua saída do bloco, mas líderes pró União Europeia querem que o processo seja agilizado, para que o clima de incerteza e insegurança, principalmente para os mercados e para os investidores, dure o menor tempo possível.

França

O partido da extrema direita francesa Frente Nacional também pediu por um referendo sobre permanência na União Europeia.

"A liberdade dos povos sempre vence no final! Bravo ao Reino Unido", disse o vice-líder da Frente Nacional, Florian Philippot, em publicação no Twitter. "Nossa vez agora #Brexit #Frexit", usando termos em inglês para as campanhas de saída britânica e francesa.

A Frente Nacional pede há tempos pela saída francesa da UE e teve bons resultados nas eleições recentes no país, embora ainda precise de efetividade no segundo turno das eleições.

Marine Le Pen, líder da extrema-direita na França também elogiou a decisão britânica. "Vitória para a liberdade", escreveu no Twitter. "Como já pedi por anos, nós devemos agora fazer referendos semelhantes na França e em outros países da União Europeia".

Irlandas

O vice-premiê da Irlanda do Norte, Martin McGuinness, pediu por uma votação sobre a unidade das duas Irlandas, à medida que as consequências políticas e econômicas da decisão britânica de deixar a UE eram sentidas de imediato.

A Irlanda tem a economia que cresce mais rápido na União Europeia, mas também tem mais a perder do que qualquer outro país-membro do bloco devido à saída britânica da UE, com impactos fortes no comércio, economia, fornecimento energético e paz na Irlanda do Norte, que faz parte do Reino Unido.

Depois que 56% dos norte-irlandeses votaram a favor de permanecer na UE, enquanto 51,89% do Reino Unido como um todo votou pela saída, McGuinness, do partido Sinn Fein, disse ser imperativo que o governo britânico convoque um referendo sobre a unidade da Irlanda.

"O governo britânico agora não tem um mandato democrático para representar as visões do Norte em qualquer negociação futura com a União Europeia, e eu acredito que há um imperativo democrático pela realização de uma votação", disse McGuinness à emissora estatal irlandesa RTE.

O pedido do Sinn Fein, o maior partido nacionalista irlandês da Irlanda do Norte, foi rejeitado posteriormente pela primeira ministra norte-irlandesa, Arlene Foster.

(Com informações das agências de notícias)

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