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Explicando Brexit: Se Donald Trump aprovou é porque NÃO é bom

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donald trump

"O Brexit é algo incrível"

Foi assim que o pré-candidato republicano à presidência dos EUA, Donald Trump, definiu a saída do Reino Unido da União Europeia.

Durante uma visita à Escócia, vestindo roupas formais e o já famoso boné com os dizeres "Make America Great Again" (Torne a América incrível de novo, em tradução livre) Trump elogiou a decisão, e disse que o povo do Reino Unido "tomou seu país de volta".

"Vocês verão muitos outros casos em que elas querem retomar suas fronteiras, querem retomar sua moeda, querem retomar muitas coisas. Elas querem poder voltar a ter um país", acrescentou, esquecendo que o Reino Unido nunca aderiu ao Euro e tampouco participa da área Schengen, que prevê a livre circulação de pessoas.

Na madrugada desta sexta-feira (24), o Reino Unido anunciou que após mais de 40 anos, deixaria a União Europeia. A decisão de sair foi escolhida por 51,89% da população - uma decisão dos idosos e do interior do Reino Unido: a maioria das cidades votou pela saída do bloco, mas Londres votou pela permanência.

O temor agora é de que a iniciativa britânica inspire outros partidos eurocéticos. E tudo indica que a onda já começou.

Segundo a CNN, assim como a corrida eleitoral dos EUA, a campanha do referendo no Reino Unido foi fomendata com "ódio populista, cultura do medo, hostilidade e um nacionalismo ressurgente".

E essa mistura perigosamente explosiva pode se alastrar pelo continente e abrir espaço para fronteiras fechadas, xenofobia e uma Europa que vire as costas para dramas humanitários como, por exemplo, a crise dos refugiados.

É claro que, além disso, há implicações econômicas que virão num médio e num longo prazo, mas tudo indica que a decisão dos britânicos foi tomada "com o coração", e movida por uma falta de vontade de receber imigrantes e, como pontuou Trump, em ter "sua ilha" de volta. E isso é ainda mais preocupante.

É preocupante também o exemplo e a ideia que o Reino Unido dá para o resto da Europa, que vê, já há alguns anos, uma escalada preocupante de partidos de extrema direita com ideais abertamente xenófobos e nacionalistas. O problema não é rever a ideia de União Europeia, ou até mesmo rever as condições que mantêm a coesão no bloco. O problema, no caso, é rever a ideia com base nesse tipo de argumento.

De acordo com informações da agência Reuters, partidos de direita ou anti-imigração de Holanda, Dinamarca, Suécia e França exigiram referendos sobre a filiação à UE, e o movimento italiano 5 Estrelas disse que irá elaborar sua própria recomendação de consulta a respeito da moeda comum da união.

brexit london

Geert Wilders, líder do partido anti-imigrante Partido Pela Liberdade (PVV, na sigla em holandês) da Holanda, afirmou que fará de um referendo holandês sobre a permanência na UE um tema central de sua campanha para se tornar primeiro-ministro na eleição parlamentar do ano que vem.

"Parabenizo o povo britânico por derrotar a elite política tanto em Londres quanto em Bruxelas, e acho que podemos fazer o mesmo", disse Wilders à Reuters. "Deveríamos ter um referendo sobre um 'Nexit' (saída holandesa) o mais cedo possível".

"Não há mais futuro (para a UE)", opinou Wilders.

O partido francês de extrema direita Frente Nacional também pediu uma consulta popular em seu país a respeito da filiação ao bloco e saudou a iniciativa britânica, que espera fortalecer sua pauta eurocética.

A líder da legenda, Marine Le Pen, comemorou o resultado estampando a bandeira britânica em sua conta de Twitter.

"A vitória pela liberdade! Agora precisamos realizar o mesmo referendo na França e em (outros) países da UE". Seu vice, Florian Philippot, disse: "Agora é nossa vez #Brexit #Frexit".

Segundo partido mais popular da Itália, o Movimento 5 Estrelas descreveu o desfecho do pleito britânico como uma lição de democracia e prometeu apresentar uma proposta de sua autoria para um referendo italiano sobre o euro.

O partido, considerado um sério candidato a conquistar o governo na próxima eleição geral, quer que a Itália realize um referendo "consultivo" ou não-vinculante interrogando a população sobre a permanência na zona do euro.

A Liga Norte, integrante da oposição de centro direita italiana, foi explícita em sua manifestação.

"Obrigado, Grã-Bretanha, nós somos os próximos", disse seu líder, Matteo Salvini.


Então, lembre-se: Se Donald Trump aprovou é porque NÃO é bom.

donald trump smilling

(Com informações da Reuters)

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