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Quem é o deputado que preside a Câmara na prática e já ganhou 12 vezes na loteria

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GIACOBO
Fernando Giacobo já foi investigado por cárcere privado | Reprodução / Facebook
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Responsável por presidir as sessões em votações de pautas do governo do presidente interino Michel Temer, o deputado Fernando Giacobo (PR-PR) tem ganhado espaço diante da lacuna no comando da Casa.

Com histórico de investigação por cárcere privado e 12 vitórias na loteria, o parlamentar tenta emplacar como presidente após o Conselho de Ética decidir pela cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em 5 de maio, afastar Cunha das funções públicas, deputados da base têm tentado, sem sucesso, convocar novas eleições para a presidência da Câmara.

Presidente em exercício desde o afastamento do peemedebista, o primeiro-vice, Waldir Maranhão (PP-MA) se tornou um tipo de rainha da Inglaterra do Parlamento brasileiro. Tem o título, mas não preside as sessões.

Essa postura foi acertada após o desgaste entre colegas por ter anulado a sessão em que foi aprovada a admissibilidade do impeachment de Dilma Rousseff.

A função de presidir sessões ficou com o segundo-vice, Giacobo, que continua a ser presidente na prática até a votação da cassação de Cunha em plenário — o que deve acontecer por volta de 20 de julho. Giacobo é também um dos cotados para assumir o mandato tampão, até fevereiro, caso o peemedebista perca o mandato.

Acusações

Empresário e integrante da bancada ruralista, Fernando Giacobo foi réu em ação penal movida pelo Ministério Público por cárcere privado e sequestro contra o gerente de uma propriedade rural vendida ao deputado. O julgamento foi suspenso em 2007 e dois anos depois o crime prescreveu.

O caso foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná e teria ocorrido em julho de 2000. Segundo a denúncia, o deputado pediu que o vendedor levasse os documentos da propriedade para a sua concessionária, em Cascavel.

Giacobo teria então exigido que o corretor devolvesse a ele o valor referente à comissão pela venda e o mantido no local. Depois, o vendedor teria sido trancado em uma casa. O deputado nega o crime e disse ter sido enganado pelo corretor.

O parlamentar também foi réu em outras duas ações já prescritas. Em um processo a acusação era de falsidade ideológica e formação de quadrilha. A denúncia era de sonegação de impostos com base em empresas fantasmas que beneficiaria sua concessionária. O esquema teria lesado os cofres públicos em R$ 331.348, entre outubro de 2000 e junho de 2001.

Na terceira ação, uma de suas empresas foi acusada de favorecimento em licitação para exploração do terminal rodoviário da cidade de Pato Branco (PR).

Loteria

Em 1997, o deputado ganhou 12 vezes na loteria em um período de 14 dias, segundo o jornal Gazeta do Povo. Ele afirmou à reportagem que a soma seria de R$ 134 mil, resultado de bolões na loteria esportiva, e teria sido declarada no imposto de renda a época.

Presidente do PR no Paraná, em 1988 tornou-se empresário do ramo de móveis e eletrodomésticos e, posteriormente, do setor automotivo. Em 2002, Giacobo foi eleito deputado federal pela primeira vez com mais de 52 mil votos pelo PPS.

Foi reeleito em 2006, pelo PL, com 92.868 votos e em 2010, com a migração do PL para PR, Giacobo foi reeleito com 120 mil votos.

Na prestação de contas de 2014, declarou patrimônio de R$ 2,35 milhões. A campanha daquele ano recebeu R$ 2,7 milhões, a maioria de pessoas físicas ou do partido.

Em algumas ocasiões, usou a cota parlamentar para fretar jatinhos no trajeto de Curitiba a Brasília. Em 7 de junho deste ano, o custo foi de R$ 35 mil no trecho. Em 29 de janeiro, foi de R$ 7.500. Em 3 de julho de 2015, o gasto foi de R$ 17 mil.

Giacobo informa que foi sorteado apenas em uma ocasião. O fato ocorreu quando ele não fazia parte da vida pública. No ano de 96, aos 26 anos, participou de bolão com um grupo de funcionários da mesma empresa quando foram jogados cerca de 2 mil bilhetes em jogos esportivos. 12 cartelas foram premiadas, e o valor do prêmio dividido entre os funcionários. A parte de Giacobo chegou a cerca de R$ 124 mil reais. O dinheiro recebido na aposta de forma legítima foi declarado no Imposto de Renda de 96/97.

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