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Sem papel, água e gasolina: Policiais do Rio cruzam os braços em protestos às condições precárias e ameaçam greve na Olimpíada

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PROTESTO PM
Reprodução/Coligação
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Os policiais civis do Rio de Janeiro cruzaram os braços nesta segunda-feira (27) em um protesto contra condições precárias para o trabalho. Os profissionais reclamam de atrasos nos salários, corte no orçamento e falta de materiais básicos de higiene e de trabalho, como papel, faxina e até combustível.

Em carta pública intitulada "Agonia da polícia civil", o Sindelpol (Sindicato dos Delegados do Rio de Janeiro) afirmou que não há condições de trabalho na polícia e decidiu pela greve como "forma de protesto pela absoluta impossibilidade de atender aos cidadãos e prosseguir com as investigações."

A carta diz que o salário não foi pago integralmente e que não tem água, papel, impressora e faxina nas delegacias e no IML (Instituto Médico Legal).

"Queremos a volta da integralidade dos salários; que o pagamento volte para o segundo dia útil; condições dignas nas delegacias; o fim da cota de combustível e que os terceirizados voltem a trabalhar”, disse o presidente da Coligação de Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro (Colpol-RJ), Fábio Neira, à Agência Brasil.

Nesta tarde, cerca de 150 policiais se reuniram em frente ao prédio da Chefia de Polícia, na região central do Rio, com cartazes como "Polícia sem salário e efetivo" e "Polícia abandonada, cidadão abandonado", segundo informou o jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo Neira, a paralisação da categoria durante a Olimpíada não está descartada.

“A paciência acabou Agora a questão é de subsistência. Estamos em um colapso. Vamos, gradativamente, aumentando o movimento. Não queremos radicalizar, mas o governo está nos levando a isso. A base está muito insatisfeita e sem perspectiva. Uma paralisação total não pode ser descartada."

Mais tarde, a polícia civil divulgou nota em que diz que compreende as reivindicações e acrescentou que as consideram "justas e motivadas em razão das dificuldades da categoria".

“A Chefia de Polícia está avaliando com os diretores-gerais a adesão do movimento, já tendo combinado com estes que o delegado titular da respectiva unidade avaliará a complexidade de ocorrências apresentadas e tomará as providências para o registro e demais medidas legais necessárias ao encarceramento de criminosos presos em flagrante”, informou a nota.

Falta dinheiro até para a gasolina para carros da PM

Em entrevista ao jornal O Globo, o governador em exercício Francisco Dornelles disse que a frota da polícia pode parar porque não há dinheiro para a gasolina para os carros. "Só aguentaremos até o fim de semana", disse.

"A segurança é prioritária, temos que cobrir os problemas da área. A frota da polícia corre o risco de parar. Conseguimos fazer uma ginástica financeira e só aguentaremos até o fim da semana."

No Facebook, o Colpol-RJ lançou hoje a campanha #QUALÉAPRIORIDADE, que‬ questiona o que o governo do Rio tem como prioridade. "A prioridade para os policiais é a população. A prioridade para o governo é a Olimpíada", diz o cartaz.

O governo do Rio decretou estado de calamidade pública a 49 dias dos Jogos Olímpicos. No texto, Dornelles diz culpou a crise econômica que atinge o estado, a queda na arrecadação com o ICMS e os royalties do petróleo, a dificuldade do estado em honrar os compromissos para a realização dos Jogos e dificuldades na prestação de serviços essenciais, como nas áreas de segurança pública, saúde, educação e mobilidade.

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