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Real sobe 20% no semestre e Banco Central irá remotar intervenção

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ILAN GOLDFAJN
Fabio Rodrigues Pozzebom /Agência Brasil
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O real fechou o primeiro semestre do ano com ganho de de 19,59% frente ao dólar no mercado à vista, na casa dos R$ 3,18. Após 40 dias fora do mercado, o Banco Central informou que voltará a intervir no câmbio nesta sexta-feira (1º).

A instituição anunciou que fará um leilão de "swap" cambial reverso às 9h30, no valor de US$ 500 milhões (10.000 contratos).

O mecanismo tem como objetivo minimizar a alta do real frente à moeda americana. O swap equivale à compra de moeda no mercado futuro, a fim de aumentar a demanda pelo dólar e, consequentemente, conter sua queda.

Desde 18 de maio o BC não intervém no câmbio. Na época, a taxa estava em R$ 3,53.

A moeda brasileira liderou o ranking global de valorizações em 2016. Em junho, o real teve alta de 11,46%, também na liderança do ranking mundial. Foi o maior salto mensal desde abril de 2003, quando foi registrada uma elevação de 13,23%.

Nesta quinta-feira (30), a moeda americana à vista continuou a desvalorização global pelo terceiro pregão seguido e terminou cotada a R$ 3,1849, em baixa de 2,04%. Foi o menor valor desde 21 de julho de 2015, quando estava em R$ 3,1735.

O dólar comercial perdeu 0,74% nesta sessão, a R$ 3,2140, menor valor também desde 21 de julho do ano passado, quando foi registrado R$ 3,1740.

Banco Central

Na terça-feira (28), o novo presidente do BC, Ilan Goldfajn, reafirmou que o câmbio é flutuante e que autoridade monetária poderia utilizar todas as ferramentas cambiais disponíveis, como o swap cambial. Ele sinalizou ainda que não deverá haver corte da taxa básica de juros (Selic) no curto prazo para conter a inflação.

Entre os motivos apontados por analistas de mercado para a forte queda do dólar frente ao real nos três últimos pregões estão as expectativas de que os bancos centrais adotarão medidas para minimizar os efeitos negativos da saída do Reino Unido da União Europeia, chamada de "Brexit".

A forte valorização do real e da Bolsa no semestre foi iniciada pela recuperação dos preços das commodities, em especial do petróleo. A expectativa do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff também contribuiu para este cenário.

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