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A cada 24 horas, 29 crianças e adolescentes são assassinadas no Brasil

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Aos 11 anos, Waldik Gabriel morreu após ser baleado por guarda civil em São Paulo | Reprodução/Arquivo Pessoal
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Pense como se o Brasil tivesse a oportunidade de mudar o atual quadro de corrupção, crise econômica e falta de perspectivas de ser um país mais justo. A cada 24 horas, nós perdemos 29 oportunidades de fazer tudo diferente. Esse é o número de crianças e adolescentes, entre 1 e 19 anos, assassinados por dia. A grande maioria delas é negra.

No final de 365 dias, são 10,5 mil vidas perdidas. Os dados foram revelados pelo relatório Violência Letal contra as Crianças e Adolescentes do Brasil, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais e divulgado nesta quinta-feira (30).

De acordo com a pesquisa, nos últimos 33 anos - de 1980 a 2013 - o número de crianças e adolescentes mortos registrou um crescimento de 475%. Comparando a taxa de homicídios por 100 mil habitantes, passamos de 3,1 para 16,3 - um aumento de 426%. A Organização das Nações Unidas (ONU) considera epidemia taxas acima de 10,0.

O estudo comparou 85 países e o Brasil ocupa o terceiro lugar em homicídios de crianças e adolescentes, atrás apenas de México e El Salvador - países que enfrentam cartéis e gangues diariamente.

Nas últimas três décadas, o Brasil conseguiu evoluir no cuidado com a saúde das crianças. As mortes naturais tiveram uma redução de 78,5% no período, reflexo da ampliação do sistema de saúde pública, do saneamento e de programas de renda, como o Bolsa Família. Em 1980, a taxa era de 387 mortes por 100 mil habitantes, enquanto em 2013 passamos para uma taxa de 83,4.

Mas são os homicídios que fazem o Brasil estar no pódio das mortes de crianças e adolescentes no mundo. Na faixa etária de 16 a 17 anos, por exemplo, o País disparou no número de assassinatos. O aumento foi de 640%, passando de 506 casos em 1980, para 3.749 em 2013. Quase 50% do total de mortes acontecem nesse intervalo de idade. “Na contramão da realidade, inclusive a do Brasil, onde a história recente marca decisivos avanços na esperança de vida da população, ao observar a evolução da violência homicida na faixa de 16 e 17 anos de idade, as previsões são sombrias e preocupantes”, diz o relatório.

Juventude negra

As crianças e adolescentes negros são as principais vítimas desse tipo de violência no Brasil.

A chance de que sejam alvos de homicídios é 178% maior do que a de brancos, levando em conta o tamanho das respectivas populações.

Em 2013, no conjunto da população de até 17 anos de idade, a taxa de homicídios de brancos foi de 4,7 por 100.000, enquanto que a de negros, 13,1.

Proporcionalmente, morreram quase três vezes mais negros que brancos. Além disso, o relatório mostra que em 78% dos casos as armas de fogo estiveram presentes nas mortes.

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