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Quem não trabalha e nem procura emprego tem mais chances de ter depressão, diz pesquisa

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Grupo também fez mais uso de remédios para dormir, segundo IBGE | Mark Griffiths via Getty Images
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Os brasileiros que não estão trabalhando e não estão procurando emprego têm mais chances de ter depressão do que quem está trabalhando ou atualmente desempregado.

A observação foi feita pela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que analisou a relação entre o mercado de trabalho e doenças crônicas em 2013. Os resultados foram divulgados nesta quinta-feira (30).

Segundo a pesquisa, entre os brasileiros que estão fora da força de trabalho, ou seja, não estão trabalhando e nem estão em busca de emprego, o diagnóstico de depressão foi dado por um profissional de saúde mental para 10,2% das pessoas deste grupo. É um total de 5,2 milhões de pessoas.

Entre as pessoas ocupadas - trabalhando atualmente - esta proporção foi menor: A depressão atingiu 6,2% do grupo - o correspondente a 5,6 milhões de pessoas.

Entre quem está sem emprego, mas está buscando uma vaga, a depressão incidiu sobre 7,5% - um total de 374 mil pessoas.

No total, a depressão foi diagnosticada em 11,2 milhões de pessoas com 18 anos ou mais em 2013 - 7,6% dos brasileiros nesta faixa etária.

A região Sul apresentou a maior proporção de pessoas diagnosticadas com depressão: 12,6%, o correspondente a 2,7 milhões de pessoas. A região Norte teve a menor incidência, de 3,1% (336 mil pessoas).

O estudo revelou também que a depressão atinge mais as mulheres. Entre as mulheres com 18 anos ou mais, a incidência do diagnóstico foi de 10,9% para elas e de 3,9% para eles.

A prevalência da depressão também foi maior para pessoas que têm entre 40 e 59 anos e trabalham, com uma incidência de 8,2%.

Entre os trabalhadores com 60 anos ou mais e atualmente empregados, a incidência da depressão foi de 7,4%.

Dificuldade para dormir

Quem não está trabalhando e não procura emprego também está mais sujeito a tomar remédio para dormir.

Um total de 12,6% (6,5 milhões de pessoas) deste grupo disse precisar de medicamento para dormir.

Essa proporção foi de 5% (4,5 milhões de pessoas) entre quem está trabalhando e de 4,3% (214 mil) entre quem está desempregado(a).

Pesquisas recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS) sugerem que o tratamento ineficaz de depressão e ansiedade está gerando problemas econômicos importantes, com um custo de US$1 trilhão a cada ano, segundo estudo publicado na revista The Lancet Psychiatry.

O estudo estimou o que aconteceria se mais recursos fossem dedicados à melhoria dos tratamentos para depressão e ansiedade em 36 países de renda baixa, média e alta entre hoje e o ano 2030.

A melhoria dos tratamentos, principalmente terapia psicossocial e terapia medicamentosa antidepressiva, custaria um total de US$ 147 bilhões nesse período.

Precisamos falar sobre depressão

Depressão é assunto sério e demanda respeito ao tempo e à singularidade de cada pessoa. Utilizar a palavra sem a delicadeza e a seriedade que ela merece só contribui para banalizarmos o debate urgente que precisamos fazer sobre saúde mental. O estigma e o tabu continuam sempre que não abordamos essas questões com a profundidade que merecem.

O autodiagnóstico ou o diagnóstico superficial de uma depressão também são perigosos, principalmente diante de uma realidade de consultas rápidas e antidepressivos sendo prescritos com uma grande facilidade.

Estar triste não é sinônimo de estar deprimido, e a ajuda de um profissional especializado – como psicanalistas, psicólogos e psiquiatras – pode dar novos destinos para uma depressão que paralisa a vida.

As maneiras para se lidar com ela são variadas e devem estar alinhadas com o perfil de cada pessoa. Há quem prefira a análise, e há quem prefira a meditação, por exemplo. O importante é ter em vista que o cuidado com a saúde mental deve ser de longo prazo, e não uma solução rápida que resolva situações pontuais.

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