Huffpost Brazil

Caco Barcellos ataca hipocrisia do 'combate' às drogas: 'Álcool é o grande responsável pelas mortes'

Publicado: Atualizado:
Imprimir

caco barcellos

Em sua participação na Feira Literária de Paraty (FLIP), o jornalista Caco Barcellos defendeu a legalização das drogas e atacou o que classificou como hipocrisia a relação com o Estado e as pessoas estabelecem com álcool.

"Eu repetiria aqui um conceito que alguns intelectuais do Rio estão levando à frente que é: 'quem proíbe drogas está a favor do tráfico'. Concordo totalmente. Quem ganha com a ilegalidade, a não ser o traficante e o funcinário desonesto, que ao invés de combater acaba se beneficiando?", disse, conforme relato do G1.

Para o jornalista da Rede Globo e do programa Profissão Repórter, "é muito hipócrita fazer guerra às drogas tirando dela o álcool, o grande responsável pelas mortes no Brasil".

Caco citou ainda as vítimas do álcool, tema sempre pouco tocado quando o assunto é drogas: "Perdi uma quantidade imensa de amigos desde a infância por câncer no fígado. E só porque acham legal o álcool a gente não inclui? É uma hipocrisia gritante. Veja que os anúncios publicitários são proibidos para bebidas com gradação alcoólica acima de 4,5%, ou seja, a cerveja é protegida. Na França também, protegem os produtores de vinho."

Como já apontamos aqui HuffPost, uma pesquisa aponta que das seis drogas mais viciantes, quatro são legalizadas: álcool, nicotina, analgésicos e calmantes. Cocaína e heroína são as proibidas com maior capacidade de vício.

Uma guerra sangrenta

A chamada guerra às drogas, que entra em fase de análise em diversos países - incluindo o Estados Unidos -, aqui ainda é glorificada como se nada pudesse ser diferente. No caminho, ficam as vítimas dos confrontos entre Estado e traficantes:

Cita o jornal O Globo outra fala de Barcellos na Flip:
"No Iraque, 120 mil pessoas foram mortas de 2003 a 2011, no que foi chamado pela imprensa internacional de a pior guerra no mundo naquele período. No mesmo intervalo de tempo, de oito anos, 400 mil pessoas foram mortas no Brasil. Mas nós não nos impressionamos mais. Isso não choca porque quem tem voz ativa na sociedade não sofre com essa guerra, ela atinge apenas as pessoas mais pobres do país", disse Barcellos.

E lembra o debate em torno da publicação do livro Abusado - O Dono do Morro da Dona Marta, sobre o traficante Marcinho VP:
"Fui criticado por ter escrito sobre o Marcinho VP, afirmaram que eu estava dando voz a um bandido. Mas ninguém reclama quando entrevistam pessoas das elites brancas presas por corrupção. Só não se pode ouvir criminoso de baixa renda", disse.

LEIA TAMBÉM:

- STF: Tráfico sem antecedentes NÃO É mais crime hediondo

- Menos pedras e mais trabalho: 65% reduziram uso de crack após Braços Abertos

- Se legalizada, maconha pode movimentar R$ 5,7 bilhões por ano no Brasil

- Em pleno 2016, ministro de Temer AINDA acredita na guerra às drogas

Também no HuffPost Brasil

Close
As 6 drogas mais viciantes do mundo e o que elas fazem com você
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção