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Você precisa conhecer esta arte erótica, vintage e satânica do século 19 (NSFW)

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Esta série de fotos contém imagens explícitas e pode não ser adequada para ambientes de trabalho.

erotismo_diabo

A cultura pop tem a tendência de se fixar coletivamente em um único fenômeno sobrenatural por um período, obcecada por vampiros, zumbis ou feiticeiros até que perdem relevância e abrem caminho para uma nova mania paranormal. Hoje em dia, são as bruxas.

Especificamente, praticantes fictícios de bruxaria que frequentemente celebram e empoderam o feminino. A atual mania das bruxas ganha intenso destaque nas mídias sociais, bem como em filmes, arte e moda contemporâneas.

Rebobinando alguns séculos, no entanto, demônios diabólicos estavam na moda — pequenos demônios que eram tão excitantes quanto repulsivos. “Endiabrados, hipersexuais, grotescos, brincalhões; um tipo de antítese do que um cidadão respeitável da época deveria ser”, explicou Robert Stewart ao Huffington Post.

endiabrados_hipersexuais

Stewart é o autoproclamado webmaster do Delta of Venus, um compêndio on-line de erotismo vintage, incluindo desde filmes de cinema mudo pornográficos até desenhos do século 16 retratando atos sexuais.

Uma seção específica do site é dedicada ao que ele chama de “diabólicas, bizarras e explícitas representações de senhoras tendo relações com várias formas demoníacas.

Em uma imagem, um diabo baixinho e gordinho balança um falo de seu pescoço como um babador carnudo. Em outra, um desfile de contadores de piadas demoníacos emerge festivamente de uma grande vagina.

O webmaster descobriu as imagens anos atrás, quando comprou um álbum de fotos antigas que continham algumas ilustrações diabólicas no meio delas.

“Além do estilo visual único, adorei como essas peças eram lúdicas, alegremente obscenas”, Steward lembra. “Elas capturam a malícia da luxúria de uma forma que ainda ressoa hoje. Um lembrete para não levar o sexo a sério o tempo todo.”

Um aspecto marcante das ilustrações sobre o diabo, destaca Stewart, é que as senhoras respeitáveis e afetadas retratadas nas imagens parecem ser participantes que consentem nos atos sexuais que estão ocorrendo e, frequentemente, experimentam prazer.

“Para mim, parece ser um comentário sobre como as expectativas de castidade e decoro no século 19 — e, por consequência, a sociedade dominada por homens que as criou— eram extremamente tristes e especialmente repressivas para o gênero feminino. As mulheres estão se voltando para as entidades sobrenaturais por prazer e diversão.”

prazer e diversão

As ilustrações de Stewart são reproduções de segunda e terceira mão de artistas anônimos, embora, segundo ele, seja possível encontrar algumas litografias originais à venda on-line.

Segundo o curador, o primeiro artista original a “mexer” com o diabo foi um francês, Eugene le Poittevin (se você já ouviu esse nome e não é uma aficionado por diabruras, pode estar familiarizado com as paisagens e obras com temas marítimos de Poittevin — muito mais apropriadas para o ambiente de trabalho).

temas maritimos

Em 1832, le Poittevin publicou uma coleção de histórias eróticas com temática diabólica intitulada Les Diableries Érotiques, cheias de conteúdo lúdico e obsceno que causaram um frenesi na Paris do século19. Depois de seu controverso sucesso, logo ele criou mais livros retratando a temática de sexo com o diabo.

“Na verdade, não há nenhuma ‘Maldade’ com ‘M’ maiúsculo em ação”, explicou Stewart. Pelo contrário, esse diabo tem mais a ver com a imagem mitológica grega do sátiro exalando uma exuberância lasciva.

“Parece que estamos vendo arquétipos clássicos filtrados através de uma lente judaico-cristã. Dionísio, Baco, Príapo, todos por intermédio de Satanás e seus asseclas.”

As ideias de sexualidade feminina e amantes caprichosas de Le Poittevin têm raízes nas tradições libertinas, como as expressadas no trabalho de Marquês de Sade e na corte hedonista de Charles II.

Mas sua arte vinculou o desejo insatisfeito ao próprio diabo pela primeira vez. Outros artistas seguiram o exemplo, como Achille Devéria. “Poderíamos apelidá-lo de imitador, mas as imagens são tecnicamente competentes e divertidas por seu próprio mérito”, disse Stewart.

Com o passar do tempo, como a maioria das fases culturais, o fogo demoníaco se apagou. Stewart cita o advento do daguerreótipo, em 1839, o primeiro processo fotográfico que mudou radicalmente a maneira pela qual as imagens eram feitas e vistas. Em 1860, diz, a demanda por daguerreótipos tinha efetivamente ofuscado o interesse por ilustrações. Em pouco tempo, as fotos seriam o principal modo de exibição de recursos visuais explícitos.

Felizmente, o erotismo infernal das “diabruras” ainda está vivo, graças a indivíduos como Stewart, que estão dispostos a compartilhar suas esquisitices ilustradas on-line.

Para aqueles em busca de um pouco de indulgência retrô, confira nossa cobertura anterior sobre o Delta of Venus aqui. Para saber um pouco mais sobre o momento estranho e satânico na história erótica, acompanhe as ilustrações abaixo:

  • Achille Deveria via Delta of Venus
  • Achille Deveria via Delta of Venus
  • Achille Deveria via Delta of Venus
  • Achille Deveria via Delta of Venus
  • Achille Deveria via Delta of Venus
  • Achille Deveria via Delta of Venus
  • Achille Deveria via Delta of Venus
  • Achille Deveria via Delta of Venus
  • Achille Deveria via Delta of Venus


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