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PSDB tenta acordo para presidir a Câmara e livrar Cunha de cassação

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CUNHA E AECIOP
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Em disputa com o Centrão (PP, PSD, PR e PTB) pelo comando da Câmara dos Deputados, integrantes da cúpula do PSDB passaram a defender maior aproximação de seus deputados com a bancada do PMDB.

A ideia é construir um acordo para a sucessão do presidente e deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que valha tanto para um possível mandato tampão como também para o biênio 2017-2018.

Os dois partidos contam com uma bancada de 107 deputados, mas com potencial de chegar a mais de 140 com a participação do DEM e PPS. Na última quinta-feira, 30, integrantes dos três partidos vieram a público "rechaçar" a realização de um acordo para indicar um deputado ligado a Cunha, para um eventual mandato tampão.

Com um aliado no comando da Casa, Cunha acredita que poderá se livrar da cassação. "É uma aberração. Não acho que esse tipo de acordo consiga juntar nem 50 deputados porque há uma maioria esmagadora pela cassação dele. É o tipo de negociação que não acredito que tenha respaldo dentro do próprio Centrão", afirmou o primeiro vice-líder do PSDB, deputado Daniel Coelho (PE).

"Não vi nenhuma liderança do DEM, do PSDB, do PPS defender algo nesse sentido. Não há essa hipótese", ressaltou o vice-presidente do DEM, deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA).

Apesar dos deputados negarem o possível acordo, o PSDB decidiu não trabalhar para que seus deputados votem pela cassação de Cunha. De acordo com o blog Painel da Folha de S. Paulo, apesar do desgaste que a estratégia possa implicar, o discurso é que o presidente afastado "prestou um serviço relevante para o país ao dar celeridade ao impeachment de Dilma Rousseff."

O presidente interino Michel Temer também tenta um acordo com a antiga oposição para viabilizar uma sucessão na Câmara com um nome de interesse de Cunha. Na semana passada, pressionado pelo peemedebista, Temer procurou o presidente do PSDB, Aécio Neves, para pedir apoio a um deputado do centrão que assuma a presidência da Câmara, de acordo com o jornal O Globo.

A conversa teria ocorrido no Palácio do Jaburu, onde Temer explicou a Aécio que desejava eleger um presidente da Câmara que não trabalhasse pela cassação do mandato de Cunha.

Racha

Um possível racha dentro do Centrão na disputa pelo comando da Casa também tem sido acompanhado de perto pela cúpula do PSDB. Uma reunião para afinar a estratégia dos partidos da antiga oposição deve ocorrer na próxima semana, com o objetivo de manter o grupo unido na disputa pelo comando da Casa.

A ideia é também ratificar o distanciamento de Eduardo Cunha, que também passou a ser visto como um problema pela cúpula do Palácio do Planalto.

O aprofundamento do mal-estar com a permanência do deputado no cargo foi externado ontem pelo líder do governo, deputado André Moura (PSC-CE). Ele defendeu que, seja pela via da cassação do mandato ou pela renúncia, a instabilidade política na Casa não pode mais perdurar.

"Tenho certeza que passou da hora de encontrar a solução para o problema. Isso está prejudicando o País. Não temos mais alternativa", afirmou Moura. As declarações do líder ocorreram apenas quatro dias depois de Cunha se encontrar com Temer, no Palácio do Jaburu.

No rastro do líder do governo, o membro da Mesa Diretora da Câmara, deputado Beto Mansur (PRB-SP), também reforçou ontem o discurso de que a permanência de Cunha pode ter reflexos na governabilidade. Primeiro-secretário da Casa, Mansur defendeu que o impasse provocado pela situação do peemedebista não pode continuar atrapalhando o andamento dos trabalhos legislativos, uma vez que a Casa não está funcionando sob o comando do presidente interino Waldir Maranhão (PP-MA). "É importantíssimo que a gente dê um basta nisso", pregou.

Reviravoltas

Pelas redes sociais, Cunha voltou a dizer que não pretende renunciar. Integrantes da Comissão de Constituição e Justiça devem votar o recurso contra o processo de cassação aprovado no Conselho de Ética no dia 12.

Como a expectativa é de que a cassação chegue ao plenário só na véspera do recesso parlamentar, os deputados só devem julgar o futuro do peemedebista em agosto.

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