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'Origem da doutrinação marxista': Perfil de Paulo Freire é alterado por orgão do governo federal

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Na última terça-feira (28), o Brasil WikiEdits, perfil que monitora as alterações dos verbetes na Wikipedia, publicou que o texto sobre Paulo Freire havia sido modificado.

Até ai tudo bem, já que a plataforma é construída de forma colaborativa. O que surpreendeu foi o fato da alteração ter sido feita por um órgão do governo, que caracterizou Freire como "a origem da doutrinação marxista nas escolas".

“Aí está uma das origens da nossa já conhecida doutrinação marxista nas escolas e universidades, que em vez de formar cidadãos e profissionais para o crescimento do país, forma soldados dispostos a defender com unhas e dentes o marxismo no meio acadêmico.”

As mudanças partiram de uma rede do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). No verbete editado, ainda consta que Freire participou da última grande reforma da legislação educacional que resultou em um ensino "atrasado, doutrinário e fraco".

Em nota à Agência Brasil, o Serpro, empresa de tecnologia da informação do governo federal, disse que a alteração não partiu de suas instalações, mas de um órgão público federal que não pode ter o nome divulgado por questões contratuais.

"A alteração realizada não partiu das instalações do Serpro, mas, sim, de um órgão público, cujo acesso à internet é administrado pela empresa. Entretanto, o Serpro não está autorizado, por questões contratuais, a divulgar informações de acesso de seus clientes à rede."

De acordo com o histórico de edições, os parágrafos inseridos no artigo foram retirados de um texto publicado no site do Instituto Liberal com o título “Paulo Freire e o Assassinato do Conhecimento”. O texto é assinado Jefferson Viana, que integrou a rede Estudantes Pela Liberdade e do Movimento Universidade Livre.

As críticas aos ideais do educador são comuns nos debates do movimento Escola sem Partido que questiona as diretrizes curriculares e o debate político dentro das instituições de ensino, acusadas de "ideologizar" os alunos.

Em entrevista a EBC, o diretor pedagógico do Instituto Paulo Freire (IPF), Paulo Roberto Padilha, classificou esse tipo de ação como uma tentativa de doutrinar leitores que não conhecem a história do educador.

“O que está publicado é um absurdo, uma aberração política e pedagógica, não corresponde à verdade. O que ele [Paulo Freire] queria é uma educação que libertasse a pessoa, para que se tornasse uma pessoa crítica, capaz de questionar qualquer doutrinação. A gente vê inventada nesse tipo de ação a mesma lógica do golpe militar, querendo desfigurar e descaracterizar a palavra do Paulo Freire. Estaremos no Chile discutindo uma educação libertadora que não se restringe a um ou outro teórico, mas dialoga com os diferentes, contra o retrocesso."

A versão editada do texto permaneceu disponível por 9 minutos. Agora, o verbete passa a ser protegido e somente usuários autorizados podem editá-lo.

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