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O Brexit brasileiro: Movimentos em São Paulo, Pernambuco e no Sul querem independência

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BRASIL RACHADO
Onda de separatismo avança no Brasil | Reprodução / Facebook
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No dia 2 de outubro, o estado de São Paulo terá um plebiscito extra-oficial para que os paulistas opinem sobre o estado se tornar independente do Brasil. No mesmo dia, a região Sul organiza consulta similar.

Os eventos são organizados, respectivamente, pelo Movimento São Paulo Livre e O Sul é Meu País. As consultas não têm efeito legal e são financiadas pelas próprias entidades.

Em 6 de março de 2017, será a vez de Pernambuco fazer uma marcha separatista. A data foi escolhida devido aos 200 anos da Revolução Pernambucana, de 1817, episódio que inspira o Grupo de Estudos e Avaliação de Pernambuco Independente.

Em comum, os três movimentos separatistas – em meio a outras dezenas no Brasil – rejeitam os rótulos de esquerda ou direita, se dizem independentes de partidos políticos e, de modo geral, defendem uma sociedade em que a atuação do Estado seja reduzida. As entidades também pregam o pacifismo e negam viés discriminatório.

Brexit brasileiro

Apesar de existirem há séculos, as correntes emancipatórias se animaram desde 24 de junho, com o Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) após consulta popular.

"A saída do Reino Unido da união Europeia acendeu a esperança do separatismo em toda parte do mundo, principalmente por ser a saída de um Estado muito importante", afirmou ao HuffPost Brasil o separatista pernambucano Jonas Correia Filho, de 30 anos, professor de karatê e escritor.

Inspirado na Revolução Pernambucana, o Grupo de Estudos e Avaliação de Pernambuco Independente defende o aumento a eficiência e combate à corrupção na administração pública, diminuição dos impostos e reforma do sistema tributário, além de melhorias em políticas sociais principalmente na saúde e educação.

Divergências culturais e econômicas motivam o movimento emancipacionista, que defende a criação da República de Pernambuco, com moeda própria. “Não há nada no Brasil que nos segure dentro dele. Nem o idioma nos une, pois há tantos dialetos que quando vamos a outro estado brasileiro, não nos sentimos em casa", afirma Correia Filho.

A página do movimento no Facebook tem mais de 1.700 curtidas, mas a avaliação de Jonas é que entre 20 e 30 pessoas atuam efetivamente pela causa, que defende uma relação mais próxima entre governantes e a população. “Precisamos de um país pequeno e com governantes próximos da gente”, defende Correia Filho. Hoje Pernambuco tem pouco mais de 9 milhões de habitantes.

Do Paraná ao Rio Grande do Sul

Com cerca de 35 mil militantes, o movimento O Sul é Meu País foi criado em 9 de abril de 1992, em contraposição a outros movimentos separatistas. A entidade é adepta da separação pacífica e via consulta popular e estima em R$ 150 mil o custo do plebiscito de outubro. Os três estados da região Sul somam cerca de 29 milhões habitantes.

“Somos adeptos do Estado mínimo. Não do Estado que dá tudo para todo mundo e não se preocupa com o que deve, que é gerar emprego para que as pessoas tenham dinheiro”, afirma o jornalista Celso Deucher, 49 anos, representante do movimento.

Ele cita como motivos para a independência críticas ao sistema proporcional de vagas no Congresso Nacional e a distribuição de tributos no País. “O nosso esforço produtivo está sendo minado”, afirma.

Na avaliação de Deucher, o sistema tributário atual faz a riqueza do Sul ser redistribuída para outras regiões, mas ficando concentrada nas mãos de quem já tem poder, em vez de resultar em melhorias para a população. O movimento defende a criação de um novo país unindo Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.

Ouro paulista

Estado mais populoso do País, com mais de 44 milhões de pessoas, São Paulo também abriga os que lutam por um estado independente. Para o Movimento São Paulo Livre, o nome seria República de São Paulo e a moeda, ouro paulista.

Criada em 29 de outubro de 2014, a entidade conta com 10 mil pessoas ativas e está presente em cerca de 70 municípios, segundo o microempresário Flávio Rebello, de 43 anos, representante da entidade. A estimativa é que o plebiscito de outubro custe até R$ 25 mil.

“Com um PIB e população maiores que o da Argentina, e com um cenário cultural rico e diversificado, São Paulo tem tudo para se tornar um país de primeiro mundo, mais moderno e justo para todos que nele vivem”, diz o site do movimento.

Assim como no Sul, o argumento da insatisfação com a distribuição tributária também está presente. De acordo com a entidade, se o montante arrecadado com impostos no estado não fosse transferido para a União, “a verba para educação, saúde, segurança, moradia e transporte público [no estado] praticamente triplicaria”.

Rebello explica:

“Na população de São Paulo a gente até brinca que todo paulista sempre pensou como seria se São Paulo fosse um país. Em um determinado momento chegamos à conclusão de que a situação política no Brasil está tão pobre, a máquina está tão corroída, que não adianta mais reformar isso ou aquilo. O ideal é começar do zero.”

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