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A homofobia mata: Tudo que sabemos sobre o assassinato do estudante da UFRJ

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diego homofobia

O delegado Fábio Cardoso, que atua na Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro e é responsável por investigar a morte do estudante Diego Vieira Machado, afirmou neste domingo (3), que o crime pode ter motivação homofóbica.

"Diego era homossexual e vinha recebendo ameaças homofóbicas e racistas nos últimos dias. Então há uma linha forte de investigação que aponta que a motivação desse crime tenha sido homofobia", afirmou.

Diego, que estudava Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e morava no alojamento da instituição, tinha marcas de espancamento.

O corpo do estudante foi encontrado no fim da tarde de sábado (2). Como o corpo estava nu da cintura para baixo, a polícia investiga também se ele foi alvo de violência sexual.

"As equipes da DH que estiveram no local, verificaram que ele era homossexual e vinha recebendo ameaças homofóbicas e racistas. O corpo foi encontrado sem calça, apenas com camisa. Ele teria sido abordado no campus e agredido na cabeça. Está sendo feita a necropsia. É um crime covarde e cruel, que precisa de uma resposta rápida.", explicou Cardoso.

Ontem, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) se manifestou pelo Facebook.

"A mensagem dizia claramente "sabemos quem são vocês" e "queremos vocês fora daqui". Havia também uma ameaça velada a um estudante, que se suspeita fortemente que seja Diego", escreveu o deputado.

A mensagem completa de Wyllys segue aqui:

Amigos de Diego reforçam a tese:

"Ele era teimoso, muito briguento. Mas só reagia aos ataques raciais e homofóbicos que sofria. Eu testemunhei algumas brigas. Ele era uma pessoa boa", contou ao G1 a estudante de Comunicação Pérola Gonçalves, de 22 anos, amiga de Machado.

"Acordei hoje com meu filho chorando por conta dessa notícia horrível: um aluno da UFRJ, morador do alojamento, foi brutalmente assassinado dentro do campus por causa da sua orientação sexual. Ele foi morto à pauladas, ontem, dentro da Cidade Universitária, onde trabalhamos, estudamos e várias pessoas moram. Estou triste e com muito medo. Meu filho é gay, seus amigos são gays e circulam como deve ser, pelo campus do Fundão, todos os dias", escreveu a professora de Letras Georgina Martins, também segundo G1.

O site Tem Local?, plataforma de mapeamento de crimes homofóbicos, se manifestou neste domingo, 3, a respeito da morte do estudante.

"Diego, negro, gay, nortista, morador do alojamento, assassinado com requintes de crueldade na maior universidade do país, a UFRJ, no campus da Escola de Belas Artes, deu adeus a todos os seus sonhos de maneira precoce, compulsória, violenta e desumana", diz o texto.

A reitoria da UFRJ, que lamentou a morte do jovem em nota oficial. "A reitoria se junta aos amigos e familiares do estudante neste momento de dor e informa que acompanhará de perto as investigações sobre o caso junto às autoridades policiais", diz o texto.

ATUALIZAÇÃO:
O jornal Extra obteve novas informações sobre ameaças contra os homossexuais da universidade. Segue um trecho da reportagem publicada nesta segunda:

Um dos e-mails tem um tom agressivo e faz uma ameaça direta: "Vamos começar por um certo aluno que se diz minoria e oprimido por ser homossexual, que gosta de fumar maconha e outras coisitas mais (cocaína, chá de amanita) às vezes com o dinheiro da bolsa ou da família opressora. (...) Que gosta de mandar e receber nudes de seus amiguinhos pederastas".

Em outro email, as ameaças continuam: "Nenhuma vez o socialismo deu certo e não é com vocês que isso vai dar, aguardem os próximos capítulos. (...) Como descobrimos vocês? Conhecemos vocês, estamos nos CAs (Centros Acadêmicos), DCEs (Diretórios Centrais Estudantis) e instituições de ensino e pesquisa. (...) Estamos infiltrados!". O texto é assinado pela "Juventude Revolucionária Liberal Brasileira e informa ainda: "Nós somos muitos, somos a maioria, somos unidos e somos anônimos!".

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