Huffpost Brazil

Este jovem conseguiu trocar a exploração na lavoura de cana por um diploma em medicina

Publicado: Atualizado:
FORMATURA
Alexandre Gondim/JC Imagem
Imprimir

Jonas Lopes trabalhou em lavouras de cana até os 15 anos.

Hoje, aos 30, ele é o primeiro de sua família a se formar em um curso superior: concluiu a graduação em Medicina e pretende se especializar em cardiologia.

A colação de grau foi no fim de junho, na Universidade de Pernambuco (UPE). Ele foi reconhecido por seus colegas devido a sua difícil trajetória. Filho de pedreiro e dona de casa, Jonas Lopes tem mais 7 irmãos. Ele viveu grande parte de sua vida no interior do estado, sempre trabalhou na zona rural e estudou em escolas públicas.

Os outros 74 profissionais que se formaram com ele não economizaram nos aplausos quando Jonas recebeu seu diploma. Ele não conteve a emoção e caiu em lágrimas.

No discurso da oradora da turma, segundo informações do Jornal do Commercio, a colega relembrou os desafios de seu passado:

"Não existem vidas comuns. Apesar de termos tantos milagres hoje para contar, a turma 95 escolheu um desses milagres para receber o grau de médico em nome de todos nós. Antes de ser estudante de medicina, ele lutou contra a exploração da mão de obra infantil nas usinas."

Em entrevista ao G1, o agora médico afirma que o sonho veio da infância, quando passou a se interessar por ciências.

Devido às dificuldades enfrentadas pela família, pensou em ser professor da matéria, pois, segundo ele, seria mais fácil."Mas eu ficava admirando o trabalho de médico. Sempre tive a medicina no coração".

Houve um período, porém, em que ele abandonou os estudos.

"Eu recomecei em 2000. Na verdade, eu caí na real. Ver minha mãe trabalhando no engenho, sofrendo… Ela tinha que comprar os meus cadernos e dos meus irmãos ou comida para dentro de casa. Quando eu vi esse sofrimento dela, decidi que jamais iria parar de estudar. O céu não é nem o meu limite. Eu amo estudar."

E ele realmente não desistiu. Após três anos de tentativa, em 2007 prestou o vestibular da UPE e foi aceito nas vagas de cotas para estudantes de escolas públicas. "Esse sistema de cotas foi minha esperança", relembra.

Após a aprovação, ele conseguiu assistência de moradia e alimentação da universidade e morou durante seis anos na Casa do Estudante de Pernambuco. "Fui monitor de inglês na casa, ganhei bolsa de iniciação científica e extensão universitária", conta.

O recém-formado, orgulhoso, passa a vislumbrar o futuro.

"O que me move é o conhecimento e ajudar as pessoas. Agora eu só quero ajudar meus pais, dar orgulho a eles e aos meus irmãos e continuar exercendo meu amor pela medicina, distribuir esse amor para os meus pacientes. Também quero estudar, estudar e nunca parar."

LEIA MAIS:

- Ex-morador de rua, Denis fez uma vaquinha para estudar Medicina no Canadá - e se surpreendeu

- Ele ofereceu ajuda para carregar algumas compras e foi surpreendido pela solidariedade!

- Ele trocou a prisão pela universidade e tirou 10 no trabalho de conclusão de curso

Também no HuffPost Brasil

Close
26 músicas de formatura clichês
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção