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Flip 2016: Mulheres dominam em lista dos cinco livros mais vendidos

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SVETLANA ALEKSIEVITCH
A bielorrussa Svetlana Aleksiévitch, Nobel de literatura de 2015 | GUILLERMO LEGARIA via Getty Images
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A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) deste ano se destacou principalmente pela forte presença das mulheres.

Em 14ª edição, o evento, que terminou no último domingo (3) em seu quinto dia de duração, divulgou a lista dos dez livros mais vendidos: e as mulheres ocupam quatro lugares entre os cinco primeiros.

A bielorrussa Svetlana Aleksiévitch aparece em primeiro e terceiro, com A Guerra Não Tem Rosto de Mulher e Vozes de Tchernóbil, respectivamente. Ana Cristina Cesar, a homenageada do ano, aparece em segundo com A Teus Pés, o único livro que ela lançou em vida por meio de uma editora.

Tati Bernardi e Valeria Luisieli ficaram de fora do top cinco, mas também aparecem na relação, com Depois a Louca Sou Eu e A História dos Meus Dentes, respectivamente. Veja a lista completa abaixo.

  1. A Guerra Não Tem Rosto de Mulher, de Svetlana Aleksiévitch (Companhia das Letras);
  2. A Teus Pés, de Ana Cristina Cesar (Companhia das Letras);
  3. Vozes de Tchernóbil, de Svetlana Aleksiévitch (Companhia das Letras);
  4. Autoimperialismo: Três Ensaios sobre o Brasil, de Benjamin Moser (Crítica);
  5. Clarice Lispector: Todos os Contos, de Benjamin Moser (organizador) (Rocco);
  6. A Morte do Pai, de Karl Ove Knausgård (Companhia das Letras);
  7. Descobri que Estava Morto, de J.P. Cuenca (Tusquets);
  8. Depois a Louca Sou Eu, de Tati Bernardi (Companhia das Letras);
  9. A História dos Meus Dentes, de Valeria Luisieli (Alfaguara);
  10. O Homem com Asas, de Arthur Japin (Tusquets).

Minorias na Flip

Após ser criticada pela baixa representatividade feminina, a festa caprichou neste ano: dos 39 autores convidados, 17 são mulheres – ou seja, 44% do total.

Trata-se de um aumento considerável em comparação aos anos anteriores. Em 2015, apenas 11 mulheres marcaram presença; já os homens, eram 35. Na edição de 2014, nove mulheres foram convidadas, e em contrapartida, 38 homens.

Por outro lado, a ausência de negros entre convidados gerou controvérsia.

Em entrevista ao G1, o curador da Flip, Paulo Werneck, disse que se tratou de uma "falha da programação".

"Nós reconhecemos e nos engajamos em resolver", prometeu. "Assim como resolvemos a questão das mulheres, na medida da nossa possibilidade. Mas não podemos resolver sozinhos."

Werneck explicou também que Elza Soares, Mano Brown e Paulinho da Viola foram convidados, mas recusaram.

"A programação é resultado dos convites que são aceitos."

A escritora negra Conceição Evaristo criticou o evento em entrevista à EBC.

"Esse é um dos momentos que poderiam estar contribuindo [para a representatividade negra]", afirmou.

"Na medida em que as outras formas não são consideradas, não são lidas, não são divulgadas e não são incorporadas ao sistema literário brasileiro, fica uma lacuna, porque a literatura tem essa possibilidade de ler a nação. Estamos lendo uma nação incompleta."

LEIA MAIS:

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