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Após pressão de indigenistas, militar defensor do golpe de 64 é descartado para Funai

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militar índio

Depois de usar como bandeira da época da ditadura militar, o governo interino de Michel Temer planejava nomear o general da reserva do Exército Sebastião Roberto Peternelli Júnior, para presidir a Fundação Nacional do Índio (Funai). A informação foi revelada pelo repórter Rubens Valente, da Folha de São Paulo.

Após a divulgação da informação, manifestações contrárias à indicação do militar pipocaram. Um manifesto oficial assinado por mais de 4.000 índios, antropólogos, professores universitários e ONGs que contestava a nomeação do militar, segundo o El País.

De acordo com a reportagem da Folha desta quarta, a indicação foi feita pelo Partido Social Cristão (PSC), partido dos deputado Jair Bolsonaro (RJ) e Marco Feliciano (SP). O militar aguarda confirmação do Planalto para assumir o cargo. Ele teria sido o único nome indicado para a Funai.

Em 31 de março, data do golpe militar, Peternelli postou uma imagem no Facebook em que homenageia os "52 anos que o Brasil foi livre do maldito comunismo. Viva nossos bravos militares! O Brasil nunca vai ser comunista".

Peternelli chegou a publicar uma nota de esclarecimento em que diz defender o Estado Democrático de Direito. "As instituições funcionam e há meios legais para impugnação de ilegalidades e inconstitucionalidades."

Nascido em Ribeirão Preto, o militar foi candidato pelo PSC a deputado federal por São Paulo em 2014, quando recebeu 10.953 votos e não se elegeu.

Em 2014, fez campanha aberta nas redes sociais pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) para o Planalto. Ele estimulou o tucano a falar sobre "infiltração cubana" no programa Mais Médicos e denúncias de corrupção no governo de Dilma Rousseff.

Segundo a Folha, Peternelli já foi aprovado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que costuma fazer averiguação prévia dos indicados a cargos públicos.

O militar serviu nas cidades de Campinas, Resende, Rio de Janeiro, São João Del Rei, Brasília, Taubaté, São Paulo, Pelotas, além de Assunção (Paraguai) e Porto Príncipe (Haiti), segundo perfil no Facebook. Ele foi ainda Secretário Executivo do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, na época do governo Dilma.

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) informou que repudia a indicação do militar. "Sua nomeação significaria um inequívoco retrocesso na relação do Estado brasileiro com os povos indígenas, retornando à perspectiva do militarismo integracionista vigente durante o período da ditadura militar", disse o secretário executivo do Cimi, Cléber Buzattto.

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