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O que está por trás da renúncia e das lágrimas de Eduardo Cunha

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EDUARDO CUNHA
UESLEI MARCELINO/Reuters
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Até por trás das lágrimas do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ao renunciar a presidência da Câmara dos Deputados há uma manobra. Nitidamente abatido, Cunha não deixou a cadeira de presidente para salvar a Casa, como disse, mas para salvar a si próprio.

O HuffPost Brasil elencou os cinco principais motivos pelos quais Cunha decidiu que era hora de deixar oficialmente o comando da Casa, o qual não exercia formalmente desde que foi afastado pelo Supremo Tribunal Federal, no último dia 5 de maio.

Foro privilegiado

Em um cenário no qual a cassação parece inevitável, a renúncia, se bem articulada, pode dar uma sobrevida ao deputado carioca. A expectativa de Cunha é que, longe dos holofotes, ele consiga trabalhar para manter pelo menos o cargo de deputados e, consequentemente, o foro privilegiado. Isto evita que os processos contra ele saiam da Suprema Corte e sejam encaminhados à Justiça do Paraná, para as mãos do juiz Sérgio Moro.

Derrota na CCJ

O fracasso na tentativa de reverter o parecer que pede a cassação fez com que advogados do parlamentar o alertassem sobre o ambiente desfavorável na Casa. A derrota pesou na decisão do parlamentar.

Alta chance de ser saído

Outra má notícia ajudou Cunha a deixar a cadeira de presidente, o que ele dizia que nunca faria. Pressionado por colegas insatisfeitos com os rumos da Câmara, o presidente da Casa em exercício, Waldir Maranhão (PP-MA), prometia votar a vacância do cargo de presidente e convocar novas eleições.

Mais privacidade no julgamento do Supremo

Com a renúncia, Cunha ganha um pouco de privacidade no Supremo. Como ele deixa de ser presidente de poder, o processo contra ele deixar de ser julgado pelo pleno da Corte e passa para a segunda turma, presidida pelo ministro Gilmar Mendes e que não tem as sessões transmitidas pela TV Justiça.

Possibilidade de emplacar novo presidente

Ao renunciar, Cunha continua com seus tentáculos em ação. Ao lado do presidente Michel Temer, ele se movimenta para emplacar um aliado para sua sucessão. O nome mais forte é o do deputado Rogério Rosso (PSD-DF).

Réu no STF e enrolado na Câmara

Réu em duas ações no Supremo Tribunal Federal no âmbito da Operação Lava Jato, Cunha é alvo de um processo já aprovado pelo Conselho de Ética que pede a sua cassação. Ele responde por quebra de decoro parlamentar por ter supostamente mentido na CPI da Petrobras.

Na ocasião, o parlamentar disse que não tinha contas no exterior. Documentos do Ministério Público da Suíça, porém, informam que ele é beneficiário de pelo menos cinco contas. O peemedebista nega. Diz que é apenas beneficiário de trustes.

Na Suprema Corte, ele é acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e falsidade ideológica para fins eleitorais

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