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Sim, a Câmara já combinou um jogo para salvar Cunha e está rindo de você

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EDUARDO CUNHA
Ueslei Marcelino / Reuters
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Líderes aliados do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) decidiram convocar novas eleições para presidência da Câmara para a próxima terça-feira (12). O pleito coincide com o horário previsto para a reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que deveria analisar o recurso que anula a votação no Conselho de Ética que aprovou o pedido de cassação do parlamentar.

A decisão foi considerada por deputados que se opõem ao peemedebista mais uma manobra que liga a renúncia de Cunha da presidência da Casa a uma estratégia para evitar que o peemedebista perca o mandato - e consequentemente o foro privilegiado.

“É evidente que há todo um jogo combinado para salvar Eduardo Cunha. Não vamos participar dessa vergonha, desse atentado que quer salvar alguém que não deveria nem entrar na Casa”, desabafou o líder da Rede, Alessandro Molon (RJ), ao abandonar a reunião de líderes.

Líderes de diversos partidos, sendo a maioria do centrão que apoia Cunha, tentaram um consenso sobre a data das eleições. O presidente em exercício da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA) decidiu marcar para quinta-feira, respeitando o prazo regimental de cinco sessões.

Ao negar que a eleição beneficiaria Cunha, braço direito do peemedebista, Carlos Marun (PMDB-MS), disse que manobra é querer fazer as eleições na véspera do recesso parlamentar.

Não vejo beneficio em horas a mais e horas a menos. Se a CCJ tiver que começar às 16h, que comece. A cassação se resolve no voto. Tem gente que fala em manobra, mas na verdade queria manobrar levando eleição para quinta-feira no fim da tarde quando todos sabem que uma eleição dessa importância na véspera do recesso tem tudo para dar errado.”

Pela análise de Marun, já na terça-feira a Casa retoma aos trabalhos, com as votações que devem ser feitas e um novo presidente.

“Temos que ter a convicção e o entendimento de que a renúncia de Eduardo Cunha altera as atividades da Casa. A prioridade agora para a Casa é eleger o presidente do Parlamento, é nos vermos livres dessa interinidade nefasta do deputado Maranhão."

Acordão

Nos bastidores, a informação que circula é que Cunha teria acertado com aliados que renunciaria, mas a CCJ aceitaria um aditamento ao recurso do processo contra ele instaurado no Conselho de Ética.

O acréscimo, entregue na tarde desta quinta-feira (7), pede que o processo seja analisado novamente. Para Cunha, a renúncia altera os fatos. Ele alega que só estava sendo cassado porque ocupava a presidência, o que não ocorre mais.

“Ele justificar que foi julgado como presidente e não como deputado é um absurdo”, desabafa Julio Delgado (PSB-MG). O socialista ressaltou que o fato de Cunha ter presidido a Casa é o que fez com que o processo de cassação esteja em tramitação há oito meses.

No entendimento de aliados, adiada a CCJ, o deputado afastado ganha tempo e esfria o apelo pela cassação. Se eleito um presidente pró-Cunha, há ainda controle sobre a pauta do plenário para inclusão do pedido de cassação, caso siga o roteiro previsto sem novas manobras e alterações.

Ao deixar oficialmente a cadeira de presidente, Cunha tem 30 dias para deixar a residência oficial. O fim de outros benefícios, como uso de aviões da Força Aérea Brasileira e a redução no número de seguranças será definida pela Mesa Diretora.

Réu no STF e enrolado na Câmara

Réu em duas ações no Supremo Tribunal Federal no âmbito da Operação Lava Jato, Cunha é alvo de um processo já aprovado pelo Conselho de Ética que pede a sua cassação. Ele responde por quebra de decoro parlamentar por ter supostamente mentido na CPI da Petrobras.

Na ocasião, o parlamentar disse que não tinha contas no exterior. Documentos do Ministério Público da Suíça, porém, informam que ele é beneficiário de pelo menos cinco contas. O peemedebista nega. Diz que é apenas beneficiário de trustes.

Na Suprema Corte, ele é acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e falsidade ideológica para fins eleitorais

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