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3 motivos para ver (e 1 para não ver) 'Julieta', novo filme de Pedro Almodóvar

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Julieta, 20ª filme de Pedro Almodóvar, estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (7). Exibido no Festival de Cannes deste ano, o drama é inspirado em três contos de A Fugitiva, da escritora canadense Alice Munro, vencedora do Nobel de literatura em 2013.

A trama acompanha a personagem-título em fases distintas de sua vida - marcadas por episódios trágicos. Duas atrizes vivem essa história: Adriana Ugarte, interpreta uma Julieta jovem e radiante, enquanto Emma Suárez mostra sua versão abatida e silenciosa.

Silêncio, aliás, era o título inicial do filme - como um dos contos da canadense em que Almodóvar, que também assina o roteiro, se baseou. E talvez essa seja a chave para decodificar o novo trabalho do espanhol, indicado cinco vezes à Palma de Ouro, vencedor do prêmio de direção em 1999 por Tudo Sobre Minha Mãe.

Entre silêncios, presença feminina, cores e outras características de Julieta, separamos 4 motivos (três para te fazer comprar o ingresso e um que pode te fazer trocar a sessão por outro programa) para você decidir se vai conferir o longa na telona ou não.

1. O estudo dos sentimentos

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Julieta é um filme sobre culpa, sobre passado e sobre passagem do tempo. Sobre deslocamentos (físicos e não-físicos), sobre arrependimentos e, acima de tudo, sobre a dor humana. No coletiva do filme em Cannes, Almodóvar afirmou, inclusive que "a dor não é um tema em Julieta, mas uma das personagens e talvez a personagem mais importante do filme". Ao ser abandonada, sem explicações, pela filha - um dos eixos da trama (e isso não é um spoiler!) -, a protagonista se vê perdida entre lembranças e sentimentos. Por meio de um notável trabalho de interpretação de Adriana e Emma, Almodóvar constrói esse quadro sombrio com discrição na frente do espectador. O resultado é algo que transita entre o fascinante e o incômodo. E que, em suma, mostra variadas nuances da fragilidade humana.

2. As cores de Almodóvar

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Foi Adriana Calcanhotto que imortalizou na canção Esquadros o que todo fã do diretor espanhol admira em sua obra:"Cores de Almodóvar". Que cores são essas? Sempre vivas. Em Julieta elas estão lá para encher os olhos do espectador. A paleta é composta majoritariamente por vermelhos, laranjas e azuis. Ao longo das décadas, estampas multicoloridas dão lugar a tecidos lisos de apenas uma ou duas cores. E que cores! Foi também na coletiva em Cannes que Almodóvar abordou essa sua predileção por cores fortes e explicou a influência delas em Julieta: "Minha descoberta do cinema está muito ligada ao Technicolor. Comecei amando aqueles filmes de cores muito saturadas. Posso ter evoluído para outros filme, e autores, mas as cores ficaram. E, depois, eu precisava da cor. Julieta é muito sombrio, muito duro. Sem a intensidade, e luminosidade da cor para balancear, poderia ficar insuportável". Acredite, Julieta é um longa exuberante em cores.

3. O protagonismo feminino

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Quem acompanha a carreira do cineasta sabe que o atual e discutido tema do protagonismo feminino já é uma prática tradicional em sua filmografia. De Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988), passando por Kika (1993), Tudo Sobre Minha Mãe (1999), Fale Com Ela (2002), até Volver (2006) - para citar os mais conhecidos - o espanhol trouxe para a história do cinema um bocado de histórias fortes protagonizadas por mulheres destemidas. Em Julieta não é diferente. Ou melhor, tão diferente. A narrativa é sobre uma mulher, contada por uma mulher e sua vida está cercada por outras importantes mulheres. Mas diferentemente dos filmes anteriores de Almodóvar, Julieta tem uma protagonista frágil e muito humana. "Fiz muito filmes sobre mães. Essa é mais vulnerável em comparação às outras, que eram mulheres poderosas e com capacidade de luta sobre-humana. No fim, ela é um zumbi caminhando pelas ruas", disse o diretor no Festival de Cannes.

1 razão para não ver!

O peso da tragédia

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No começo deste texto, Julieta foi classificado como um drama. O que é injusto para o filme. Críticos especializados também têm definido essa obra de Almodóvar como um melodrama, o que soa um pouco mais justo, uma vez que a trilha musical densa (característica no melodrama) está lá, quase onipresente - ora potencializando o suspense, ora dando forças para cenas de cunho sentimental. Na história de Julieta não há espaço para leveza e sorrisos. Mesmo na fase jovem da protagonista, é perceptível um desequilíbrio que pende para a dor. Durante o filme, o espectador só consegue suspirar aliviado nas poucas cenas de uma quase caricata empregada doméstica, vivida pela amiga de longa data de Almodóvar, Rossy de Palma. Sendo assim, o mais justo seria definir o longa como uma tragédia. Tragédia construída com boas doses de subjetividade no olhar de sua protagonista. E talvez essas características possam cansar o espectador. Para quem não familiarizado com a obra do cineastas, talvez esse seu 20º filme não seja uma bom primeiro contato.

Assista ao trailer oficial:

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