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Polícia do Rio matou 8 mil pessoas nos últimos 10 anos, aponta estudo da Human Rights Watch

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Em 2015, para cada policial morto em serviço no Rio de Janeiro, a polícia matou uma média de 25 pessoas. O número é mais que o dobro do que na África do Sul e três vezes do que nos Estados Unidos. Os dados são do relatório “‘O Bom Policial Tem Medo’: Os Custos da Violência Policial no Rio de Janeiro”, da Human Rights Watch (HRW), e foram divulgados nesta quinta-feira (7).

Somente na última década, foram 8 mil pessoas mortas pelas forças policiais do estado e 77% dos mortos pela polícia são negros.

Segundo dados compilados junto ao ISP (Instituto de Segurança Pública), somente no ano passado foram 645 pessoas foram mortas em ações envolvendo policiais civis e militares. No mesmo período, 23 policiais militares e três policiais civis foram mortos enquanto trabalhavam.

Execuções e tentativa de ocultar crimes

Segundo a Human Rights Watch, o relatório aponta que os policiais envolvidos em execuções extrajudiciais procuram encobrir seu comportamento criminoso. Para isso, se valem de intimidação de testemunhas, plantam armas ou drogas nas vítimas, removem seus corpos do local do crime. A justificativa mais comum para os casos é levar as vítimas ao hospital e afirmarem que tentaram “socorrê-las”.

A Human Rights Watch encontrou provas críveis em 64 casos que policiais procuraram encobrir casos de uso ilegal da força letal.

No vídeo publicado pela HRW, um policial assume participar das execuções e outros imagens exibem ataques de agentes do estado contra jovens desarmados:

O estudo sugere ainda que grande parte dos “confrontos” relatados por policiais no estado nos últimos anos na realidade foram execuções extrajudiciais.

Entre 2013 e 2015, a polícia fluminense matou cinco vezes mais pessoas do que feriu, atitude, segundo a Human Rights Watch, oposto ao que se poderia esperar em situações relatadas como confrontos.

Impunidade

Para a organização internacional, a impunidade faz um papel preponderante na violência policial, já que raramente os policiais são levados à justiça.

"A polícia civil tem conduzido investigações lamentavelmente inadequadas. Entretanto, a responsabilidade de acabar com a impunidade nesses casos é, em última instância, do Ministério Público do estado do Rio de Janeiro, que tem competência constitucional para realizar o controle externo da atividade policial, fiscalizando o trabalho da polícia civil, bem como conduzindo suas próprias investigações", afirma o documento da HWR.

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