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Como o deputado 'calouro' Rogério Rosso se tornou o principal cotado para substituir Eduardo Cunha na Câmara

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ROGRIO ROSSO
Conhecido por contar histórias, Rosso parece estar sempre em campanha | Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Oficialmente candidato e principal nome cotado para assumir a presidência da Câmara dos Deputados, o deputado Rogério Rosso (PSD-DF) é um exemplo de sucesso na política da boa vizinhança. Se não fosse político, seria aquela pessoa que os amigos apelidam de "vereador", "prefeito" ou até mesmo "pau de enchente". Isso porque ele parece estar sempre em campanha, não passa reto por nenhum conhecido e se esforça para não ser grosseiro, mesmo quando a irritação está nítida.

Preocupado em não parecer que está se gabando, ele costuma dar exemplos da vida pessoal para falar sobre a situação do presidente em exercício Michel Temer ou do colega Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que, afastado do mandato, renunciou à presidência da Casa.

No dia seguinte ao afastamento de Cunha, no início de maio, Rosso - como todo bom político - ligou para o peemedebista e foi convidado para uma visita. Como faz toda sexta-feira, Rosso tinha ido trabalhar de bicicleta e foi pedalando ao encontro de Cunha.

A visita rápida se tornou um almoço de muita conversa. Na época, Rosso garantiu que o futuro da cadeira de Cunha não fora discutido. "Falamos sobre a pauta, reformas necessárias, como a tributária." E se esquivou de comentar o afastamento de Cunha pelo Supremo Tribunal Federal com suas analogias relacionadas à experiência pessoal:

"No dia que deixei o governo do Distrito Federal, uma das pessoas que trabalha comigo e me tratava muito bem parou até de me cumprimentar. Eu já não tinha mais valor. Aprendi naquela hora que o poder é algo que vai embora. Aquela pessoa me ensinou muito sem saber", disse à época ao HuffPost Brasil.

É com esse tipo de resposta, repleta de história (muitas vezes pessoais), que o deputado costuma desviar de situações delicadas.

Ao votar a favor do impeachment de Dilma Rousseff, ele recorreu mais uma vez à própria biografia:

"Meus pais, desde cedo, ensinaram a mim, ao meu irmão e à minha irmã que ninguém nesta vida é melhor do que ninguém. Em homenagem ao ordenamento jurídico brasileiro, que permite a ampla defesa; em homenagem ao Estado Democrático de Direito, que nos permite estar aqui democraticamente; em homenagem à harmonia e à independência entre os poderes, pilar fundamental do nosso sistema; em homenagem ao povo do Distrito Federal, que recebe todos, sempre, de braços abertos; e a minha família, o meu voto é sim."

Não vai ser por falta de história que ele deixará de ter assunto sobre a eleição que definirá o futuro do comando da Casa. Em um mandato tempão, Rosso era capaz de dar palestra. Foi ele que assumiu o governo do Distrito Federal de abril a dezembro de 2010, quando o ex-governador José Roberto Arruda e seu vice Paulo Octávio caíram na Operação Caixa de Pandora.

Na época, ele foi eleito por seus colegas, deputados distritais. Desta vez, embora não assuma sua candidatura oficial, estará diante do voto de outros 512 deputados federais. Não tem quem não o conheça.

Esse jeito político o levou a conquistar a simpatia da base, da oposição e do Palácio do Planalto. Quando foi escolhido presidente da Comissão do Impeachment, petistas e tucanos diziam que era uma escolha sensata.

Calouro

Graças ao seu empenho, é fácil esquecer que ele é deputado federal de primeiro mandato. Logo após a eleição de Cunha a presidente da Câmara, ele tratou de se aproximar do peemedebista. Além de ter presidido o colegiado de deputados que aprovou o parecer favorável ao impedimento de Dilma, ele é líder do PSD e "onipresente". Por morar em Brasília, é possível encontrá-lo no Congresso de segunda a sexta-feira.

Mesmo transmitindo a sensação de estar sempre em campanha, os trabalhos de Rosso parecem ter se intensificado nos últimos dias. Há colegas desconfiados do crescimento do parlamentar, comentando que ele está regando uma semente para colher na eleição para governador do Distrito Federal em 2018. A presidência da Câmara seria apenas mais um degrau.

Claro que o enredo de Rosso, como de muitos políticos brasileiros, conta com denúncias. Ele já foi indiciado pelo TRE-DF por corrupção eleitoral. E é acusado de nepotismo indireto por ter empregado Napoleão José Guimarães de Miranda, pai de Arthur Bernardes de Miranda, filiado ao PSD, e secretário da pasta onde a esposa de Rosso, Karina Rosso, atuou como subsecretária de Micro e Pequena Empresa e Empreendedor Individual.

Candidatura

Desde o afastamento de Cunha negando que seria candidato à presidência, na manhã desta segunda-feira (11), após conversar com familiares e lideranças políticas, Rosso oficializou a disputa. “A Karina (esposa) chegou essa madrugada, deu carta branca. Com a minha bancada, conversei pessoalmente e por telefone no fim de semana, só que quero aguardar as regras claras para registrar a candidatura. Tenho o ok político e da família”, disse ao G1.

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