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'Alma penada política': Cunha intensifica tentativa de salvar mandato

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CUNHA
ASSOCIATED PRESS
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O deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) decidiu fazer pessoalmente sua defesa na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na tentativa de anular a votação do relatório aprovado no Conselho de Ética que pede a sua cassação. Ele alegou perseguição e disparou contra opositores e disse que ação abre precedente para demais parlamentares.

Para Cunha, se o processo tivesse sido aberto contra outro deputado, o resultado seria diferente. A análise do recurso iniciada nesta terça-feira (12) continua amanhã.

Ele abriu sua defesa destacando que cerca de 20% dos parlamentares da Casa também respondem a processos na Justiça. Para opositores como Ivan Valente (SP), líder do PSol, Cunha disse isso para deixar claro aos outros parlamentares que eles podem estar no lugar dele amanhã.

“Quando ele fala que tem 117 parlamentares que são réus no STF e 'eu sou você amanhã', ele está buscando apelar para o corporativismo.”

Advogado de Cunha, Marcelo Nobre reforça a tese do precedente. “A Câmara rasgará o regimento interno e abrirá precedentes gravíssimos para esta Casa."

Cunha rebateu ponto a ponto de suas manobras. Disse que quando é ele que aplica o regimento é manobra, mas que quando há algo contra ele não é manobra. Para ele, o que ocorre é um processo político iniciado com o “inconformismo” pela sua eleição em primeiro turno para presidente da Casa e pelas pautas que ele colocou, independentemente do mérito.

Cunha não poupou o presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PR-BA), e o relator, Marcos Rogério (DEM-RO), de críticas. Disse que Araújo agiu de má fé e que Rogério usou do processo para aparecer.

"Eu acredito até que o presidente do Conselho de Ética nem queira me cassar. Esse processo é a única oportunidade de ele aparecer na mídia. É a típica personalidade que precisa abrir a geladeira para acender a luz.”

Show de arrogância

Para Ivan Valente, a defesa de Cunha foi um show de “arrogância, cinismo e intimidação”. Na avaliação dele, Cunha tentou protelar.

"Toda essa peroração de duas horas em torno do vai e vem, das questões de ordem, etc, são para encher linguiça, ganhar tempo e o que está se armando é jogar essa votação para agosto.”

Diante a tentativa de adiarem análise do recurso de Cunha, outros deputados reagiram.

“O que precisamos é acabar logo com esse debate aqui na CCJ e levar para o plenário para a gente se livrar desse carma, dessa alma penada política que contraria todos os preceitos republicanos”, disse Chico Alencar (PSol-SP).

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