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Mais uma aula de feminismo: Pitty pede fim de grito de 'gostosa' em DVD

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PITTY
Buda Mendes/LatinContent/Getty Images | Buda Mendes/STF via Getty Images
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Não é de hoje que Pitty tem ajudado seus fãs a refletirem sobre atitudes que refletem o machismo e o sexismo culturalmente enraizados no Brasil - seja dentro ou fora dos palcos.

Aqui no HuffPost Brasil você já acompanhou alguns exemplos. Se não viu, dê uma olhada aqui, aqui e aqui.

Pois bem. À espera de seu primeiro filho com Daniel, baterista do NX Zero, a artista lança nesta semana seu novo DVD, Turnê SeteVidas – Ao vivo. E nesse trabalho, a roqueira dá mais uma aula prática de feminismo.

Durante a gravação do show em Salvador (sua cidade natal), ela decidiu parar tudo e desabafar com os fãs sobre o incômodo que sentia ao ouvir os gritos de “gostosa”.

"Eu sei que a intenção é elogiar, fazer um gracejo, mas na real fico constrangida”, ela diz para o público.

Clique aqui para ver esse trecho de Turnê SeteVidas – Ao vivo.

Ao G1 a cantora falou que essa “DR” com os fãs da região foi possível por conta da intimidade que ela tem com eles e explicou porque decidiu incluir a cena na versão final do DVD.

“Foi um momento íntimo meu com meu público, e eu gosto de ter essa intimidade e essa liberdade com eles; de que posso me expressar e dizer as coisas que me incomodam. O mais legal é ver que eles me entendem, eles sabem com quem estão lidando.
E se não for para ser assim não faz sentido; essa comunhão com as pessoas que gostam do meu som é muito importante para mim. Se no meu próprio palco eu não puder ser verdadeira, ser o que eu realmente sou, é porque tem algo errado nessa relação.”

Ela enfrentava esse incômodo com os gritos de 'gostosa' há tempos, como é possível ver neste vídeo publicado no YouTube em 2011:

Na entrevista, Pitty também fala sobre o porquê de as pessoas não perceberem o quão abusivo é chamar uma mulher de “gostosa”.

“Porque é cultural, e faz parte dessa mentalidade de objetificação da mulher. É fruto do machismo presente na nossa sociedade. A mulher é vista como uma coisa a ser tomada, tida, possuída. Um objeto que está ali para o divertimento e deleite visual do homem. Um bom exemplo disso são as campanhas de cerveja. Ou o fato de você andar na rua e ser obrigada a escutar coisas nojentas e desrespeitosas. A maioria dos homens aprendeu que tudo bem agir dessa forma, que é um direito dele, ou que isso é 'elogio'. E ninguém havia perguntado como as mulheres se sentiam em relação a isso. Muitas também nem percebem o abuso dessa situação, porque fomos criadas dentro dessa mentalidade patriarcal e aprendemos que 'homem é assim mesmo, que bobagem'. Eu não acho mais que homem é assim mesmo, acho que homem é muito melhor do que isso. E essas situações vêm mudando e as pessoas vêm tendo mais consciência de que isso não é legal porque as mulheres têm se manifestado mais, feito barulho. É preciso dizer o que está errado, o que incomoda. A vida inteira aprendemos a ficar caladas porque 'as coisas são assim mesmo'; por isso é tão importante que a gente converse e se manifeste sobre essas coisas, para que haja uma mudança real.”

Pitty revelou ainda detalhes de um episódio de assédio que sofreu na adolescência na capital baiana.

“Meu irmão se lembra até hoje de uma situação: eu bem novinha, uns 18 pra 19 anos, indo pro trabalho em Salvador. Tipo hora do almoço. Ele estava comigo, e nós descemos da condução de um lado da avenida e tínhamos que atravessar uma passarela até o outro lado que era o shopping onde eu trabalhava. Um calor desgramado, eu estava de calça larga e top meio de barriga de fora, com a camiseta na mão. Quando estávamos quase no fim da passarela, um homem que estava parado encostado na grade veio com a mão em direção à minha barriga sussurrando "huuuum, barriguinha gostosa, hein, mãe..." Minha reação foi instintiva. Antes que ele conseguisse encostar em mim eu dei um tapa na mão dele e falei bem alto, pra passarela inteira ouvir: "não encoste a mão em mim, seu nojento!" E saí andando. Olhei paro lado e meu irmãozinho dez anos mais novo do que eu estava de olho arregalado(risos). Tive medo, mas reagi porque a raiva de me sentir invadida foi maior. Se fosse numa outra circunstância, se estivesse sozinha de noite, se não houvesse mais ninguém na passarela, provavelmente eu teria que engolir aquele abuso calada, por medo.”

Vida longa aos seus discursos e ações de empoderamento feminino, Pitty!

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