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Novo chanceler britânico é um 'mentiroso pressionado contra parede', diz ministro francês

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BORIS JOHNSON
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O Reino Unido escolheu um mentiroso que está pressionado contra a parede ao indicar Boris Johnson como seu novo ministro das Relações Exteriores em um momento no qual é preciso alguém confiável nesse papel, disse o chanceler francês, Jean-Marc Ayrault, nesta quinta-feira (14).

Johnson foi bem-sucedido fazendo campanha para os britânicos romperem com a União Europeia no referendo do mês passado. Na França, um país-membro fundador da UE, ele é visto como uma peça fundamental da separação e do revés que esta representa para a integração europeia.

"Não estou nem um pouco preocupado com Boris Johnson, mas... durante a campanha ele mentiu muito para o povo britânico, e agora é ele quem está com as costas na parede", disse Ayrault à rádio Europe 1.

Não foi só o premiê francês que manifestou sua incredulidade com a escolha de Theresa May, nova premiê do Reino Unido, para um cargo tão estratégico.

O chanceler alemão também manifestou seu descontentamento com a escolha. Segundo Frank-Walter Steinmeier, Johnson é um "irresponsável". Nos EUA, a diplomacia prevaleceu, mas ficou claro que o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Mark Toner, se controlou (MUITO).

Quem passou de todos os limites - da zoeira e da diplomacia - foi o ex-premiê sueco Carl Bildt. "Eu gostaria que fosse uma brincadeira, mas temo que não seja", escreveu no Twitter.

Mas sejamos justos. Tony Abbott, ex-premiê da Austrália se manifestou positivamente a respeito da escolha. "Johnson é um bom amigo da Austrália", afirmou no Twitter.

Após a consulta popular de 23 de junho, Johnson desistiu da chance de concorrer a primeiro-ministro no lugar do conservador David Cameron, que renunciou depois de defender sem sucesso a permanência de seu país no bloco.

Johnson, porém, não estará a cargo das conversas sobre o procedimento de desfiliação britânica. May nomeou David Davis, ex-presidente do Partido Conservador e defensor da saída da UE, para um cargo ministerial especial para essa função.

Mesmo assim, Ayrault, geralmente moderado em seus comentários, emitiu um alerta contundente para o novo representante de política externa de seu vizinho próximo.

"(Ele está) pressionado contra a parede para defender seu país, mas também contra a parede no relacionamento com a Europa que precisa ser claro", disse Ayrault.

"Preciso de um parceiro com quem possa negociar e que seja claro, crível e confiável", acrescentou. "Não podemos deixar esta situação ambígua, incerta se arrastar... no interesses dos próprios britânicos".

A França e outros parceiros da UE exortaram o Reino Unido a iniciar rapidamente o processo de saída do bloco para que o período de conversas de dois anos sobre os termos comerciais e outros laços possa começar. May indicou que não pretende fazê-lo este ano.

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