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Com empurrão do Planalto, DEM retorna à presidência da Câmara após 13 anos

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MAIA TEMER
Candidatura de Maia era preferida de Temer | Montagem/Agência Câmara/Getty
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Candidato do Planalto, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi eleito presidente da Câmara dos Deputados no início da madrugada desta quinta-feira (14). Por 285 votos a 170, Maia venceu o líder do PSD, deputado Rogério Rosso (DF) no segundo turno.

Como Rosso era o candidato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), gritos de "fora, Cunha" ecoaram no plenário:

Com a diferença de 115 votos entre Rodrigo Maia e Rogério Rosso, Cunha foi o grande derrotado da sessão.

Maia liderou no primeiro turno com 120 votos, diante de 106 de Rosso. A eleição foi secreta, e era necessário conseguir maioria absoluta, 257 votos. Sob aplausos, ele defendeu a democratização do plenário, abrindo espaço para deputados, além dos líderes de partidos e bancadas.

"Vamos virar essa página que tanto envergonha cada um de nós, a página onde a prioridade é o plenário, a prioridade são os interesses pessoais. Vamos democratizar o plenário, vamos democratizar esta Casa."

Na primeira vez que subiu à tribuna, Maia também disse que o País vive profunda crise política e que a Câmara não pode expor interesses mesquinhos. “Uma Câmara fraca, paralisada, refém da vontade de poucos, é a fraqueza de todos nós.”

Após o anúncio do resultado do primeiro turno, partidos como o PDT e o PCdoB, declararam apoio ao candidato do DEM, em um esforço para romper a gestão Cunha. Rosso era considerado o candidato mais próximo ao deputado afastado.

"O outro candidato [Rosso] representa a continuidade dos métodos adotados até aqui por Eduardo Cunha, não parece ser o melhor caminho. O Rodrigo Maia representa um esforço para retomada da normalidade e funcionamento desta Casa", afirmou o líder do PCdoB, Daniel Almeida (BA).

Até segunda-feira (11), Rosso tinha mais votos e era o preferido do Planalto. O cenário começou a mudar quando o PMDB decidiu lançar candidato próprio e, na disputa interna, a sigla escolheu o ex-ministro da Saúde da presidente afastada Dilma Rousseff Marcelo Castro, considerado anti-Cunha.

Insatisfeito com a escolha, o Planalto, informalmente, decidiu deixar a candidatura de Rosso de lado, que ficou desidratada, e abraçou o candidato do DEM. Na noite de terça-feira (12), o presidente interino, Michel Temer, se reuniu com o presidente do PSDB, o senador Aécio Neves (MG), e o presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN).

Inicialmente, o grupo de apoio a Maia contava com o PSB, o PSDB e o PPS, além do DEM.

A última vez que o DEM esteve no comando da Casa foi entre 2002 e 2003, com Efraim Morais, quando o partido ainda se chamava PFL.

Disputa

Desde a semana passada, quando Cunha renunciou à presidência da Casa, os deputados intensificaram a articulação pela cadeira até então ocupada pelo 1º vice-presidente, Waldir Maranhão (PP-MA).

A cadeira vazia despertou o interesse de pelo menos 17 deputados que chegaram a oficializar a candidatura. Ao longo do dia, alguns parlamentares desistiram, como o 1º secretário da Casa, Beto Mansur (PRB-SP) - que abriu mão para ajudar a campanha de Rosso.

Ao longo do processo, o Planalto tentou não se intrometer, mas com a candidatura do peemedebista Marcelo Castro, decidida pela sigla, o presidente em exercício Michel Temer recorreu ao DEM e ao PSDB.

Poderes do presidente

O novo presidente da Câmara vai comandar os trabalhos da Casa até fevereiro de 2017. Isto significa que é ele quem comanda as reuniões de líderes, escolhe quais projetos serão votados em plenário, além de poder decidir se abre ou não processos de impeachment contra o mandatário do País.

O presidente da Casa é o segundo na linha sucessória. Ele assume a Presidência do País, em caso de ausência do presidente interino, Michel Temer.

O novo presidente também assume um orçamento de R$ 5,2 bilhões.

Além da administração dos recursos bilionários, o presidente também conta com seguranças particulares e pode morar na residência oficial, onde todas as despesas são custeadas pela Câmara dos Deputados.

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