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De Aristóteles a trabalho de segunda a sexta: o que falaram os candidatos ao comando da Câmara dos Deputados

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Durante as mais de seis horas de eleição para presidente da Câmara dos Deputados, os 14 candidatos usaram o tempo de discurso para citar Aristóteles e até promoter trabalhar de segunda a sexta-feira.

No primeiro turno, cada um teve dez minutos para defender a própria candidatura. Rodrigo Maia (DEM-RJ) ganhou no segundo turno, com 285 votos. Seu oponente, Rogério Rosso (PSD-DF) alcançou 170 votos.

O HuffPost Brasil separou os principais trechos dos discursos:

O admirador de Temer

rodrigo maia

Apoiado pelo Planalto, Rodrigo Maia elogiou a atuação de Michel Temer nas três vezes em que esteve no comando da Casa, em 2009, 1999 e 1997. "Ele nunca foi capaz de cometer um gesto sequer que o apequenasse".

Ele aproveitou para enaltecer também a atuação do senador Aécio Neves (PSDB-MG) quando exerceu o cargo, em 2001. "Aécio construiu pontes com todos os atores centrais de todas as legendas, deixou o posto aclamado e respeitado, conduziu a Casa com espírito republicano e implantou uma agenda interna austera", afirmou.

No primeiro turno, teve 120 votos. No segundo, venceu com 285.

O historiador

evair melo

O deputato Evair Melo (PV-ES) optou pela linha histórica. "O Parlamento contemporâneo tem raiz na história dos hebreus, muito antes da criação do Estado organizado, quando Moisés liderou o povo na busca da terra prometida", disse, antes de citar Aristóteles.

Ele também comparou o escândalo do Watergate com a operação Lava Jato. "Lá (no caso dos Estados Unidos), a descoberta da invasão do Comitê Nacional do Partido Democrata levou à descoberta de um sistema de espionagem que chegava diretamente ao Presidente Richard Nixon. Aqui, temos um caso semelhante, que se iniciou com a investigação de uma rede de postos de combustíveis e de lava a jatos."

Evair foi o menos votado, com cinco apoios no primeiro turno.

O maratonista

miro teixeira

Candidato da Rede, o deputado Miro Teixeira (RJ), começou dizendo que era um maratonista que sabia podia chegar em último lugar.

Ele defendeu o combate à corrupção e disse que a passagem do deputado afastado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), já havia sido superada pela Casa. "O meu discurso é de comemoração, não de lamentação pela tragédia que eu vi chegar hoje à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Aquela tragédia pode ser banida daqui com um espanador. Aquilo passou!", disse em referência a manobras na CCJ que adiaram a perda do mandato de Cunha.

Miro ficou em penúltimo lugar no primeiro turno, com seis votos.

O trabalhador

giacobo

Em quarto lugar no primeiro turno, com 59 votos, Fernando Giacobo (PR-PR) destacou sua atuação nas sessões plenárias, uma vez que o presidente em exercício, Waldir Maranhão (PP-MA) não comandava as votações.

"Agradeço a todos pelo apoio que recebi desde maio, quando dirigi grande parte das sessões nas quais votamos importantíssimas matérias. Não fosse a vontade de servir ao País de todos os pares, não teríamos avançado tanto”, afirmou.

Alvo de três ações arquivadas na Justiça, Giacobo criticou a desmoralização da política e destacou que a maioria dos parlamentares trabalha muito. “Todas as mazelas do País são deliberadas vezes jogadas com exclusividade nos ombros deste poder. Quem conhece esta Casa, seu Plenário, suas comissões, conhece o trabalho competente dos parlamentares."

A ficha-limpa

cristiane brasil

Filha do presidente do PTB, Roberto Jefferson, um dos principais envolvidos no escândalo do Mensalão, Cristiane Brasil (PTB-RJ) disse que é ficha-limpa e alinhada ao compromisso com o diálogo e com a mudança.

Uma das maiores defensoras do impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, ela pediu o equilíbrio entre opositores. “Devemos equilibrar nossas posições para ajudar o Brasil a voltar a crescer."

Cristiane conquistou 13 votos no primeiro turno.

A feminista

luiza erundina

Uma das duas mulheres na disputa, Luiza Erundina (PSOL-SP) defendeu maior representatividade feminina na política. Ela lembrou que o comando tanto da Câmara quanto do Senado sempre foi de homens.

"Além de injusta, essa situação ajuda a degradar a imagem do Brasil no cenário internacional. Represento também as mulheres e as frentes progressistas que resistem ao atraso e ao conservadorismo que pretende ameaçar conquistas democráticas”, afirmou.

Erundina também criticou o impeachment e prometeu uma Câmara mais aberta, "sem grades" para a população. Teve 22 votos no primeiro turno.

O anti-cargos

Deputado do PMDB, Fábio Ramalho (MG) criticou a barganha de cargos e disse que o Brasil não pode ser “capanga” de interesses pessoais e partidários. “É triste constatar que o Legislativo, em muitos episódios, se apequenou em discussão fisiológica.”

Ele criticou ainda a interferência do Judiciário em assuntos que, segundo ele, deveriam ser decididos pelo Legislativo. Dezoito deputados o apoiaram no primeiro turno.

O entusiasta

carlos manato

Orador mais entusiamado, Carlos Manato (SD-ES) começou dizendo que todos os discursos anteriores eram iguais e pregavam a moralidade, mas na prática eram diferentes.

Ele se comprometeu a trabalhar de segunda a sexta-feira. “Não ouvi até agora o compromisso pessoal dos demais candidatos à presidência de trabalhar mais. Querem pegar avião da FAB [Força Aérea Brasileira] na terça-feira, ficar no ‘lero-lero’ e voltar na mesma aeronave na quinta. Eu não."

Manato cobrou também que os candidatos apresentem ‘nada consta’ para comprovar ausência de acusações na Justiça. No primeiro turno, conseguiu 10 votos.

O machista

Apesar de colocar mulheres contratar como cabos eleitorais de short para entregar panfletos nos corredores da Câmara, Carlos Henrique Gaguim (PTN-TO) pediu o voto das deputadas. “Quero pedir o apoio da bancada feminina. Falam que existem três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário. Mas eu coloco dois poderes acima desses – primeiro o poder de Deus e depois o poder dessas mulheres do meu Brasil”.

Ele finalizou o discurso dizendo que outros candidatos teriam muitos votos e que poderia ganhar apoio por pena. "Vamos dar um votinho no Gaguim”, pediu. Conquistou 13 votos no primeiro turno.

O autocrítico

marcelo castro

Ministro do governo Dilma e voto contrário ao impeachment, Marcelo Castro (PMDB-PI) ressaltou que “nunca esteve indeciso ou em cima do muro”. No primeiro turno, ficou em terceiro lugar, com 70 votos.

Ele lembrou que os brasileiros não estão satisfeitos com o Parlamento e citou pesquisas que indicam que menos de 10% aprova ações o Congresso. “Está na hora de fazermos uma profunda autocrítica. Que erros estamos cometendo? Como corrigir isso?

O esforçado

rogerio rosso

Com a voz rouca e um pedido de desculpas, Rogério Rosso (PSD-DF) agradeceu o apoio e justificou a rouquidão devido às 72 horas de candidatura.

Presidente da comissão do impeachment, o deputado disse que é função do presidente da Casa garantir a governabilidade e a estabilidade do governo do presidente da República interino, Michel Temer. “Fico pensativo quando se fala em golpe. Cumprir a Constituição não é golpe e é isso que temos de fazer."

No primeiro turno, Rosso conquistou 106 votos. No segundo, teve 170.

O holograma desistente

gilberto nascimento

Candidato que colocou um boneco holográfico com sua imagem nos correndes da Câmara, Gilberto Nascimento (PSC-SP) usou seu tempo para desistir da disputa e anunciar apoio a Rosso.

Segundo Nascimento, o parlamentar do DF será capaz de “fazer a travessia neste mar com tanta turbulência”.

O missionário

espiridiao amin

Penúltimo a discursar, Esperidião Amin (PP-SC) disse que o próximo presidente da Câmara teria uma missão e não um mandato e que precisará estabelecer o respeito e a moral nas "grandes e pequenas coisas da vida".

Ele comentou o que o motivou a lança a candidatura. “Eu gostaria de dirigir a palavra a você que disse para mim: vai Esperidião, vai porque estás talhado para essa missão”, disse ele. “Isso me dá conforto", completou.

Esperidião teve 36 votos no primeiro turno.

O fora Cunha

orlando silva

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) criticou a “agenda retrógrada” durante a gestão Cunha e sustentada atualmente pelo governo interino de Temer. “Temos de impedir regressos”, disse. Ele citou a reforma da Previdência, a ampliação da jornada de trabalho e o teto de gastos do Executivo.

Segundo ele, os deputados colaboraram com práticas obscurantistas que desmoralizam a Casa. “Não é possível que a Câmara seja comandada por um grupo que tenha como marca o compadrio, que atenda aos seus e aos interesses dos seus", afirmou. Silva criticou também o papel de Cunha na condução do impeachment.

No primeiro turno, o deputado conquistou 16 votos.

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