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Crianças e muçulmanos estão entre as vítimas do ataque em Nice

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NICE
Eric Gaillard / Reuters
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Subiu para 84 o número de mortos no atentado contra a cidade de Nice, no sul da França. Um caminhão avançou em direção a uma multidão que participava das comemorações pelo feriado de 14 de julho, o Dia da Bastilha, o mais importante no país.

Entre as vítimas, há muitas crianças. Durante a noite, dois menores de idade morreram, mais de 50 foram atendidos segundo a CNN e 28 seguem hospitalizadas. Ao menos 18 crianças estão em estado crítico.

Segundo o último balanço divulgado pelo governo, 188 pessoas ficaram feridas no ataque e estão sendo tratadas em hospitais da região, sendo 48 em estado crítico. Em pronunciamento nesta sexta-feira (15), o presidente francês, François Hollandefalou em 50 pessoas "entre a vida e a morte".

De acordo com Andy McArdy, testemunha do incidente, o ataque foi "muito bem planejado". "Eles sabiam que o barulho dos fogos de artifício iria mascarar o ruído", explicou à CNN.

McArdy é funcionário de um restaurante, que chegou a abrigar mais de 100 pessoas após o atentado. "Eles ficaram aqui até a meia-noite, quando a polícia disse que era seguro sair".

O Hotel Negresco, o mais tradicional da cidade, também se tornou abrigo para quem conseguiu escapar do ataque.

Hollande, que está em Nice desde a manhã de hoje classificou o ataque como um ato terrorista. “A natureza terrorista não pode ser negada. O motorista foi morto a tiros, não sabemos se ele tinha cúmplices”, disse Hollande. “Toda a França está sob ameaça do terrorismo islâmico”.

Durante sua passagem pela cidade, o mandatário se reuniu com profissionais de saúde envolvidos no tratamento das vítimas e fez mais um pronunciamento. "Hoje a França precisa compartilhar sua solidariedade com as vítimas e suas famílias".

Hollande declarou que o estado de emergência iniciado após os ataques de novembro de 2015 e que se encerrariam no dia 26 de julho agora serão estendidos por mais três meses após o ataque de Nice. De acordo com o presidente, o trabalho da polícia aumentará, inclusive nas fronteiras.

"Fomos golpeados no dia 14 de julho, o dia da Festa Nacional e símbolo da liberdade, pois os fundamentalistas negam os direitos fundamentais".

O motorista do caminhão foi identificado como Mohamed Salmene Lahouaiej Bouhlel, um homem de 31 anos, franco-tunisiano nascido em Msaken. Segundo a imprensa internacional, a última vez que ele esteve na Tunísia foi há quatro anos.

Ele foi morto por policiais enquanto dirigia o veículo - testemunhas contam que ele fazia o caminho em zigue-zague, para atingir o máximo possível de vítimas. Segundo o Guardian ele dirigiu por 2 km em uma velocidade superior a 50 km/h.

Testemunhas ouvidas pela agência de notícias AFP descrevem o homem como uma pessoa "quieta e solitária". Um dos vizinhos contou ainda que o autor do massacre não parecia ser religioso, e eventualmente vestia bermudas. Ele teria começado a fazer o jejum do mês sagrado do Ramadã, mas não chegou a terminar o ritual.

Fatima Charrihi, muçulmana praticante, morreu no ataque. "Ela foi a primeira vítima, não havia outros corpos antes", contou seu filho à imprensa francesa. Fatima era mãe de sete filhos. "O que eu posso dizer é que ela usava o hijab e praticava o islamismo com equilíbrio. O islamismo correto. Não aquele praticado pelos terroristas", disse o rapaz.

Muitas das vítimas seguiam a religião islâmica, afirmou um jornalista iraniano ao Guardian. "Eu consegui ver que muitas das vítimas usavam véus e algumas falavam árabe", disse Maryam Violet. "Uma família perdeu sua mãe, e em árabe diziam que ela era uma mártir".

Nenhum grupo reivindicou responsabilidade pelo ataque, o terceiro na França desde 2015. Segundo fontes policiais, a identidade do autor do massacre foi encontrada no veículo, e foi verificado que ele já havia cometido crimes, sem laços com o terrorismo. Também foram encontrados no veículo armas, granadas e munição. Alguns dos artefatos eram falsos.

Autoridades ainda investigam se ele tinha cúmplices, ou se agiu sozinho. Também investiga-se como ele conseguiu furar o bloqueio policial.

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