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Fethullah Gülen: Quem é o homem acusado de ser o maestro do golpe na Turquia

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TURKEY
Reuters TV / Reuters
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A última sexta-feira (15) foi de tensão e caos na Turquia.

No fim daquela noite, um grupo de militares tomou as ruas da capital Ancara e de Istambul com tanques, interditou pontes, fechou aeroportos, declarou toque de recolher, manteve o chefe do Estado Maior como refém e divulgou ter tomado o controle de todo o país.

A alegação se provou falsa depois que o presidente Recep Tayyip Erdogan levou a população a se manifestar em apoio ao seu governo e as forças armadas leias a ele esmagavam a ação da facção.

Quando os ânimos se acalmaram, começou o expurgo: 5 generais, 29 coroneis e 2.745 juízes foram destituídos, 6.000 pessoas foram presas e quase 300 morreram.

Enquanto busca cercar os nomes por trás dessa conspiração para derrubá-lo, Erdogan apontou o dedo diretamente a Fethullah Gülen, clérigo turco exilado nos Estados Unidos que um dia fora seu aliado.

Quem é Gülen

Nascido em uma família religiosa na cidade de Erzurum em 1941, Gülen vive nos EUA desde 1999 é exaltado no mundo islâmico como um importante intelectual. Ele é líder do movimento Gülen, também conhecido como Hizmet, e que se descreve como “um movimento inspirado na fé, não politizado, cultural e educacional baseado nos valores universais do Islã”.

O movimento é dono de milhares de escolas em todo o mundo e acumula seguidores por todas as partes. De acordo com números do jornal britânico The Guardian, 10% da população turca é simpática a esse movimento. Acredita-se que muitas dessas pessoas estejam dentro das forças armadas e do judiciário da Turquia.

Essa suposta influência incomodava Erdogan, que tentou barrar o crescimento desse movimento ao editar uma lei que proibiria a existência de centros educacionais particulares. Coincidentemente ou não, a maioria deles era ligada a Gülen.

A relação azedou de vez em 2013, quando foram deflagradas investigações de corrupção, especialmente focadas no filho do atual presidente, no governo por autoridades policiais e do judiciário que, segundo Erdogan, seriam apoiadoras do movimento.

O clérigo foi eventualmente foi colocado na lista de terroristas mais procurados da Turquia e virou centro das atenções neste final de semana ao ser novamente acusado por Erdogan de ter conspirado contra o seu governo. Agora, o presidente quer a sua extradição a todo o custo. Os EUA, por sua vez, quer provas dessas alegações.

Em sua defesa, Gülen negou participação no incidente e que tomar o poder a força não é o caminho para mudança. Disse ainda que essa tentativa de golpe poderia ser uma farsa e que essa acusação poderá ser usada contra ele no futuro.

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