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Rio de Janeiro tem um 'atentado de Nice' a cada 5 dias

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VIOLENCE RIO DE JANEIRO
ASSOCIATED PRESS
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A cada 5 dias, o número de vítimas da violência no Rio de Janeiro bate o total de 84 mortos no atentado que aconteceu em Nice, na França, na última quinta-feira (14).

De janeiro a maio deste ano, o Estado do Rio registrou um total de 2.508 vítimas de homicídio doloso (quando há intenção de matar), latrocínio (roubo seguido de morte), auto de resistência e lesão seguida de morte, de acordo com levantamento do Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro.

O índice é 13% maior que os 2.219 casos registrados no mesmo período do ano passado, e equivale a um total de 17 mortes por dia.

Apenas em maio deste ano, foram registradas 472 vítimas em decorrência de violência, 17,7% maior que o registrado em maio de 2015.

Assassinatos

A maioria dos casos é de homicídio doloso. Entre janeiro e maio deste ano, o Estado contabilizou 2.083 assassinatos. No ano passado foram 1.833. Só em maio foram 368. O índice que teve maior alta em maio de 2016 comparado a 2015 foi o dos autos de resistência, que quase dobrou. Pulou de 44 para 84.

“O Rio é assim”

Na semana passada, em audiência na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, minimizou a violência no estado.

"No momento em que você tem uma pessoa baleada, isso já causa preocupação. É uma vida, não tenha dúvida. Historicamente o Rio de Janeiro é assim. E acho que nós infelizmente já tivemos incidências maiores. Se você pegar aí, historicamente já tivemos incidências maiores. Mas, é algo que, na medida em que se colocar mais policiais na rua e tivermos cada vez mais operações de inteligência, a gente pode reduzir isso. Mas temos que avançar mais, não quer dizer que vamos resolver esse problema”, disse Beltrame aos deputados estaduais, segundo o G1.

No início da semana passada, quatro pessoas atingidas por balas perdidas em 48 horas, três das vítimas morreram. A única que sobreviveu foi uma menina de 11 anos.

Na noite de quinta-feira (14), uma mulher de 46 anos foi morta a facadas, em frente a filha de 7 anos. O crime ocorreu próximo a sede da Prefeitura e do Comitê Olímpico Internacional. O suspeito do assassinato é o ex-namorado da vítima que não quis aceitar o fim do relacionamento.

Na manhã de sábado (16), o Rio atingiu a marca de 61 policiais mortos.

A 18 dias das Olimpíadas, a situação da segurança no Rio é delicada. O Estado enfrenta até ameaça de paralisar investigações e perícias. De acordo com o Estado de S.Paulo, a Polícia Civil enviou ao Ministério Público um documento que relata falta de materiais básicos e equipamentos. A polícia precisa de R$ 14,5 milhões para cobrir as dívidas.

Em entrevista ao canal americano CNN, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, empurrou a culpa para o governo estadual. “(A segurança) é o assunto mais sério do Rio, e o Estado está fazendo um trabalho terrível, horrível. O governo está falhando completamente em seu trabalho de policiar e cuidar das pessoas”, afirmou.

Para ele, o que salva os jogos olímpicos é a presença do governo federal. "(Durante o Rio 2016) o Exército, a Marinha e todos estarão aqui. Ainda bem que o Estado não vai ser o responsável pela segurança durante esse período."

Tragédia em Nice

No último dia 14, um caminhão, dirigido por um cidadão francês de origem tunisiana, invadiu uma praça onde era comemorada a Queda da Bastilha. O ataque deixou 84 mortos e mais de 100 feridos.

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