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Paquistão proíbe família de 'perdoar' irmão que matou jovem

Publicado: Atualizado:
PAKISTAN
ASSOCIATED PRESS
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Autoridades paquistanesas impediram a família de uma mulher que foi morta pelo irmão em um "crime de honra" de conceder o perdão ao homem, em um raro movimento da justiça e das autoridades no país.

Qandeel Baloch, uma celebridades das redes sociais no Paquistão, foi drogada e morta pelo irmão Muhammad Waseem, que se vangloriou de ter cometido o crime. Ele disse, à mídia local, que não se arrependia de ter matado a irmã, de 26 anos, alegando que a mulher havia violado a honra familiar ao postar fotos nas mídias sociais.



"Eu estou orgulhoso do que fiz. Primeiro eu a droguei, e então a matei", afirmou o homem, segundo a CNN. Ele afirmou ainda que ver seus amigos compartilhando vídeos e fotos da irmã era "demais" para ele e assassiná-la era uma alternativa melhor do que cometer suicídio. De acordo com a Al Jazeera, o clérigo também será investigado.

De acordo com a agência Reuters, o governo da província de Punjab, a maior do Paquistão, impossibilitou a família de perdoar o filho. "Isso foi feito com base nas instruções do governo, mas é um movimento raro", afirmou uma fonte da agência, comentando ainda que essa brecha legal é responsável por tantos "crimes de honra" ficarem impunes no país.

Muito adorada - mas também muito criticada por conta do conservadorismo do país - a jovem se definia como uma "feminista moderna" e tinha cerca de 750 mil seguidores no Facebook.

"As meninas nasceram para ficar em casa e seguirem as tradições. Minha irmã nunca fez isso", disse o irmão.

Pouco antes do crime, a jovem postou em suas rede sociais fotos com o proeminente clérigo muçulmano Abdul Qavi. De acordo com a CNN, Waseem afirmou que as imagens foram o "fim da linha".

O pai da jovem, Muhammad Azeem, apresentou uma queixa policial contra Waseem e mais um filho seu, que também teria participação no assassinato.

Não se sabe ainda se a decisão do governo de Punjab vai abrir algum precedente na forma com que o país lida com esse tipo de crime contra a mulher. Uma lei que tenta barrar a possibilidade do perdão familiar nos "crimes de honra" foi barrada no parlamento do Paquistão.

Todos os anos, mais de 500 pessoas, quase todas mulheres, morrem em "crimes de honra" no Paquistão. Normalmente, os assassinos são parentes das vítimas.

"Não há honra em matar em nome da honra", afirmou o primeiro-ministro do país Nawaz Sharif sobre a morte da jovem. Em fevereiro ele prometeu acelerar a votação do projeto de lei, mas segundo grupos de direitos-humanos, não foi registrado nenhum avanço na pauta.

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