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Estes 5 clipes acabaram de ser lançados e vão DETONAR o seu machismo

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KAROL CONKA
Karol Conka no clipe de 'É o Poder' | Reprodução/YouTube
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Feminismo, padrões de beleza impostos pela mídia e racismo. Objetificação e hipersexualização do corpo da mulher negra, empoderamento e igualdade de gênero.

Nas últimas semanas, a cena musical brasileira tem fervilhado com músicas e vídeos que abordam essas e outras questões caras às mulheres brasileiras.

A seguir, reunimos 5 clipes de grandes artistas brasileiras e jovens promessas que decidiram desafiar a sociedade patriarcal com letras e imagens que sintetizam diferentes lutas das mulheres.

1) MC Soffia - Minha Rapunzel Tem Dread

Aos 12 anos, MC Soffia é uma das revelações da música brasileira. Seu recado, sempre rimado, foca no empoderamento de meninas negras da sua faixa etária. Em março ela lançou seu primeiro clipe, para a música Menina Pretinha. Agora chegou a vez de mostrar a nova música de trabalho, Minha Rapunzel Tem Dread, que questiona a falta de representatividade negra no universo infantil. E não para por aí, a faixa da rapper mirim ainda é um breve aula de sororidade. Em um dos versos, Soffia declara: "Na minha história quem disse que a bruxa é má? Meninas unidas podem tudo mudar. Aqui inimiga não vai rolar!". Não tem como não amar!

2) Xênia França - Breu / O Canto

Voz feminina da banda Aláfia, Xênia França deu um passo rumo a carreira solo com o lançamento deste clipe poderoso para a música Breu. Com direção de Gabi Jacob, o vídeo compõe o segundo episódio do programa O Canto, série que reúne faixas inéditas sobre o universo feminino, interpretadas por diferentes convidadas. Na composição de Lucas Cirillo estão questões relacionadas à mulher negra cuja discussão se faz urgente, como o racismo institucionalizado e a hipersexualização de seu corpo. Cláudia Santos, morta pela Polícia Militar do Rio em 2014, foi uma das inspirações para o novo trabalho. “Quando decidi gravar meu primeiro single, Cláudia não saía da minha cabeça, estava falando muito comigo e com o momento em que estamos vivendo”, explica a cantora.

3) Lei Di Dai - Chega na Dança

Conhecida como a rainha do dancehall brasileiro, Lei Di Dai fez uma grande celebração à cultura e estética afro no videoclipe de Chega na Dança. Inspirado nos eventos de estilo sound system jamaicano, o vídeo foi gravado durante uma festa do projeto Gueto Pro Gueto, que a cantora mantém gratuitamente nas periferias de São Paulo. "A letra foi inspirada nesses bailes, porque o refrão, 'chega na dança', é uma expressão criada por mim há alguns anos e virou uma gíria muito comum nestas festas. Resolvi fazer um som bem dançante pra galera saber da onde veio esse bordão. E, como o nome já diz, essa música é pra dançar sim! Então, vem borbulhar, convida a cantora.

4) Karol Conka - É o Poder

Plumas, perucas, acessórios e cores, muitas cores! O Clipe de É o Poder, de Karol Conka, tem ares de afrofuturismo, evoca orixás e entidades da cultura afro e, acima de tudo, traz um discurso de autoafirmação da mulher: "Ele é todo inspirado no empoderamento da mulher. Poder de look, poder de atitude, poder de luz", explica a rapper curitibana. Esta não é a primeira música em que ala exalta a mulher negra. O discurso de tom feminista está presente também em Você Não Vai, Que Delícia, Tombei, Me Garanto e outras.“É muito importante ter esse tipo de música porque existem muitas meninas frustradas precisando de uma palavra de conforto. E a mídia e a sociedade reforçam esse padrão e criam pessoas frustradas. Eu já passei por isso. Quando eu era mais nova, me sentia muito mal por ser diferente. Por isso, resolvi escrever músicas que ajudassem outras meninas que sentiam a mesma coisa que eu. Acredito que quando a gente ouve uma música com palavra de conforto, de alguém que te entende, a gente pode se sentir melhor”, explica a cantora. É, patriarcado: aceita porque dói menos!

5) Iara Rennó - Mama-me

Mama-me é a canção que abre o álbum Arco, novo trabalho de Iara Rennó. Seu clipe, dirigido por Milena Correio, aborda o empoderamento e a liberação sexual das mulheres a partir da nudez. Artistas de diferentes idades estão com os seios à mostra na performance em vídeo (incluindo as cantoras Bárbara Eugênia, Juliana Perdigão e a poeta Alice Ruiz). Batizada pela cantora de Manifesto Mamaísta do Movimento Peitista, a perfomance é "uma ode à liberdade e ao prazer para todas as mulheres e todos os gêneros e transgêneros".

BÔNUS - MC Carol - Delação Premiada

Aqui não temos um clipe, mas uma música que merece muito a sua atenção. Já falamos sobre Delação Premiada aqui, porém vale o reforço. Nessa nova música de trabalho, MC Carol crítica a violência policial nas favelas cariocas e o tratamento diferenciado que empresários e políticos criminosos recebem da Justiça no Brasil - em especial os investigados pela Operação Lava Jato. Sob uma poderosa batida de trap funk, ela relembra ainda bota o dedo em outras feridas brasileiras, como o sumiço do pedreiro Amarildo (depois de ser levado a uma Unidade de Polícia Pacificadora em 2013) e a morte do dançarino DG.

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