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Por que os homens não gostam de ir ao médico

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Os homens tendem a morrer mais jovens que as mulheres, têm mais chances de morrer de oito das dez maiores causas de morte nos EUA que as mulheres e também têm mais chances de fumar e beber em excesso.

Cientistas acham que vários fatores são responsáveis pela morte precoce dos homens, incluindo o fato de que eles tendem a se arriscar mais, a ter menos vínculos sociais e a ter empregos mais perigosos que as mulheres.

Mas há outro problema que é muito simples e fácil de resolver: os homens não vão ao médico com a mesma frequência que as mulheres, simplesmente.

De acordo com uma pesquisa de 2014 dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, a probabilidade de homens irem ao médico durante um período de dois anos é 50% menor que a das mulheres. Os homens têm três vezes mais chances de admitir que passaram cinco anos sem ir ao médico. E, finalmente, os homens têm o dobro de chances das mulheres de dizerem que nunca na idade adulta tiveram contato com um médico ou profissional de saúde. Nem uma única vez.

Uma nova pesquisa online encomendada pelo sistema hospitalar Orlando Health nos dá uma ideia do porquê de os homens às vezes relutarem tanto em ir ao médico. Segundo a pesquisa, diversos fatores os mantêm longe dos consultórios médicos: coisas demais a fazer, medo, vergonha e desconforto.

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Conheça os médicos que querem soar o alarme sobre a saúde dos homens

O sistema hospitalar Orlando Health encomendou a pesquisa à Harris Poll para promover a conscientização do público durante a Semana Nacional da Saúde Masculina. Os médicos Jamin Brahmbhatt e Sijo Parekattil, dois ativistas da saúde masculina e fundadores da Clínica de Urologia Personalizada e Robótica da Orlando Health, estão levando os resultados da pesquisa para a estrada para incentivar os homens a encarar seu medo do médico e marcar aquela consulta que pode salvar sua vida.

Os médicos estão fazendo “The Drive For Men’s Health”, uma viagem de dez dias e 10 mil quilômetros pelo país para motivar os homens a levar sua saúde a sério. É a terceira vez que a dupla leva sua mensagem para a estrada.

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O Dr. Sijo Parekattil e o Dr. Jamin Brahmbhatt exibem seus músculos e seu emagrecimento (juntos, perderam 40 quilos) numa foto para promover o 2016 Drive for Men’s Health.

Como os homens aos quais quer transmitir sua mensagem, Brahmbhatt confessou que ele próprio tem alguns dos mesmos temores e inseguranças que impedem as pessoas de procurar um médico –especialmente o medo do exame retal ou de ficar nu, de modo geral. Como ele recebe atendimento médico no próprio hospital em que trabalha, Brahmbhatt admitiu que se sente constrangido em tirar a cueca diante de um colega.

“Você expõe as partes mais sensíveis de seu corpo para serem examinadas”, ele explicou ao Huffington Post. “Mas nós, como médicos, temos muita consciência da sensibilidade desses órgãos, então não vamos machucar você.”

Não há dúvida de que esses checapes podem salvar vidas. Um dos pacientes de Brahmbhatt, um homem chamado Steve, estava em ótima forma física: era bombeiro e adepto da malhação. Mas quando Steve notou uma pelota em um de seus testículos, inicialmente optou por ignorá-la. Quando ele finalmente foi ao consultório, Brahmbhatt o examinou, pediu exames e acabou fazendo o diagnóstico: câncer testicular.

“Se ele tivesse esperado mais seis meses ou um ano, o câncer teria se espalhado para o resto de seu corpo, sem dúvida alguma”, falou Brahmbhatt.

Com que frequência os homens devem ir ao médico?

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A frequência com que o homem deve marcar um checape preventivo depende muito de sua idade e sua saúde, fato que explica as diretrizes complexas sobre isso. Os homens precisam consultar seu clínico geral para ele traçar um cronograma de checapes adequado à saúde e ao estilo de vida de cada um. Seu médico fará um plano individualizado para você, baseado nas seguintes diretrizes:

A cada dois anos...

Os homens dos 18 aos 39 anos de idade devem medir sua pressão sanguínea a cada dois anos, mas se a pressão chegar a um certo patamar, precisará ser medida anualmente.

A cada três anos...

Os homens com 45 anos ou mais devem fazer exames de sangue a cada três anos para descobrir se estão com diabetes. Se estiverem acima do peso, os exames regulares devem começar antes disso.

De cinco em cinco anos..

A partir dos 35 anos os homens devem fazer exames de colesterol e para prevenção de doenças cardíacas a cada cinco anos. Se tiverem diabetes, esses exames precisam ser feitos com mais frequência.

Os homens sem histórico familiar de câncer do cólon ou pólipos devem fazer exames para a verificação de câncer colorretal a cada cinco e dez anos entre os 50 e 75 anos de idade. Se tiverem histórico familiar da doença, os exames precisam começar antes.

Agora...

Não importa qual seja sua idade, se você nunca foi ao médico desde que chegou à idade adulta, marque uma consulta para o quanto antes, aconselhou Brahmbhatt. Juntos, você e o médico poderão traçar um programa de exames e consultas preventivos, adequado à sua idade e sua saúde, para proteger aquilo que ele descreveu como “seu bem que não tem preço”.

“Não dá para alugar outro corpo ou usar o corpo de outra pessoa”, concluiu o médico. “Seu corpo é tudo o que você possui, então por que não cuidar bem dele, assim como cuida de tudo fora seu corpo que tenha etiqueta de preço?”

É claro que a culpa é pelo menos em parte do patriarcado.

O professor Glenn Good, especialista em masculinidade e psicologia masculina na Universidade da Flórida, disse que os homens recebem mensagens muito fortes e claras sobre como devem exibir sua masculinidade e esconder sua vulnerabilidade, e praticamente tudo o que é envolvido numa ida ao consultório médico contraria essas normas rígidas sobre os papéis de gênero. Good não participou da pesquisa, mas disse que os resultados não o surpreenderam.

“Ir ao médico envolve algumas coisas que podem ser incômodas para os homens”, ele explicou. “Os homens não gostam de pedir orientações e não querem ser obrigados a consultar um especialista para falar de algo sobre o qual sabem menos que ele.”

E, embora a cara mais conhecida da vergonha do próprio corpo possa ser feminina, já que as mulheres são alvos de críticas pesadíssimas por sua aparência e seu peso, isso não significa que os homens também não sofram com as expectativas em relação à sua aparência corporal. Para Good, isso explica a relutância de alguns homens em descobrir seu peso quando vão ao médico.

Ele explicou que, se quiserem sentir-se à vontade em ir ao médico, os homens precisam repensar a ideia que fazem da força. Uma pessoa verdadeiramente forte e saudável não se preocupa apenas com sua auto-imagem, mas abraça os cuidados rotineiros com a saúde, a consulta a profissionais de saúde e hábitos diários saudáveis para verdadeiramente proteger seu corpo.

“Uma metáfora útil é a da árvore”, ele disse. “Uma árvore que é realmente forte consegue dobrar-se diante do vento, mas uma árvore rígida e dura corre risco maior de ser partida.”

Arte de Alissa Scheller para Huffington Post.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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