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Australianos chamam Vila Olímpica de 'inabitável' e Paes ironiza críticas

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EDUARDO PAES
Ricardo Moraes / Reuters
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O alojamento dos atletas olímpicos virou motivo de polêmica neste domingo depois que a delegação da Austrália afirmou que a Vila Olímpica do Rio "não está segura e nem pronta" para os Jogos Olímpicos que começam no próximo mês, se recusando a ocupá-la.

"Devido a uma série de problemas na Vila, incluindo gás, eletricidade e encanamento, eu decidi que nenhum membro do time australiano vai se alojar no prédio destinado aos nossos atletas", disse Kitty Chiller, chefe da delegação da Austrália, neste domingo.

Ela afirmou que os problemas incluem "banheiros trocados, vazamento em canos e fios expostos." Alguns apartamentos da Vila Olímpica tinham vazamentos de água pelas paredes e "um cheiro forte de gás", enquanto as caixas de escada não estavam iluminadas e os assoalhos precisavam de muita limpeza, acrescentou Chiller.

Em visita ao espaço, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), minimizou as críticas.

"Esta vila é melhor que a [da Olimpíada] de Sydney [em 2000]. É natural que haja ajustes a fazer. Estou quase botando um canguru na frente do prédio deles [Austrália] para ficar pulando e eles se sentirem em casa", afirmou.

Os primeiros atletas australianos a desembarcarem no Rio deveriam ocupar a Vila a partir do dia 21 de julho, mas acabaram se alojando em hotéis próximos. Os Jogos começam no dia 5 de agosto.

Os organizadores da Rio 2016 não responderam a reportagem, mas uma pessoa ligada à organização disse à Reuters que o problema é de conhecimento da administração e estão trabalhando para resolvê-lo.

"As luzes, camas e ar condicionados estão prontos, mas ainda faltam alguns detalhes", disse a fonte sob condição de anonimato. "Existem realmente detalhes de última hora, que serão finalizados nesta semana."

Chiller, que irá reavaliar a situação ainda neste domingo, disse que trata desses temas, que considera preocupantes, diariamente junto aos organizadores e ao Comitê Olímpico Internacional, e estava "lutando muito por uma solução."

A Austrália está trazendo 410 atletas para o Brasil, o mesmo número de Londres em 2012, ocasião em que a delegação terminou em oitavo lugar no quadro geral de medalhas.

Um contingente extra de manutenção e mais de 1.000 faxineiros foram colocados para consertar os problemas e limpar a Vila, disse Chiller, mas os problemas, especialmente nos encanamentos dos apartamentos, não foram resolvidos.

O fato é que esse tipo de problema não é raro no Brasil, onde encanamentos estreitos e de má qualidade fazem com que moradores joguem papel higiênico em cestos de lixo, em vez de darem descarga.

O time australiano está arranjando alternativas assim que atletas do país chegam ao Rio. Para os que chegarem nos próximos três dias, haverá alojamento em hotéis próximos.

Chiller disse que as delegações de Nova Zelândia e Grã Bretanha estão vivendo problemas parecidos, mas membros da delegação britânica evitaram reclamações. Uma equipe de britânicos já está no Rio há quatro dias e disse que apenas pequenos problemas no encanamento e na eletricidade foram detectados.

"Nós temos certeza que o alojamento está pronto para receber atletas e terá padrão máximo dentro da Vila", disse o diretor de comunicação da delegação britânica, Scott Field. "Embora tenhamos encontrado alguns problemas de manutenção, isso não é incomum em se tratando de novos prédios dessa natureza e estamos trabalhando duro para superá-los."

As reclamações australianas encontram respaldo em algumas reportagens da mídia local dizendo que algumas delegações, preocupadas com questões semelhantes, procuraram contratar suas próprias equipes de manutenção para deixar o alojamento adequado para os atletas.

Na Copa do Mundo de 2014, no Brasil, aconteceram questões semelhantes, com equipes de manutenção fazendo ajustes em estádios ainda horas antes dos jogos.

Os problemas não são os primeiros a afetar os australianos que vieram ao Brasil para os primeiros Jogos Olímpicos realizados na América do Sul. Um velejador paralímpico e outro membro da delegação foram roubados a mão armada em junho, fazendo com que Chiller pedisse mais segurança para os atletas.

A questão da segurança preocupa as autoridades no Rio de Janeiro, que no último mês declarou estado de emergência financeira para conseguir atender às obrigações para os Jogos Olímpicos.

Dezenas de milhares de homens do Exército e agentes da polícia estão espalhados pela cidade neste domingo, para mostrar que a segurança é prioridade nos Jogos.

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