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Para Serra, México 'é um perigo': 'Descobri que quase a metade dos senadores são mulheres'

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JOS SERRA
Rovena Rosa / Agência Brasil
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Em mais um episódio de machismo, o ministro de Relações Exteriores, José Serra, brincou sobre estar com medo das mulheres na políticas no México, ao descobrir a expressividade da representação feminina.

"Devo dizer, cara ministra, que o México, para os políticos homens no Brasil, é um perigo porque descobri que aqui quase a metade dos senadores são mulheres", disse Serra à secretária de Relações Exteriores do México, Claudia Ruiz Massieu, de acordo com a agência de notícias France-Presse.

O senador licenciado reforçou o convite à sua colega para os jogos olímpicos no Rio, mas advertiu: "quero muito que você vá, mas será um perigo porque chamará a atenção para este assunto", afirmou em referência à participação feminina na política mexicana.

Serra reconheceu que no Brasil há menos de 20% de senadoras e jamais houve uma ministra das Relações Exteriores, mas recordou que a agora afastada Dilma Rousseff foi presidente do país a partir de 2011.

Em dezembro, ainda no cargo de senador, o tucano chamou a então ministra da Agricultura, Katia Abreu de “namoradeira” durante jantar na casa do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE). Ela reagiu jogando uma taça de vinho em Serra.

O ministro está em viagem ao México desde segunda-feira para uma série de encontros bilaterais.

Sem ministras no governo interino de Michel Temer, o Brasil despencou 22 posições no ranking de igualdade de gênero do Forum Econômico Mundial.

Segundo a organização, o país deve cair da 85ª posição para a 107ª na próxima publicação do Índice Global de Desigualdade de Gênero, que é feita anualmente.

Desde a ditadura militar, quando a primeira ministra foi nomeada, no início da década de 1980, esta é a primeira vez que um governo não tem uma titular na Esplanada.

Cotas

Apesar de serem 52% do eleitorado, a representatividade feminina está longe disso também nos cargos eleitivos.

Na Câmara, apenas 9,9%, representam o sexo feminino. No Senado, dos 27 parlamentares eleitos em 2014, cinco são mulheres, o que corresponde a 18,5% do total. A primeira senadora foi eleita apenas em 1990 e até este ano o plenário da Casa não tinha um banheiro feminino.

Ainda que obrigatória desde 2009, a cota mínima de 30% de candidatas mulheres só passou a ser cumprida por todos partidos em 2014. A regra vale para cargos de deputado federal, estadual e distrital e vereador.

Em 2015, a bancada feminina tentou aprovar uma cota mínima na eleição durante os debates da reforma eleitoral, mas foi vencida no plenário da Câmara.

Em junho deste ano, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou três propostas de emendas à Constituição (PECs) sobre a criação de cotas para mulheres no poder Legislativo. O tema ainda passa por uma comissão especial antes de chegar ao plenário da Casa.

Aprovada pelo Senado, a principal proposta prevê a reserva de cotas na Câmara dos Deputados, Assembleias Legislativas, Câmara Legislativa do Distrito Federal e Câmaras Municipais pelas próximas três legislaturas após a aprovação. O percentual subiria de 10% para 12% e 16%, sucessivamente.

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