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Pornô feminista ajuda sobreviventes de violência sexual a redescobrir o prazer

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ADRIAN SAMSON VIA GETTY IMAGES
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Você não precisa consultar a série de estatísticas disponíveis sobre violência sexual para saber que o crime é uma força imponente, que pode atordoar e tolher suas vítimas, que pode demandar esforço para superar o passado.

Recentemente, a mídia tem dado voz às sobreviventes de estupro, encorajando-as a falar sobre suas experiências como forma de seguir em frente e informar o público sobre perdas específicas sofridas devido à agressão. Jessica Knoll, autora de Uma Garota de Muita Sorte (Editora Rocco), confessou recentemente na newsletter Lenny Letter, de Lena Dunham, que um crime detalhado em seu livro — um violento estupro coletivo — aconteceu, na verdade, com ela.

Uma mulher atacada por um estudante da Universidade Stanford, Brock Turner, expressou sua raiva em relação à branda sentença dada a ele no site BuzzFeed. E essas poderosas confissões são apenas a onda mais recente de protestos públicos.

Em 2014, ciente dos poderes de cura do debate, a enfermeira Pavan Amara, residente em Londres, fundou a My Body Back, uma organização dedicada a oferecer serviços de assistência médica a vítimas de estupro.

Além de exames cervicais e testes para detectar doenças sexualmente transmissíveis, esses serviços atendem necessidades de saúde mental. A organização também promove um encontro trimestral, chamado de Café V, cujo objetivo é ajudar mulheres a amar seus corpos depois de uma agressão sexual.

As sessões exploraram novas formas de atingir o orgasmo, experimentando o BDSM (sigla em inglês para Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo), fantasias e memórias.

As mulheres diziam que queriam ficar excitadas visualmente, mas sentiam que não podiam ver pornografia, porque a consideravam de natureza violenta e fazia com que lembrassem de quando foram atacadas.

Ao longo de várias sessões, a equipe da My Body Back percebeu uma tendência sobre como as frequentadoras preferiam se reintroduzir ao sexo. Embora a narrativa sobre o prazer feminino — informada, em parte, por pesquisa psicológica e, em parte, por mitologias exageradas — levasse à percepção de que as mulheres preferem o sexo como casal, muitas mulheres do Café V preferiam se masturbar como forma de reintrodução ao prazer.

“Muitas mulheres que frequentam o Café V disseram que não queriam necessariamente um parceiro e ficariam felizes em se masturbar para entender o que elas gostavam sexualmente depois de ser estupradas, como se não precisassem da complicação das necessidades sexuais de outra pessoa”, disse Ella Eora, gerente do novo braço da organização, o The Clit List.

“As mulheres diziam que queriam ficar excitadas visualmente, mas sentiam que não podiam ver pornografia, porque a consideravam de natureza violenta e fazia com que lembrassem de quando foram atacadas.”

Isso trabalha contra noção popular e, talvez, controversa, de que os homens são “visuais”, enquanto as mulheres precisam de uma conexão emocional — ou pelo menos uma narrativa — a fim de obter prazer com o sexo.

Para tentar preencher o vácuo do estímulo visual para as mulheres, especialmente aquelas à procura de um espaço seguro para redescobrir a própria sexualidade, a My Body Back criou o The Clit List, um recurso on-line para sobreviventes de agressão sexual em busca de conselhos, tutoriais e pornografia que não despertem lembranças dolorosas.

O site oferece qualquer tipo de pornografia que não seja considerada patriarcal e, especialmente, vídeos produzidos por mulheres.

texto

19 de junho de 2016
Linda Agonia

Para aqueles que querem um site pornô elegante, baseado na teoria de que o erotismo humano não é focado na pele nua ou atos sexuais, e sim no envolvimento com a face.

Ao mostrar apenas vídeos dos rostos das pessoas enquanto se masturbam, o site é explícito, mas sem mostrar órgãos genitais ou casais tendo relações. Assim, isso é fantástico para os indivíduos mais exigentes que gostariam de ser sexualmente estimulados, só que de uma forma autêntica e conectada.

O site aceita o registro de espectadores de todas as formas, tamanhos, idades, gêneros e origens. Os filmes têm, normalmente, de 4 a 10 minutos.

E a assinatura custa US$ 8 por mês, que pode ser cancelada e reembolsada em até sete dias caso o espectador não esteja satisfeito. O site oferece algumas amostras de vídeos antes de o usuário decidir assinar o serviço.

Classificação explícita: *

masturbação

13 de junho de 2016
Masturbação Sensual Hipnotizante

Como o título descreve, este clipe é focado em um casal inter-racial nu, onde a mulher passa um tempo gentilmente massageando o homem. É recomendado para quem está buscando um filme sensual e lento, sem a relação sexual explícita.

É também um vídeo instrutivo maravilhoso para quem busca dicas de como reservar um tempo para dar prazer ao parceiro antes do ato sexual.

Com o homem deitado de bruços, a mulher desliza levemente uma grande pena sobre o corpo dele até [o minuto] 2:25, quando então ela espalha óleo ao longo do corpo do parceiro, massageando lentamente todos seus músculos e parando no pênis e escroto, o óleo destacando a beleza de sua pele escura.

Aos 13:25, o homem deita de costas e a mulher continua a massagear profundamente seu corpo e partes íntimas. Aos 18:00, ela começa a focar principalmente no pênis, levando-o ao clímax aos 29:40.

Não há diálogos, embora uma música de meditação seja usada ao longo do vídeo.

Duração: 31:35

Classificação explícita: *

O restante do site pode mostrar conteúdo provocador.

“A pornografia ‘mainstream’ tende a ser caracterizada por atrizes jovens, notoriamente sexualizadas e, muitas vezes, tratadas com violência”, disse Eora.

“Estamos focando no pornô que é positivo em relação ao corpo, onde as mulheres são participantes reais que recebem prazer. Como resultado, qualquer conteúdo que seja misógino, de objetificação, antiético ou violento não é incluído.”

O serviço chega em um momento em que o estigma envolvendo mulheres que veem pornografia finalmente perdeu força. Uma pesquisa publicada pelo The New York Times, no final de 2015, revelou que 1 em cada 3 mulheres assiste a vídeos pornográficos pelo menos uma vez por semana. As mulheres produtoras de pornografia e as defensoras do pornô feminista não são mais revolucionárias radicais.

“Esperamos que este projeto dissipe a atual percepção de que o pornô é coisa de homem, que não pode ser usado por mulheres para explorar sua sexualidade”, disse Eora.

Mas o que torna o pornô — notoriamente focado na objetificação — exatamente feminista?

Excluindo ações que podem ser diretamente classificadas como degradantes, oThe Clit List onsidera a escolha como essencial.

Em vez de excluir todos os vídeos mostrando a dinâmica do poder como o BDSM, o site explicitamente classifica cada vídeo de acordo com o conteúdo de cada um deles — posições, frases, papéis desempenhados nos cenários. Essas classificações permitem que os espectadores naveguem com segurança.

“O importante é que as mulheres sejam efetivamente informadas sobre o conteúdo pornô, de modo que sejam empoderadas para fazer as próprias escolhas”, disse Eora. “Se for benéfico para as mulheres que estiverem acessando, é adequado.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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