Huffpost Brazil

Vamos falar de esquizofrenia com compreensão e sem estigmas?

Publicado: Atualizado:
ESQUIZOFRENIA
iStock
Imprimir

Cerca de uma em cada 100 pessoas terá esquizofrenia no decorrer da vida; ainda assim, a doença continua sendo um dos transtornos mentais mais estigmatizados e incompreendidos.

Para esclarecer alguns equívocos a respeito da doença, três pessoas que sabem exatamente o que é viver com esquizofrenia compartilharam suas experiências.

Existem vários tipos de esquizofrenia, cada qual com diferentes características.

Rebecca Dignum foi diagnosticada com transtorno esquizoafetivo, que pode causar sintomas de esquizofrenia e bipolaridade, depois de seu primeiro episódio psicótico, em novembro de 2011, quando tinha 20 anos.

“O que realmente me frustra são as pessoas que não entendem”, disse ao The Huffington Post UK.

“É a atitude, as suposições que as pessoas fazem porque não entendem sua doença.”

rebecca dignum

De acordo com o Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês) do Reino Unido, a esquizofrenia é uma doença de longo prazo que pode causar uma variedade de sintomas psicológicos, como alucinações, pensamentos confusos e delírios.

As pessoas muitas vezes erroneamente igualam a esquizofrenia ao comportamento violento, mas os portadores do transtorno raramente são perigosos.

Tim Salmon, que cuida do filho que sofre de esquizofrenia há mais de 25 anos, descreve o transtorno como “uma doença do cérebro”.

“Destrói a capacidade normal das pessoas de lidar com sensações comuns do cotidiano, ter amigos, um emprego, organizar coisas”, diz.

“De certa forma destrói a lógica do seu pensamento.”

Yvonne Stewart-Williams, que foi diagnosticada com esquizofrenia paranoide há 22 anos, diz que as pessoas com o transtorno têm necessidades que vão muito além da medicação, assim como qualquer pessoa.

“Preciso de qualidade de vida. Preciso de alguém que me ame, que cuide de mim, que pense em mim”, diz.

“Algumas pessoas precisam até mesmo de um parceiro. Não são animais, afinal de contas.”

“Me dê um pouco de dignidade, por favor.”

Uma coisa que afeta seriamente as vidas de pessoas como Rebecca, Yvonne e Tim são as verbas do governo destinadas à saúde mental.

Os centros de saúde mental na Inglaterra tiveram seus orçamentos cortados em mais de 8% entre 2014-2015 em comparação ao período 2010-2011 e, embora os os transtornos mentais respondam por 28% de todos os custos com doenças no Reino Unido, recebem atualmente apenas 13% do orçamento do NHS.

Segundo Tim, quando a pessoa é diagnosticada com esquizofrenia, recebe alta do hospital e, na maioria das vezes, é “deixada à sua própria sorte”.

“Recomendam uma pessoa que coordenará os cuidados, que será responsável por seu tratamento, mas, fora a medicação, você não recebe ajuda com as coisas que as pessoas realmente precisam de ajuda”, diz.

“[Coisas] como se manter limpo, manter a casa limpa, se alimentar corretamente. Tudo isso são coisas que as pessoas com esquizofrenia normalmente não conseguem lidar, e elas não recebem ajuda para isso.”

Saiba mais sobre a esquizofrenia nos site: Entendendo a esquizofrenia

A Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia (ABRE), com unidades em todo o país, divulga informações sobre a doença e desenvolve atividades com familiares e portadores, além de promover apresentações com depoimentos de pessoas afetadas pelo transtorno.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

LEIA MAIS:

- Quem foi Nise da Silveira, a mulher que revolucionou o tratamento da loucura no Brasil

- 'Ninguém suporta pessoas que dão respostas inadequadas para a vida', diz diretor de filme sobre Nise

- Ele ia se matar, mas foi salvo por um desconhecido. Agora ele dedica a vida a falar da saúde mental de crianças

Também no HuffPost Brasil:

Close
Homens famosos derrubam estigma da saúde mental
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção