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Haitiano morre queimado após acidente de trabalho em SC

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HAITIANO
Luciano Pontes/ Secom
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Jonas Duveaud foi enterrado nesta quarta-feira (27) em Itajaí, no norte de Santa Catarina.

Na gaveta onde agora descansa Duveaud , sequer há uma lápide para identificar que ali está o haitiano de 29 anos, morto após ter 90% do corpo, assim como as vias aéreas, queimados enquanto trabalhava em uma empresa de reciclagem de óleo.

Segundo o jornal local Diarinho, a Rode Removedora de Resíduos, local onde Duveaud trabalhava há cerca de um ano, não quis arcar com os custos da lápide do jovem, que deixou sua mulher e uma filha de três meses. A empresa pagou o transporte do corpo até o cemitério, uma coroa de flores e o caixão simples.

“O patrão não pagou a transferência, ficou se enrolando e a família não tinha dinheiro. Se tivessem cuidado, ele não teria morrido, mas ninguém ia tirar o dinheiro do bolso pra ajudar. Não fazem porque são humanos, fazem só o que tá na lei”, disse Jemerçon Stvil, primo da viúva de Duveaud ao Diarinho sobre uma eventual transferência do jovem a um centro especializado.

De acordo com o G1 Santa Catarina não há leitos no estado para transferência. A Secretaria de Saúde de Santa Catarina se defendeu, e disse que a transferência não era possível por conta do estado grave de saúde da vítima.

Colega de Duveaud, Amos Fértil, de 26 anos, também se feriu após a explosão do equipamento de perfuração, ocorrida no último dia 13. Fértil continua internado no hospital Maternidade Marieta Konder Bornhausen em estado gravíssimo, e já passou por pelo menos sete cirurgias. Além das queimaduras, ele sofreu traumatismo cranioencefálico.

Segundo informações da RBS TV, os bombeiros realizaram uma perícia no local, e o resultado deve ficar pronto em duas semanas.

Dependendo das conclusões da perícia, outros órgãos podem ser acionados para investigar o acidente. De acordo com informações do Diarinho, o Ministério Público do Trabalho também vai investigar as condições de trabalho na empresa onde os dois se acidentaram, especialmente para saber se os equipamentos de proteção individual foram fornecidos aos trabalhadores envolvidos no acidente.

A Comissão dos Direitos Humanos e a Comissão de Relações Internacionais da OAB de Itajaí afirmou que está acompanhando o caso, e que a assistência prestada pela empresa foi adequada. "Todas as questões estão sendo tratadas verbalmente e com êxito”, explicou Jamila Samantha Jakubowsky Garcia ao site Noticia Já.

O HuffPost Brasil entrou em contato com a empresa por telefone, mas até a publicação dessa matéria não foi atendido.

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