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Andrea James, ativista trans: 'Minha filosofia é incomodar os acomodados e tranquilizar os aflitos'

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ANDRREA JAMES
Andrea James no debate da Intelligence Squared, em Sydney | ETHICS CENTRE
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Andrea James pode não ter um nome instantaneamente reconhecível como Laverne Cox ou Caitlyn Jenner, mas há poucos ativistas que fizeram tanto para conectar, educar e ajudar a comunidade trans como esta escritora, produtora e educadora nas últimas décadas.

James, juntamente com outros proeminentes ativistas como Kate Bornstein, usou a Internet para conectar as pessoas trans e de gênero não conformativo para facilitar as discussões sobre as experiências trans bem antes do espaço online se tornar regulamentado ou corporativizado. Seu próprio site, Transsexual & Transgender Road Map, foi um dos primeiros a focar na educação de indivíduos sobre os aspectos práticos da transição.

James se define como uma ativista do consumidor que trabalha com assuntos trans; a maior parte de seu trabalho acontece nos bastidores, mas é monumental em seu significado para a comunidade queer.

Nesta entrevista com o Huffington Post, James reflete sobre sua jornada desde que saiu do interior do estado de Indiana, nos EUA, até onde se encontra hoje, o estado atual da política trans e seu legado como escritora, produtora, educadora e muito mais.

andrea james

The Huffington Post: Você poderia identificar o início de sua carreira? Quais foram alguns dos primeiros momentos que definiram você como ativista trans, escritora, produtora de filmes e porta-voz da comunidade?

Andrea James: Minha carreira como escritora começou no ensino médio, no interior de Indiana. Dois professores notáveis escolheram quatro estudantes de nossa escola para colaborar em um livro sobre a história de um campo militar local. Aquilo se expandiu em um projeto colaborativo incrível.

Desde então, me interessei cada vez mais em escrever e no jornalismo. Comecei a trabalhar com computadores em 1979 e me mantive como uma das pioneiras desde então. Ganhei meu Prêmio Phi Beta Kappa na faculdade por digitalizar a produção de todas as publicações de estudantes.

Até então, eram basicamente produções de copiar e colar. Estava planejando ensinar inglês, mas, ao entrar na pós-graduação, não gostei do clima político sufocante. Ironicamente, trabalhar no Chicago Tribune me convenceu a deixar o jornalismo como carreira em tempo integral.

Mesmo em 1990, já sabia que os jornais não eram negócios sustentáveis da forma como operavam. Então comecei a trabalhar em publicidade, onde realmente aprendi a escrever e ganhar dinheiro suficiente para fazer a transição com sucesso, ao mesmo tempo mantendo meu trabalho com anúncios.

andrea james_1998
James em 1998

Um colega de faculdade começou a trabalhar na America Online em 1993, e o Tribune estava colaborando com eles para um serviço de entrega de conteúdo específico, então comecei a ver que a Internet ia mudar tudo.

A primeira vez que estive on-line, soube sem sombra de dúvida que ia ser a invenção historicamente mais importante da minha vida, e também a mais importante para as pessoas trans. Naquela época, era uma violação dos termos de serviço da AOL iniciar discussões com os nomes contendo “transexual” ou “transgênero”.

Muitos proeminentes ativistas estavam na AOL naquele início, incluindo Kate Bornstein e Gwen Smith, que lideraram os esforços para mudar a política da AOL e criar um Fórum da Comunidade Transgênero. Ao mesmo tempo, vários ativistas estavam expandindo grupos de discussão para pessoas trans na Compuserve, BBSes e Usenet, que eram muito mais descontraídas e animadas.

feminilização
Resultados da feminização facial, consultório do Dr. Douglas Ousterhout, 1997

Eu me considero uma ativista do consumidor que trabalha com assuntos trans, não uma ativista dos trans. Acredito que Ralph Nader seja o maior americano vivo. Quando estava em transição, escrevi o que gostaria de ter encontrado como uma criança em busca de informações práticas sobre transição.

Antes disso, nossa sabedoria coletada da comunidade era em grande parte uma tradição oral. Meu site passou a ser um dos maiores para o consumidor sobre os aspectos práticos da transição, e ajudei a transição de uma geração de forma eficiente e a manter seus empregos.

Ajudei milhares de pessoas a economizar tempo e dinheiro e evitar a dor de cabeça de serem exploradas. Popularizei a feminização facial, depois de colocar fotos dos meus resultados on-line. Por cerca de dez anos, passei horas respondendo e-mails para tentar fornecer informações e recursos para os leitores.

Minha lógica era que, se tivéssemos uma população suficiente de pessoas trans estáveis financeiramente, poderíamos apoiar uma classe profissional de lobistas, ativistas, profissionais das áreas jurídica e médica, e artistas. E acabou sendo verdade! Há anos não trabalho com edição, mas ainda estou entre os Top 40 em artigos e redirecionamentos.

encontrando sua voz
Finding Your Female Voice ("encontrando sua voz feminina", em livre tradução), vídeo lançado em 2002

Minha carreira como cineasta começou em 2002, com uma virada total da profissão aos 35 anos. Havia filmado por muitos anos anúncios que escrevia em Los Angeles, mas os dois setores operam de maneira muito diferente. Na época, parecia ser o próximo grande desafio a ser enfrentado em nossa comunidade.

2012
James em 2012

Que papel Hollywood e a indústria de entretenimento desempenharam em sua jornada para que você vivesse como seu autêntico eu?

É difícil imaginar o quão difícil era encontrar informações sobre assuntos trans crescendo nas décadas de 70 e 80, e muito menos nos vermos na mídia. Minha biblioteca local não tinha nada, e eu não tinha coragem de perguntar ao bibliotecário.

De vez em quando, aparecia alguma coisa em uma revista, mas nosso jornal local nunca discutiu o assunto, a menos que uma coluna do tipo Dear Abby [de conselhos] recebesse uma carta sobre isso. Sabia que a transição era possível, mas não tinha a menor ideia como. Os únicos dois livros que encontrei que mencionavam pessoas trans foram Tudo o que Você Quis Saber sobre Sexo Mas Tinha Medo de Perguntar e The Book of Lists 2.

O primeiro tinha um par de páginas muito impiedosas no fim do capítulo “homossexualidade”, e o último tinha uma lista de 10 Transexuais Renomados. Eu lia a lista quase todos os dias. Tínhamos cinco canais de TV se o tempo estivesse bom. Nenhuma forma de gravar a TV.

Nem mesmo um controle remoto para mudar os canais. A única esperança era que o Guia da TV mencionasse algo. Normalmente era um programa de entrevistas diurno como Donahue, quando eu estava na escola. Uma vez [o programa] Real People ou um de seus concorrentes mostrou um casal trans onde ambos estavam em transição.

Foi a única que vez me lembro de ver alguma coisa, exceto por uma menção ocasional à jogadora de tênis Renee Richards [transexual que ficou famosa na década de 70]. Claro, estava assistindo com meus pais, então apenas sentava completamente imóvel, esperando que eles não notassem o quão intensamente eu estava assistindo.

2007
Andrea James na premiere de Casting Pearls, em 2007

Sempre amei filmes, e assistia a uma tonelada de TV quando criança. Era o melhor escapismo disponível. Quando mudei para Chicago, assisti a Paris Is Burning e Traídos pelo Desejo e amei ambos.

Uma pessoa em minha agência saiu para trabalhar como cineasta, e o diretor John Hughes havia começado no mundo da publicidade em Chicago e ficado famoso, então eu tinha em mente que a publicidade era a preparação para uma carreira cinematográfica. Na época em que fiz a transição, dois filmes lançados tiveram um profundo impacto em mim:

Minha Vida em Cor de Rosa e Meninos Não Choram. Ambos eram profundamente comoventes, mas Meninos Não Choram realmente me inspirou. O filme me fez pensar: “Deveria estar fazendo isso”. Desde então tive a honra de conhecer a diretora Kimberly Peirce e a agradeci por ser de tamanha inspiração.

Você fundou a Deep Stealth Productions junto com Calpernia Addams. Por que assumiram essa empreitada? Qual foi o objetivo inicial? Quais foram as mudanças de visão desde então?

calpernia addams e andrea james
Calpernia Addams e Andrea James, em Chicago ,1999

Conheci Calpernia em 1999, logo depois de seu namorado ter sido morto por soldados em sua unidade. Tínhamos amigos em comum em Chicago, e ela precisava esquecer tudo relacionado a Nashville.

Ela havia sido tratada muito desrespeitosamente pela mídia e não tinha nenhuma experiência para lidar com nada daquilo, até que caiu no escrutínio da imprensa. Quanto mais saíamos, mais eu pensava: “Por que estou vendendo cereais e cerveja quando as pessoas trans são constantemente maltratadas e mal representadas pela mídia?”.

Ela acabou se mudando para Chicago, e começamos a falar sobre criar alguns vídeos instrutivos para as pessoas trans. O [canal] Showtime também estava preparando a produção Soldier’s Girl, e vi como a arte podia transformar uma horrível tragédia em oportunidade para mudar os corações e mentes sobre as pessoas trans e aqueles que nos amam.

andrea james_ eve ensler e lynn conway
Andrea James, Eve Ensler e Lynn Conway, em 2004

Reduzi meu salário em 90%, compramos um monte de equipamentos e nos mudamos para Los Angeles. Produzimos os primeiros Monólogos da Vagina totalmente trans com Eve Ensler como nosso primeiro projeto. Isso apareceu no documentário Beautiful Daughters.

Felicity Huffman entrou em contato comigo depois de ver meu vídeo instrutivo Finding Your Female Voice, e acabamos trabalhando com ela em “Transamerica”. Passamos anos fazendo propostas e nos acostumando a ser rejeitadas e fizemos um curta-metragem sobre isso chamado Casting Pearls, extraído de um de nossos roteiros.

Quando a Logo TV foi lançada como canal, Beautiful Daughters e Casting Pearls foram as primeiras aquisições.

Durante a greve dos escritores em 2007, a Logo aprovou uma proposta de série com um roteiro, mas estavam mais interessados em uma programação improvisada, incluindo uma versão trans de The Bachelor.

Houve uma versão britânica realmente exploradora, e queríamos fazer uma com uma “bachelorette” ["solteira"] trans.

Gostaria de falar sobre o trabalho único que tem feito ao longo dos anos, ajudando as empresas a se tornar mais sensíveis e acomodando as necessidades de pessoas trans e de gênero não conformativo. Como entrou nesse segmento? O que isso implica? Como têm sido suas experiências?

apresentação
Joanne Herman, Sarah, Donna Rose, Calpernia Addams, Amanda Simpson e Andrea James depois da apresentação de Andrea e Calpernia na Out & Equal, em 2006

Uma boa parte da defesa corporativa dos direitos trans que faço é coberta por NDAs [acordos confidenciais]. Meu ativismo corporativo tem duas partes. Uma é ajudar as pessoas a manter seus empregos durante e depois da transição.

Isso significa a divulgação para organizações e empresas que trabalham para que isso aconteça, quer se trate de palestras em organizações não governamentais como a Out & Equal ou indo ao local como em empresas como Warner Brothers e P&G.

Acredito que as pessoas trans têm uma vocação especial por trabalhos que exijam pensamento analítico e criativo. É por isso que as pessoas trans têm um melhor desempenho em campos que envolvam idiomas: escrita, música, codificação informática, engenharia e artes visuais.

Quando os empresários notam que as pessoas trans são boas para seus lucros, é uma situação vantajosa para ambos os lados. Tenho orgulho de ter participado em alguns programas de diversidade cultural ao longo dos anos, para que os funcionários trans tenham mais facilidades no trabalho.

A outra parte do meu trabalho é ajudar empresas voltadas ao consumidor a melhorar seus produtos e serviços para que sejam mais adaptadas às pessoas trans.

Isso inclui a consultoria para muitos projetos de mídia, checando "bandeiras vermelhas" [possíveis problemas], mas também significa educar as empresas sobre os benefícios dos consumidores trans. Os transgêneros americanos têm um poder de compra de cerca de 50 bilhões de dólares (cerca de R$ 160 bilhões), e que pode chegar a 70 bilhões de dólares.

Os segmentos de remoção do cabelo e cirurgia plástica estão muito mais adaptados aos trans devido ao meu esforço e de outros. No momento estou trabalhando com o Tinder para melhorar a experiência do usuário e refletir a moderna diversidade de sexualidades, bem como de identidade de gênero e expressão. Graças às pessoas trans que tornaram suas experiências públicas no Tinder, pude trabalhar diretamente com os desenvolvedores do Tinder sobre isso.

O ativismo efetivo requer agitação exterior bem como trabalho diplomático cara a cara interno. É um projeto muito interessante, porque existem cerca de 50 milhões de usuários ativos do Tinder, então isso terá um enorme impacto nas atitudes sobre as pessoas trans e provavelmente irá ajudar a reduzir o estigma e a vergonha que alguns sentem sobre se sentir atraídos por pessoas trans.

O que você acha sobre a “comunidade trans”, especialmente como é vista pela opinião geral? Como avalia a posição atual da “comunidade” e para onde para está indo?

A comunidade trans entrou numa fase decadente de ativismo em 2014. Ficamos inchados, preguiçosos e desviamos o olhar para o que interessava. Em 1999, nos unimos para fazer algo sobre a epidemia de violência antitrans, que resultou no Dia da Lembrança do Transgênero. Em 2003, juntamos forças para lutar contra a exploração acadêmica das pessoas trans.

A comunidade passou de uma frente unificada para feudos mesquinhos balcanizados. Sempre tivemos disputas destrutivas, mas desavenças sempre foram um elemento à margem, e nunca tivemos um problema com oportunistas como recentemente.

Essas distrações e erros significaram que fomos pegos de surpresa na reação inevitável que veio na forma de “projetos de lei de banheiros” [alguns estados americanos têm tentado aprovar leis que obrigam o uso de toaletes de acordo com o gênero do nascimento, indo contra uma reivindicação da comunidade trans]”.

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Andrea James, Joelle Ruby Ryan, Katrina Rose e Élise Hendrick, discutindo a exploração acadêmica das pessoas trans, na conferência da Associação Nacional de Estudos da Mulher, em 2008

Eu me preocupo que o mainstream atualmente pense que a comunidade trans, seja Caitlyn Jenner e sua trupe, quando a maior parte da comunidade seja mais como as mulheres de Transcendent, um programa para o qual eu faço consultoria.

Elas estão lidando com sérios desafios sobre assistência médica, moradia, emprego e segurança pessoal. Fiquei satisfeita em ver outros programas improvisados questionarem como somos vistos pelo mainstream, e agora mais programas com roteiros estão em desenvolvimento.

Como alguém que viveu o criticismo da era Renee Richards, vejo muitos paralelos com o criticismo da era Caitlyn Jenner. Perdemos tanto terreno em 1979, que levamos 15 anos para nos recuperar. Não acho que será tão ruim desta vez, porque somos mais organizados e em números maiores.

Ainda assim, quando as coisas vão ladeira a baixo, tendem a ir rápido. Historicamente, as pessoas trans e de gênero variante muitas vezes estão entre as primeiras a ser perseguidas em épocas de crise nacional.

Estamos constantemente envolvidos em guerra de informações assimétricas com as forças da intolerância, por isso temos de trabalhar mais e de forma mais inteligente para prevalecer.

Você não tem tido medo de desafiar publicamente aqueles com os quais não concorda — mesmo outras pessoas trans. Por que você acha que é tão importante falar sobre o que acredita, mesmo se sua visão não é sempre a mais popular ou mais aceita?

Eu não desafio as pessoas simplesmente porque discordo delas. Eu desafio as pessoas que estão causando um dano significativo à comunidade trans. Só persigo charlatães, fanáticos, metidos a sabichões, fraudadores, ‘trolls’ [pessoas que enviam mensagens agressivas na Internet] e outros tipos de idiotas que estão causando o que considero danos palpáveis às pessoas trans, mesmo se eles mesmos forem pessoas trans.

Minha filosofia é incomodar os acomodados e tranquilizar os aflitos. Aprendi alguns fatos com muito esforço. Você não pode dar espaço para os charlatães. Você pode conseguir muito mais se você não lhes der crédito. E, como disse RuPaul, “o que as outras pessoas pensam de mim não é da minha conta”.

parceria

Fui processada e ameaçada de processos por todos os tipos de vermes. Fiz minha primeira queixa policial por ameaça de morte concreta em 2002. Já tive informações privadas divulgadas na internet, chamada de todos os nomes possíveis, erroneamente citada, caluniada e por aí vai.

Tenho sido mal interpretada e difamada por pessoas de todas as tendências políticas e ideológicas, que não gostam do que tenho a dizer ou de como eu digo. Esse tipo de coisa me leva a ir mais fundo.

Cravei meu dente do ativismo no mundo da ação direta: Coalition for Positive Sexuality, defesa clínica de mulheres contra a Operation Rescue [organização antiaborto americana], registrando centenas de eleitores em meio à votação de Alan Dixon [senador democrata dos EUA morto em 2014] para confirmar Clarence Thomas [para a Suprema Corte dos EUA, em 1991], protestos contra a Associação de Psiquiatria Americana. Ativismo na mídia e ativismo on-line não são substitutos para os ativismo nas ruas, cara a cara. Mudar a cor do seu avatar ou assinar uma petição on-line não faz ‘merda’ nenhuma. É entretenimento mascarado de ativismo. Vá para a rua e pare de fingir como se o ativismo fosse um maldito videogame.

Qual legado você quer para Andrea James?

Humm. Como um epitáfio? Talvez algo como “Ela fez o que precisava ser feito, disse o que precisava ser dito e ajudou tantas pessoas quanto pôde”. Algumas pessoas que viram meu filme Alec Mapa: Baby Daddy começaram o processo de adoção.

Não posso pensar em legados melhores, exceto talvez quando os leitores escrevem para dizer que eles acharam minhas informações quando eram adolescentes e começaram a transição mais cedo do que eu. Tenho muito orgulho de ter ajudado a levantar fundos para recuperar incríveis filmes LGBT como parte do Outfest UCLA Legacy Project.

E isso pode parecer estranho devido a todo o sério trabalho que faço, mas ainda tenho muito orgulho quando alguém diz: “Você é uma das pessoas mais obscenas, mais hilárias que já conheci”.

(Confira o Huffington Post Queer Voices para outras conversas frequentes com históricas figuras trans e de gênero não conformativo.)

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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