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Atletas gregos dão um jeitinho de driblar a crise econômica para participar da Rio 2016

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windsurfista angeliki skarlatou
A windsurfista Angeliki Skarlatou, que participou de quatro Olimpíadas, procurou a empresa de energia Metka para patrocinar sua ida ao Rio.

A Olimpíada do Rio começa em 5 de agosto, e atletas do mundo inteiro estão se preparando para ir ao Brasil. Mas essa preparação não tem sido fácil em países lutando contra a recessão e a pobreza.

A Grécia, berço das Olimpíadas antigas e modernas, é um grande exemplo. Há sete anos em crise econômica, o país implementou medidas severas de austeridade para obter ajuda financeira.

O PIB do país encolheu 25% nos últimos cinco anos, o índice de desemprego está em volta de 25% e o governo contempla mais cortes de despesas.

O governo grego costumava destinar recursos substanciais para ajudar seus atletas olímpicos a se preparar para os Jogos a cada ano, repassando 10 milhões de dólares para o Comitê Olímpico Helênico (COH), responsável pela escolha e apoio aos atletas olímpicos da Grécia.

Mas o comitê não recebeu dinheiro nenhum dinheiro desde 2009. Enquanto isso, os melhores atletas do país foram obrigados a treinar em instalações em mau estado e sem aquecimento e estádios semi-abandonados, que não passam por reformas desde os dias de glória dos Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas.

Faltam infra-estrutura, treinadores e médicos, e em esportes mais caros, como a vela, o equipamento pode ser proibitivamente caro.

A veterana do windsurf Angeliki Skarlatou, por exemplo, vai participar dos Jogos Olímpicos pela quarta vez, depois de terminar em 16º lugar nos Jogos de Londres.

Mas ela teve que trabalhar como personal trainer para pagar os custos. No fim das contas, teve de pedir ajuda financeira à Metka, uma empresa de energia grega, e conseguiu dedicar-se exclusivamente aos treinos nos últimos dez meses.

sem financiamento
“Infelizmente, minha federação [a Federação Helênica de Vela] não podia me ajudar, e não há nenhum tipo de financiamento do Estado”, diz a windsurfista grega Angeliki Skarlatou sobre seu caminho difícil até os Jogos Olímpicos do Rio.

Skarlatou assinou um acordo de confidencialidade com Metka e não pode revelar quanto está recebendo de patrocínio, mas diz que foi a única maneira de pagar por seu treinamento e pelos caros equipamentos.

“Infelizmente, minha federação [a Federação Helênica de Vela] não podia me ajudar, e não há nenhum tipo de financiamento do Estado”, disse ao Skarlatou ao The WorldPost.

Apesar do patrocínio, Skarlatou ainda sente que a situação econômica precária do país a coloca em desvantagem. Ela diz que vai sozinha para o Brasil, sem equipe de apoio, e terá de organizar tudo sozinha, dos treinos à logística da viagem.

“Na preparação para os Jogos, visitei recentemente o Brasil, onde machuquei meu joelho em algum momento e não tinha ninguém para ir comigo ao hospital”, disse ela.

sofia bekatorou e aimilia tsoulfa
Sofia Bekatorou, à direita, comemora com a companheira de equipe Aimilia Tsoulfa depois de ganhar a medalha de ouro em uma prova de vela nos Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas.

Até mesmo a campeã de vela Sofia Bekatorou, que ganhou uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas e será a primeira mulher a carregar a bandeira da Grécia na cerimônia de abertura dos Jogos, foi forçada a contar com meios criativos de autofinanciamento.

Ela e Michalis Pateniotis, sua companheira de equipe no Rio, estão fazendo uma campanha de crowdfunding no site Indiegogo “para despesas de viagem, compra de equipamentos e manutenção, bem como a nossa fase final de treinamentos no Rio”, de acordo com a página de arrecadação de fundos.

Mas, faltando apenas alguns dias para a viagem, Bekatorou -- a mulher que vai liderar a procissão de todos os 207 países que competem na Olimpíada deste ano -- e Pateniotis levantaram apenas cerca de 9 000 dólares do objetivo final de 25 000 dólares.

“Nos duas somos de um país afetado profundamente pela recessão”, escrevem as atletas.

“Mas não queremos ver isso como obstáculo. Queremos ser exemplos para os nossos colegas gregos, mostrando que os desafios que nosso país enfrenta não nos impedirão de conquistar nossos sonhos e trazer orgulho ao nosso país, a Grécia.”

Isidoros Kouvelos, o chefe da delegação olímpica grega e presidente da Academia Olímpica Internacional, disse ao HuffPost Grécia que o Comitê Olímpico Helênico está tentando resolver os obstáculos enfrentados pelos atletas gregos.

Em 2014, a comissão lançou um programa chamado Adote um Atleta a Caminho da Rio 2016, com o objetivo de colocar atletas gregos em contato com patrocinadores, incluindo a empresa de apostas Stoiximan o banco Piraeus Bank.

O programa conseguiu patrocínio para mais de 50 atletas gregos “em troca de promoção relevante”, de acordo com Kouvelos. (O patrocínio da Metka para Skarlatou não faz parte do programa.)

Patrocinadores tendem a “adotar” os atletas mais conhecidos, que já são considerados atletas de sucesso, ou então os jovens que mostram promessa e parecem ter melhores chances de conseguir uma medalha, segundo o comitê olímpico do país.

Aqueles que não conseguiram se classificar para os Jogos Olímpicos perdem o apoio financeiro, mas Kouvelos diz que o programa tem oferecido apoio substancial para os atletas gregos que vão ao Rio.

Kouvelos também creditou o Comitê Olímpico Internacional pelo pagamento de 1 000 dólares por mês para cada atleta grego que se classificou para os Jogos.

O COH, entretanto, é quem cobre o custo da viagem para o Rio, para que os atletas não tenham de usar essa quantia para pagar as passagens aéreas.

“É um feito importante termos uma delegação de 88 atletas, sem nenhum tipo de apoio do governo”, disse Kouvelos. “A equipe se preparou e avançou com a paixão e o amor que os atletas têm pelos seus esportes.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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