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Ivete Sangalo manda a real sobre onda de ódio: 'Gay não precisa ser ajudado, precisa de respeito'

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IVETE SANGALO
Brazil Photo Press/CON via Getty Images
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A rainha do Brasil Ivete Sangalo acabou fazendo um discurso destruidor sobre respeito, sororidade e compaixão pelo ser humano ao responder uma pergunta durante uma coletiva de imprensa na última quarta-feira (27), em São Paulo, para lançar o novo DVD "Ivete Sangalo - Acústico em Trancoso".

Durante o bate-papo, a baiana foi perguntada sobre a responsabilidade de levantar a bandeira LGBT enquanto uma das pessoas mais influentes do País. "O bom de ser famoso é exatamente isso: é o poder que você tem para falar uma coisa realmente relevante", respondeu Ivete.

"Eu sempre tive uma preocupação de não interferir nas decisões das pessoas sob um prisma meu. Sobre coisas das quais eu acredito e que em algum momento da minha vida eu possa mudar o conceito sobre isso. (...) Mas coisas que eu tenho a convicção de que são verdadeiramente honestas e eu jamais mudaria minha posição sobre elas, aí eu abro o bocão."

Mas a baiana não parou por aí e iniciou uma verdadeira lição sobre respeito ao próximo.

"Diante de fatos, como é a homofobia, isso é humanamente inadmissível. Não há nada que possa mudar, nada que possa vir, que possa transformar minha opinião sobre isso. Porque politicamente, hoje eu posso acreditar em algumas coisas dentro das minhas necessidades como cidadã, que é diferente da necessidade da grande maioria, por conta de oportunidades, estilo de vida que eu tenho, as opiniões, mas com relação a isso, que é algo que não vai mudar, você não respeitar o outro porque o outro é homossexual... O que o fato de alguém ser homossexual mudará na vida minha ou na sua? Fique atento porque pode mudar sempre pra melhor."

"Porque não estamos falando de um homossexual, estamos falando de um indivíduo. Não estamos falando de uma mulher, estamos falando de um indivíduo. Não estamos falando de um negro, estamos falando de um indivíduo. Isso não vai mudar na minha cabeça. Isso é algo que eu tenho e vou para onde tiver que ir e falo aonde tiver que falar: porque eu não tenho receio do que acredito. Aonde tenho receio das minhas opiniões, dentro de conveniências, eu me mantenho calada."

A Vevete também falou sobre julgamentos e ódio na sociedade.

"O mundo está do jeito que está porque as pessoas não se libertam para o amor. As pessoas se prenderam no ódio, no julgamento. Não existe opinião, existe julgamento. E a pior coisa do mundo é a gente não compreender que essa roda cai na gente. Em algum momento seremos julgados também. Isso só gera sofrimento, que gera ódio, que gera angústia, que gera essa quantidade de violência que a gente tem."

Ao falar sobre isso, a cantora se emociona. "Eu fico até rubra. Meu rosto fica quente quando falo disso. Por que eu acho isso de uma ignorância, de um retrocesso humano incrível. Em contrapartida, eu fico feliz de que nos tempos de hoje, a gente possa falar."

Ela também citou a importância de falar sobre assuntos relevantes ainda pouco comentados na mídia, como violência contra a mulher, homofobia e racismo. "Quanto mais se fala sobre isso, mais a casca engrossa, mais defesa se tem, mais consciência se tem dentro da sociedade."

"O gay não precisa ser ajudado não, ninguém quer ajuda não. As pessoas querem respeito. Você pode até não gostar, mas respeite para ser respeitado. Aí amigo, você vê como ia funcionar."

Ao final, a baiana se desculpou pela longa (e maravilhosa) resposta. "Desculpe, eu me exaltei. Mas é um negócio que toma conta de mim, mas já vou voltar para a 'fofurice'", brincou.

Como não amar essa mulher?

Assista ao vídeo completo abaixo:


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