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Não é justo associar o Islã ao terrorismo, diz papa Francisco

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POPE FRANCIS
Stefano Rellandini / Reuters
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O papa Francisco disse que não é "verdadeiro e nem justo" associar o Islã à violência ou ao terrorismo.

"Uma coisa é certa, em quase todas as religiões sempre existe um pequeno grupo fundamentalista. Nós também temos", afirmou.

Em declaração a jornalistas a bordo do avião papal, quando voltava da Polônia, onde participou nos últimos dias da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), o argentino acrescentou que "o Estado que se define islâmico apresenta uma identidade de violência", que não pode ser ligada ao Islã, referindo-se ao grupo Estado Islâmico.

"Todos os dias, quando abro os jornais, vejo violência na Itália, alguém que mata a namorada, outro que mata a sogra. E são católicos batizados. Se falo de violência islâmica, também tenho de falar da violência cristã", disse. "Nem todos os islâmicos são violentos e nem todos os católicos são violentos. É como uma salada de frutas: tem de tudo dentro".

Na última semana, dois homens que diziam agir em nome do Estado Islâmico invadiram uma igreja na França e degolaram o padre Jacques Hamel, de 84 anos.

O Vaticano tem tomado cuidado para afastar a ideia de uma guerra religiosa e evitar novos ataques. A Santa Sé e o papa estão pedindo para os católicos se unirem a fiéis de outras religiões para combater a violência.

Religiões Unidas

Muçulmanos em várias partes da França e da Itália participaram de missas católicas no domingo (31), em um gesto de solidariedade após o assassinato do sacerdote .

O reitor da Grande Mesquita de Paris, Dalil Boubakeur, que também é o presidente do Conselho Francês da Fé Muçulmana, participou de um culto pela manhã na catedral de Notre-Dame, no centro de Paris, no domingo.

Na Basílica de Saint-Denis, nos arredores de Paris, também se reuniram centenas de católicos, mas também um grande número de muçulmanos e pessoas de outras religiões que apareceram depois que as autoridades religiosas na França pediram à população para expressar solidariedade à comunidade católica.

"Estou muito satisfeito que convidamos os muçulmanos. Nós também partilhamos a sua dor, a dor de todos aqueles que sofrem, em todos os sentidos", disse Danielle Ludon, uma mulher católica que assistiam à missa, à Reuters.

"Os sentimentos expressos foram muito, muito fortes. Alguns deles foram muito comoventes", disse ela.

Entre aqueles que participaram do serviço estava uma mulher muçulmana chamada Hayat, que veio com seus filhos e marido.

"Foi basicamente uma mensagem de unidade, além de paz, foi realmente sobre a unidade", disse ela.

Imãs representando suas comunidades muçulmanas também participaram de missas em muitas cidades e vilas italianas, incluindo Santa Maria de Roma em Trastevere e Santa Maria, em Milão.

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