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Susan Cain: Pais, deem tempo para seus filhos introvertidos 'recarregarem as energias'

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Eyecandy Images via Getty Images
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Em uma escola com lanchonetes barulhentas, corredores cheios de gente e hierarquias sociais complicadas, a vida nem sempre é fácil para o estudante introvertido.

Embora os extrovertidos sejam provavelmente os estudantes mais celebrados por conta de sua destreza social, os alunos introvertidos são aqueles que têm os menores e mais unidos grupos de amigos.

Quando o professor faz uma pergunta, os alunos extrovertidos podem levantar imediatamente as mãos, enquanto os introvertidos podem ser os que consideram cuidadosamente suas respostas antes de compartilhá-las.

No entanto, Susan Cain conhece o poder dos alunos introvertidos. E ela também quer que eles saibam de seus poderes.

O livro da pesquisadora, O Poder dos Quietos, fala com crianças e adolescentes que buscam formas de capitalizar seus pontos fortes, frequentemente negligenciados, por serem vistos como alunos com vidas internas mais profundas.

A autora compartilha a experiência de vários adolescentes enquanto se envolvem em projetos em grupo, eleições de grêmios estudantis e festas de aniversário.

“No livro falamos das maneiras em que os introvertidos se relacionam com os mais próximos a nós — amigos, família e professores. Nós falamos sobre formas de ir atrás de nossos interesses e hobbies. E formas que podemos nos identificar com nós mesmos, como indivíduos”, escreve Cain no livro.

“Espero que através deste livro você aprenda a aceitar e dar valor a si mesmo — da forma como você é. O mundo precisa de você e há várias formas de fazer com que o seu estilo quieto fale mais alto”.

susan cain
Cain em evento do jornal New York Times, em março

Em O Poder dos Quietos, Cain mostra como tímidos e introvertidos podem mudar um mundo que não consegue parar de falar, ficou semanas na lista de mais vendidos do New York Times e a incentivou a começar uma empresa chamada A Revolução dos Quietos, cuja missão é “revelar o poder dos introvertidos para o benefício de todos”.

Ela recentemente começou a rede Escolas para Quietos, desenhada a treinar líderes e promover o engajamento de todos os estudantes.

O Huffington Post falou com Cain sobre seu último livro e o que as escolas podem fazer para serem um ambiente mais acolhedor para os alunos introvertidos.

O que te motivou a escrever este livro especificamente para os estudantes?

Realmente surgiu do fato de que quando o Poder dos Quietos saiu, eu comecei a ouvir de vários estudantes e professores, e também de adultos comuns, que viviam dizendo: se tão só eu tivesse lido este livro quando era criança minha vida toda teria sido bem diferente.

Essas são pessoas que estavam bem no início de suas vidas e receberam a mensagem que havia algo de errado com elas ou com sua forma de ser e com a forma que elas desejavam passar seu tempo.

Paradoxalmente, eu vi que quando as pessoas tinham a permissão para serem elas mesmos, elas se tornavam muito mais efetivas no mundo das entrevistas e do trabalho, um mundo voltado para o externo, e esse tipo de coisas.

Eu queria chegar até essas crianças quando elas ainda eram pequenas e estavam em formação.

Quem é a criança a quem você fala especificamente no livro?

É realmente a criança que tem um grupo fechado de amigos e que prefere ficar com quem conhece bem ao contrário do tipo bem sociável. Não é a criança que fala com todo mundo, é aquela que tem poucos interesses e com poucas amizades mais profundas e essa é sua forma de ser.

É a criança que recebe a mensagem que a melhor coisa no mundo é ser extrovertida e começa a se perguntar porque ela não é igual.

Como essa criança se mostra na escola?

Antes de mais nada, obviamente não há um protótipo. Com frequência essas crianças são aquelas que estão desconfortáveis com as normas de serem avaliadas por participação na aula. Elas falam se tiverem que falar, mas no geral não são as que mais falam na sala de aula.

Às vezes gostam de trabalho em grupo, mas frequentemente preferem trabalhar independentemente ou em pares. Elas geralmente têm poucos interesses que querem se aprofundar. Geralmente ouvem bem, pensam bem, com uma mente independente e também com frequência são mais compassivas, sensíveis e muito criativas.
Como você acha que este livro teria impactado você quanto era criança?

Nossa, acho que existiu muita lamentação desnecessária que jamais teria ocorrido. Uma maior consciência de meus poderes.

O que é algo que os pais e professores poderiam fazer para ter certeza que estão auxiliando da melhor forma possível os alunos introvertidos?

Pais: deem às suas crianças tempo para recarregar as energias, especialmente nessa época de excesso de atividades que vivemos. Há pressão para que sua criança esteja sempre fazendo algo para que ela consiga se manter ao dia com as atividades extracurriculares que todo mundo faz.

Mas as crianças precisam desse tempo para recarregar, especialmente os introvertidos. Não tem problema chegar em casa depois de um dia de escola e relaxar.

Para os professores, um ajuste bem simples. Estudos descobriram que quando os professores esperam mais alguns segundos após fazer uma pergunta, antes de chamar os alunos, eles conseguem mais participação.

O natural seria: perguntar, chamar os alunos na hora e isso é o que faz com que os mais extrovertidos respondam mais.

Mas se você der apenas alguns segundos extras, os mais quietos vão querer se arriscar também.

Esta entrevista foi editada por razões de clareza e tamanho.

(Tradução: Simone Palma)

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