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Chefe de gabinete de Feliciano nega que seja dele voz no áudio-bomba com Patrícia Lélis

Publicado: Atualizado:
MARCO FELICIANO
Patrícia Lélis e Talma Bauer (centro) negam acusação de abuso que envolve Feliciano | Montagem/Facebook
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O chefe de gabinete do deputado federal e pastor Marco Feliciano (PSC-SP), Talma Bauer, coloca em xeque a gravação em que ele supostamente pede para a militante do PSC Patrícia Lélis não levar adiante a ideia de denunciar o parlamentar por assédio sexual. Segundo Bauer, o áudio é falso e a voz igual à dele pode ter sido criada eletronicamente. Publicamente, a jovem de 22 anos nega que tenha sido alvo de agressão.

A denúncia foi revelada na terça-feira (2) pelo repórter Leandro Mazzini, da coluna Esplanada, do UOL. Na reportagem, o repórter sustenta, com auxílio de prints, que a jovem ameaçou fazer um boletim de ocorrência, mas sofreu pressão para recuar.

Nesta quarta-feira (3), o repórter divulgou um áudio de 28 minutos com uma conversa supostamente entre a jovem e o chefe de gabinete de Feliciano.

"Com todas as letras, ele deu em cima de mim mesmo de uma forma assim descarada. Me levou a fazer coisas à força, que eu tenho prova disso. Dentro da casa dele, falou que tava tendo reunião na UNE. Pra eu ir pra lá. Cheguei lá, e não tava tendo. Ele não me deixou sair, fez coisas à força. Eu tenho a mensagem para ele: 'Feliciano, a minha boca ficou roxa'. Ele ri e diz: 'Passa um batom por cima'. Eu tenho todas essas provas”, diz Patrícia na gravação.

O interlocutor, a quem é atribuída a identidade de Bauer, tenta contemporizar.: "Você falou a verdade, não está fazendo favor a ninguém, você está fazendo um bem, de você perdoar, e posso pedir para você por uma pedra em cima?”.

Ao HuffPost Brasil, o funcionário negou que tenha se encontrado com a estudante e disse que a conversa "nunca" existiu. Apesar de acusar ser alvo de uma calúnia, Bauer afirmou que não pretende entrar na Justiça contra o repórter.

Leia a íntegra:

HuffPost Brasil: Tem um áudio que mostra uma conversa entre o senhor e a Patrícia Lélis...

Talma Bauer: Fizeram falso. Nunca conversei com ela em lanchonete. O áudio é falso, nunca conversei com ela, ela já colocou no Facebook dela que é falso… Isso é uma coluna que fizeram para sei lá, sei lá o que, mas eu nunca conversei com ela, nunca me mandou um link, nunca tivemos essa conversa. Ela já disse que é falso.

Você chegou a ouvir o áudio?

Não, me falaram en passant. Nunca tive essa conversa, não é meu, quem fez que se explique. O rapaz que colocou no Facebook, não sei onde, ele que se explique. Onde ele pegou? Ele tem que falar.

Você pretende tomar alguma medida judicial?

Não, isso se esgota em si mesmo. Eu não vou ficar processando os outros 10 anos para o cara dar risada na minha cara. Ele fala “me passaram”, mas quem passou? Vai ficar igual aquela corrida do bobão. Eu processo ele, vou na audiência, os caras não vão. Vejo isso constantemente na internet. Alguém diz que está saindo com a mulher de fulano, aí eu vou matar o cara, vou fazer isso, depois não acha ninguém. Quem passou isso para ele não vai achar. Esse moleque que colocou deve ser um molecão inconsequente. Ainda colocou que se a menina acusou e não está acusando mais, ela é sem vergonha, deve ser expulsa. Quer dizer que o cara quer sangue? A pessoa aparece em uma mentira, uma calúnia e diz que não foi nada disso, que é mentira, que o cara é gente boa, que está tudo bem e não tem o que fazer. Agora tem que ter sangue?

Você foi atrás da história?

Eu nem tomei consciência. A pessoa que atribuiu a mim tem que explicar: pegou onde? Com quem? Quem fez a gravação? Foi você que fez? Você entendeu, a menina nega, diz que falso, eu também digo que é falso. Não tem que processar ninguém, se eu processar vou ter gastar com advogado. Meu promotor de justiça chama Jesus Cristo, mas ele é mais para advogado, ele perdoa o camarada.

Está chegando as eleições (sic) aí, o homem quer fazer média, está com milhões de voto, mas isso não atinge a gente não. Isso é blog… esses blogs daqui 24 horas ninguém fala mais sobre isso. Agora eu não vou ficar remoendo, não quero escutar.

A voz parece muito com a sua…

Aí a pessoa fala que a voz é igual a minha… Hoje em dia o computador faz voz igual a do Elvis Presley se quiser. Você faz voz até do Frank Sinatra pelo computador. O cara não sabe que é eletrônico. A eletrônica pega… Olha eu já vi áudio, foto, até vídeo, o cara faz uma montagem, coloca uma pessoa em movimento, com ele atrás e você jura que é verdade. Você já imaginou? Montagem hoje, com essas tecnologias, fica perfeito. O cara entra no computador da Nasa, entra no computador do governo, o que sou eu, sou um cocô para não dizer um palavrão, um cocô, para ficar me preocupando. Você entra no computador da Nasa e eu vou me preocupar porque o cara fez um vídeo falso? Vou processar? Meu promotor é Jesus Cristo e como ele é advogado, o cara já está perdoado.

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